Dakar: etapa madrasta para os líderes
A 10.ª etapa do rali Dakar foi arrasadora para os líderes em várias categorias. Nos automóveis houve hecatombe na Ford, com os espanhóis Nani Roma e Carlos Sainz fortemente prejudicado por terem aberto, ao volante dos Raptors, a especial de 420 quilómetros cronometrados entre o acampamento da etapa maratona e Bisha, onde terminou a segunda jornada longa da competição.
Dificuldades de navegação fizeram Roma perder mais de 20 minutos para o vencedor da etapa, o francês Mathieu Serradori (STR), enquanto Sainz cedeu mais de meia hora à procura do waypoint (ponto de passagem obrigatório), até desistir de o encontrar e seguir direto para a meta, o que lhe valeu 15 minutos de penalização, perdendo um total de 45.34 minutos, e a oportunidade de vencer do Dakar pela quinta vez.
O português João Ferreira (Toyota Hilux) voltou a ter uma etapa aziaga, que lhe custou mais 27 minutos (15.º). Depois de na véspera ter gastado mais de 2:30 horas a reparar uma roda, caindo para o 21.º posto da geral, recuperou apenas uma posição, a 3:12.30 horas do novo líder da prova, o qatari Nasser Al-Attiyah (Dacia Sandriders), segundo a etapa a 6.12 de Serradori. Sébastien Loeb (Dacia Sandriders) foi terceiro, a 9.20.
«Estamos dececionados com o resultado desta etapa maratona, que nos deixou completamente fora da luta pelos nossos objetivos. O Dakar é assim, não perdoa. Agora resta-nos agarrar com determinação a possibilidade de vencer uma das três etapas que faltam, apoiando a equipa em tudo o que seja necessário», explicou João Ferreira, ainda à procura do seu dia neste Dakar.
O sul-africano Henk Lategan (Toyota Hilux) ocupa a segunda posição da geral, a 12 minutos de Al-Attiyah, e Nani Roma desceu de primeiro a terceiro, a 12.50 do catari.
Nas motos, o líder Daniel Sanders (KTM) desistiu devido a queda violenta ao quilómetro 138 dos 368 cronometrados (etapa foi mais curta para as duas rodas), que lhe provocou fraturas de clavícula e esterno. O australiano ainda terminou a tirada, a quase meia hora, na 16.ª posição.
O francês Adrien van Beveren (Honda) deu a vitória à equipa gerida pelo português Ruben Faria, batendo o norte-americano Ricky Brabec (Honda) por 3.49, com o argentino Luciano Benavides (KTM) a 4.04. Martim Ventura, também da Honda, foi o melhor português, na 11.ª posição, quarto entre os pilotos da categoria Rally 2.
«A etapa maratona terminou e estou superfeliz por estar inteiro, eu e a moto. Hoje estava a correr bem, com dunas muito macias e extremamente difíceis. Entretanto, tive de ajudar um piloto que tinha sofrido uma queda; fui o primeiro a chegar ao local e estive algum tempo com ele. Não havia qualquer dúvida: tinha de parar e ajudar», contou Ventura, que o ocupa a 12.ª posição da geral, a 4:13 horas do líder, Ricky Brabec. Bruno Santos (Husqvarna) foi 23.º enquanto Nuno Silva (KTM) foi 83.º.
Nos SSV, Hélder Rodrigues (Polaris) foi o melhor português, na sétima posição, enquanto João Monteiro (Can-Am) foi 15.º e perdeu o lugar no pódio que vinha ocupando. Na geral, está na quinta posição, já a 2:30 horas do líder e grande dominador desta categoria, o norte-americano Brock Heger (Polaris).
Nos camiões, o navegador Paulo Fiúza ascendeu ao comando da geral. O português e o piloto letão Vaidotas Zala (Iveco) terminaram a etapa a 1.37 minutos do vencedor, o checo Ales Loprais (Iveco) e lideram a classificação da categoria com 20.48 minutos sobre aquele adversário.
Na sexta-feira disputa-se a 11.ª das 13 etapas previstas, entre Bisha e Al Henakiyah, com 346 quilómetros cronometrados.