Em 2025 jogava na distrital, apareceu contra o FC Porto e gera expetativa no Gil Vicente
Há um novo galo a dar nas vistas em Barcelos, e que há dois anos só cantava nos distritais.
Mohamed Kaba tem sido uma das (boas) surpresas deste início de época da turma orientada por Luís Pinto.
Chegado há cerca de um ano ao Gil Vicente (oriundo do Canedo das distritais de Aveiro), foi nos sub-23 que o maliano começou por brilhar, ao apontar 21 golos em 34 partidas entre Liga e Taça Revelação.
Tamanha produtividade não passou despercebida à estrutura gilista e nesta temporada o ponta de lança foi promovido à equipa principal por Luís Pinto.
A primeira aparição do jogador alto e possante foi no jogo de apresentação dos galos aos seus sócios e simpatizantes para esta temporada, no Estádio Cidade de Barcelos, no passado dia 22 de julho, que terminou com o triunfo (1-0) diante do… FC Porto. Mohamed Kaba entrou aos 73’ e surpreendeu, desde logo, pela positiva os adeptos minhotos.
Curiosamente, três meses depois, o africano é um forte candidato à titularidade no reencontro com os dragões do próximo sábado (20h30), em partida (desta vez, a valer) da nona jornada do campeonato.
Com Héctor Hernández (o titular mais habitual) com problemas físicos e ainda em dúvida para a receção aos azuis e brancos, sobram Mohamed Kaba e Walace França para assumir o posto mais ao centro do ataque.
Por um lado, o brasileiro está bem lançado para assumir a posição, uma vez que tem estado de pé quente: marcou dois tentos nos últimos dois duelos da Liga e sempre a sair do banco. Por outro lado, todavia, mesmo sem golos, o maliano é que tem sido a aposta de Luís Pinto para onze: atuou de início contra SC Braga (2-1) e União de Santarém (3-2).
«Trabalhador e humilde»
A estreia de Mohamed Kaba no principal escalão do futebol português aconteceu no dia 30 de agosto contra o Famalicão (0-0), quando saiu do banco ao minuto 64. Desde então, participou nos seis embates dos gilistas que se seguiram.
Com 24 anos, o atacante vive agora o sonho primodivisionário, mas com 22 ainda jogava nas… distritais!
O africano chegou a Portugal em 2022 para os Lusos de Macedo de Cavaleiros do campeonato distrital de Bragança, provindo dos juniores do Jammerbugt (Dinamarca). Curiosamente, tinha iniciado essa temporada nos sub-19 do Malmo (Suécia), que disputava a UEFA Youth League, naquela que foi a primeira experiência depois de sair do Mali em 2021.
A BOLA falou com Rafael Fonseca, o primeiro treinador do avançado em território luso. Quando o ponta de lança lhe foi parar às mãos, o técnico logo percebeu que «havia ali talento» e «uma grande capacidade de trabalho».
Ainda assim, o atual timoneiro dos sub-19 do Paços de Ferreira confessa que não esperava um salto tão repentino: «Não vou mentir e dizer que percebemos logo que conseguiria atingir este patamar competitivo onde está atualmente. Mas é verdade que identificámos que poderia ter capacidade para isso. Era um miúdo trabalhador, humilde, com muita vontade de aprender e melhorar, o que fez com que, em dois anos, desse um salto competitivo bastante grande, dos campeonatos distritais para o futebol profissional.»
De Macedo de Cavaleiros a Barcelos
Depois de dez golos em nove confrontos pelos Lusos de Macedo de Cavaleiros — «creio que ainda marcou mais um ou dois num jogo da Taça Distrital, mas que, devido a uma irregularidade na inscrição de um atleta nosso, acabaram por nos atribuir a derrota por 3-0 e descontaram esses golos», recorda Rafael Fonseca —, Mohamed Kaba seguiu para o Canedo da AF Aveiro, onde atuou 2023/24 e 2024/25, antes de chegar ao Minho.
A rápida ascensão não passa despercebida a ninguém e Rafael Fonseca garante que foi lograda na base da «humildade» e «trabalho»: «É um miúdo fantástico. Já na altura o era. Estava sempre preocupado em aprender e no que poderia melhorar, porque tinha o sonho de ser profissional e de estar num contexto cada vez mais elevado. Veio para cá com essa intenção e notava-se que queria muito. Esse é o primeiro princípio do processo: ter vontade de aprender e saber que temos sempre espaço para melhorar. Sempre teve humildade associada à capacidade de trabalho.»
O jovem treinador (30 anos) nota agora a evolução num jogador que tinha «dificuldades no primeiro toque, receções orientadas e em jogar em espaços curtos com pressão do adversário, que, muitas vezes, não o deixavam ter sucesso em certo tipo de ações», mas que a disciplina permitiu melhorar. Agora, o atacante junta esses progressos ao que de bom já trazia: «Destacava-se pela grande capacidade de rutura e boa perceção do espaço, também já tinha um bom apoio frontal e, claro, uma excelente capacidade de finalização.»