Iúri Leitão
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Quatro medalhas, uma certeza e um país por pedalar

Portugal voltou a brilhar nos Mundiais de ciclismo de pista. Quatro medalhas em Xangai confirmam a excelência de uma modalidade que continua a merecer muito mais atenção do que aquela que lhe dispensamos. E Iúri Leitão voltou a mostrar que os campeões não precisam de ser descobertos duas vezes

Há países que descobrem os seus heróis quando estes sobem ao pódio olímpico. Portugal descobriu Iúri Leitão em 2024, com o ouro conquistado em Paris, ao lado de Rui Oliveira, no madison. De repente, um país desportivamente inculto ficou a saber que existiam bicicletas sem travões e disciplinas chamadas omnium, scratch e madison. Nomes esquisitos, regras difíceis de entender à primeira e corridas que parecem desafiar a lógica de quem só conhece o desporto pela televisão.

Pois bem: dois anos depois, continuamos a ter razões para prestar atenção.

Em Xangai, Portugal conquistou quatro medalhas nos Mundiais de pista, confirmando resultados de excelência a que, felizmente, nos vamos habituando. Esperemos que bem. Porque, quando o sucesso se repete, deixa de ser acaso e passa a ser sinal de competência, trabalho e talento. A questão é saber se temos a ambição de transformar estes resultados numa tradição duradoura.

No centro desta história está, inevitavelmente, Iúri Leitão. Mais um título mundial para um corredor especial, carismático e de enormíssimo talento, capaz de aliar potência, inteligência e uma notável capacidade de decidir quando mais importa. Há campeões que ganham medalhas; outros conseguem também despertar um país. Iúri pertence às duas categorias.

Mas seria injusto reduzir a Xangai ao brilho de um só nome. Quatro medalhas são o retrato de uma seleção que merece reconhecimento e de uma modalidade que justifica investimento, visibilidade e continuidade.

Talvez esteja na altura de deixarmos de achar o scratch estranho, o omnium incompreensível e o madison uma extravagância. Afinal, também aprendemos a gostar daquilo que nos ensinaram a ver.

Portugal tem campeões. Tem resultados. Tem talento. Falta-lhe, por vezes, olhar para eles antes de chegarem ao ouro olímpico.

Que estas quatro medalhas sirvam, portanto, para mais do que festejar. Que nos ensinem a olhar para a pista. Porque os campeões já lá estão. Nós é que, demasiadas vezes, ainda vamos a meio da volta.

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