De Edimburgo a Paris: revelado o percurso completo da Volta a França 2027
Os organizadores da Volta a França apresentaram, esta quinta-feira o traçado completo oficial da 114.ª edição da prova. A mítica corrida decorrerá entre 2 e 25 de julho de 2027, ligando as estradas britânicas ao tradicional final na avenida dos Champs-Élysées, em Paris.
Já eram conhecidas as etapas no na Grã-Bretanha, mas agora todo o percurso, depois de deixar Cardiff e passar para a Europa continental.
No total, o pelotão terá de cumprir 3.479 quilómetros e um desnível positivo acumulado de 53.450 metros. A edição de 2027 destaca-se pelo regresso do esforço individual, contemplando dois contrarrelógios que perfazem 71 quilómetros — a maior quilometragem na especialidade desde 2012. Já os setores montanhosos cruzarão o maciço central, o Jura, os Alpes e os Pirenéus, integrando três chegadas em altitude, incluindo uma meta instalada no topo do Grand Colombier.
Vencedor da Volta a França por cinco vezes e tricampeão em título, Tadej Pogacar vai enfrentar uma concorrência forte de Paul Seixas, Remco Evenepoel e Jonas Vingegaard.
O objetivo de colocar as grandes figuras em confronto direto antes das grandes montanhas é assumido por Cristian Prudhomme, diretor da corrida. «A ideia é ter os maiores talentos do ciclismo logo na primeira semana, seja a competir nas subidas, no plano, com vento ou no contrarrelógio. O sonho é reeditar Rouen 2025: primeiro Pogacar e a sua centésima vitória, segundo Van der Poel, terceiro Jonas Vingegaard, em qualquer ordem, e quem sabe com Paul Seixas, que não estava presente na altura. Queremos os favoritos ombro a ombro desde a partida, antes de atacarmos a montanha», frisou.
O individual também ganha relevo com 71 quilómetros de contrarrelógio ePrudhomme explicou a aposta e a ambição de manter o suspense na luta pela geral: «Sempre sonhei com a época, que não vivi, do confronto entre Federico Bahamontes e Jacques Anquetil. Ainda não estamos nesse ponto, mas há um reequilíbrio evidente quando vemos o domínio de um corredor nos contrarrelógios, como Remco Evenepoel, ou o nível de Seixas e outros. Isso pode garantir luta e incerteza até ao fim. Claro que Tadej Pogacar tem sido de tal forma dominador nos últimos anos e possui tanto talento que, qualquer que seja o percurso, acaba por ditar a sua lei.»
A partida da 114.ª edição terá lugar em Edimburgo, na Escócia. A etapa inaugural terminará no castelo de Carlisle, em Inglaterra; segue-se uma segunda tirada entre Keswick e Liverpool (223 km), A terceira etapa ligará Welshpool a Cardiff (223 km), atravessando o País de Gales com sete contagens de montanha no caminho. Após o primeiro dia de descanso, a 5 de julho, a corrida ingressará finalmente em território francês a 6 de julho, com uma etapa de 171 quilómetros desenhada em circuito em redor de Cherbourg en Cotentin, na Normandia.
As 21 etapas:
Etapa 1 (2 de julho): Edimburgo - Carlisle (185 km)
Etapa 2 (3 de julho): Keswick - Liverpool (223 km)
Etapa 3 (4 de julho): Welshpool - Cardiff (223 km)
Dia de descanso (5 de julho)
Etapa 4 (6 de julho): Cherbourg en Cotentin - Cherbourg en Cotentin (171 km)
Etapa 5 (7 de julho): Pontorson - Plumelec (178 km)
Etapa 6 (8 de julho): Vannes - Angers (193 km)
Etapa 7 (9 de julho): Blois - Chambord (38 km)
Etapa 8 (10 de julho): Bourges - Le Creusot (224 km)
Etapa 9 (11 de julho): Villars les Dombes - Grand Colombier (162 km)
Dia de descanso (12 de julho)
Etapa 10 (13 de julho): Annecy - Sallanches (171 km)
Etapa 11 (14 de julho): Cluses - Les Saisies (150 km)
Etapa 12 (15 de julho): Chambéry - Valence (162 km)
Etapa 13 (16 de julho): Aubenas - Montpellier (164 km)
Etapa 14 (17 de julho): Montpellier - Mende (199 km)
Etapa 15 (18 de julho): Rodez - Albi (169 km)
Dia de descanso (19 de julho)
Etapa 16 (20 de julho): Toulouse - Toulouse (33 km)
Etapa 17 (21 de julho): Muret - Pau (186 km)
Etapa 18 (22 de julho): Pau - Saint Lary Soulan (174 km)
Etapa 19 (23 de julho): Hasparren - Laruns (160 km)
Etapa 20 (24 de julho): Maubourguet - Libourne (198 km)
Etapa 21 (25 de julho): Saint Quentin en Yvelines - Paris (116 km)
A luta contra o vento marcará os momentos junto ao mar, num dia que pode surpreender alguns velocistas antes da meta. A quinta etapa, a 7 de julho, ligará Pontorson a Plumelec (178 km), proporcionando imagens do Mont-Saint-Michel no arranque, antes de uma dupla subida à dura côte de Cadoudal no final. No dia seguinte, a 8 de julho, o pelotão despede-se rapidamente da Bretanha ao cumprir os 193 km entre Vannes e Angers, numa sexta tirada de transição destinada aos sprinters, apesar do falso plano ascendente na chegada.
Na sétima etapa um primeiro contrarrelógio de 38 quilómetros entre Blois e Chambord. Ao longo do rio Loire, os roladores vão poder explorar a sua potência. Segue-se a oitava etapa, a 10 de julho, entre Bourges e Le Creusot (224 km), a mais longa deste bloco, que atravessará o Morvan e subirá o Signal d'Uchon, abrindo espaço a uma fuga de estilo clássico com ciclistas afastados da classificação geral.
A alta montanha surge em pleno na nona etapa, a 11 de julho, que ligará Villars les Dombes ao Grand Colombier (162 km). Antes do segundo dia de descanso, a tirada incluirá quatro contagens de montanha prévias à escalada final do Grand Colombier, onde um dia mau pode afastar candidatos à vitória em Paris.
O regresso à estrada, a 13 de julho, far-se-á com a décima etapa entre Annecy e Sallanches (171 km), com passagens pela montée de Brison, pela côte de Domancy e pelo Bettex, cruciais para a camisola de melhor trepador. No feriado de 14 de julho, a 11.ª etapa (Cluses-Les Saisies, 150 km) será a mais curta em linha fora a jornada de Paris, arrancando a ritmo acelerado no col de la Colombière antes do encadeado final com o col du Pré e a montée de Bisanne rumo a Les Saisies.
A saída dos Alpes ocorrerá na 12.ª etapa, a 15 de julho (Chambéry-Valence, 162 km), oferecendo uma oportunidade aos velocistas sobreviventes. O cenário repete-se na 13.ª etapa, a 16 de julho, entre Aubenas e Montpellier (164 km), um dia curto e de pouco desnível onde o vento será a principal ameaça.
Para a 14.ª tirada, a 17 de julho, a ligação de 199 km entre Montpellier e Mende acumulará 4300 metros de desnível positivo em Lozère e integrará, pela primeira vez, a passagem pelo cirque de Navacelles, um desfiladeiro com 300 metros. O desenhador do traçado da prova, Thierry Gouvenou, destacou a componente estética do percurso em declarações à RMC: «Penso que os telespetadores vão ficar maravilhados».
A 18 de julho corre-se a 15.ª etapa (Rodez-Albi, 169 km), com oito subidas categorizadas que convidam a fugas, dependentes da capacidade de suster a perseguição do pelotão no falso plano da meta. Após a última jornada de repouso, a 16.ª etapa, a 20 de julho, será o segundo esforço individual: um contrarrelógio de 33 quilómetros em Toulouse, antecedendo a 17.ª etapa, agendada para 21 de julho entre Muret e Pau (186 km).
A reta final promete fortes emoções na alta montanha antes da consagração em Paris. Com passagens emblemáticas pelos Pirenéus e uma chegada à capital com contornos de clássica, o desenho dos últimos dias da competição foi revelado com detalhes determinantes para a luta pela camisola amarela.
O grande destaque vai para a 18.ª etapa, agendada para 22 de julho entre Pau e Saint Lary Soulan, ao longo de 174 quilómetros. Considerada a etapa-rainha da edição de 2027, a tirada contará com mais de 5.400 metros de desnível positivo acumulado. O pelotão enfrentará a subida ao Col du Soulor logo nos primeiros 50 quilómetros, seguindo-se a mítica ascensão ao Col du Tourmalet e a passagem pela Hourquette d'Ancizan. O desfecho acontecerá no topo do Col du Portet, uma contagem de montanha com 16 quilómetros a 8,7% de inclinação média, onde o ciclista que vestir a liderança ficará numa posição privilegiada para garantir o triunfo final.
No dia seguinte, a 23 de julho, a 19.ª etapa ligará Hasparren a Laruns em 160 quilómetros, com um desnível positivo de 4.300 metros. A despedida do maciço montanhoso dá-se a 24 de julho, na 20.ª etapa, entre Maubourguet e Libourne (198 km), uma oportunidade para os homens rápidos discutirem a vitória ao sprint.
A tirada de consagração, na 21.ª etapa, voltará a contar com a passagem pela icónica colina de Montmartre e em frente à basílica do Sacré-Cœur, antes da chegada aos Champs-Élysées. Popularizado pelos Jogos Olímpicos de 2024 e pela grande afluência de público na Rue Lepic, o traçado no 18.º bairro de Paris — já percorrido em 2025 e 2026 — verá o pelotão subir a vertente por três ocasiões.