Jogadores do Mónaco a festejar
Jogadores do Mónaco a festejar

Mónaco investigado por acordo milionário com a RD Congo

Suspeitas de má gestão financeira

A procuradoria-geral do Mónaco abriu um inquérito preliminar à parceria entre o clube do Principado e a República Democrática do Congo, na sequência de uma queixa apresentada por cidadãos congoleses que suspeitam da existência de má gestão financeira. A informação foi confirmada, esta terça-feira, por uma fonte judicial.

O acordo em causa, anunciado em junho de 2025, tem a duração de três épocas e um valor estimado em 4,8 milhões de euros. A parceria materializa-se principalmente através da inscrição «R.D. Congo - Coração de África» numa das mangas da camisola dos jogadores do clube monegasco. O governo congolês anunciou acordos semelhantes, por valores consideravelmente mais elevados, com o Barcelona e o Milan.

A queixa foi apresentada por dois cidadãos congoleses anónimos, residentes em França, junto do Procuradoria Nacional Financeira (PNF) francês, por suspeitas de branqueamento de capitais, desvio de fundos públicos e corrupção. O PNF, após analisar a queixa, remeteu uma denúncia oficial para a procuradoria-geral do Mónaco, que deu início a uma investigação para apurar a origem dos fundos.

O advogado dos queixosos, Hervé Diakese, explicou à AFP que, embora os seus clientes admirem o clube onde jogaram talentos congoleses como Shabani Nonda e Cédric Mongongu, acreditam que o acordo foi usado para fins ilícitos. «Os meus clientes adoram o clube do Mónaco, onde evoluíram talentos congoleses dos quais nos orgulhamos muito», afirmou, acrescentando: «Certos indivíduos serviram-se do prestígio do Mónaco para espoliar o povo congolês».

A queixa visa principalmente o ministro congolês dos Desportos, Didier Budimbu, e alega que as normas relativas a contratos públicos não foram cumpridas, apontando a ausência de uma linha orçamental específica e de concurso público. «Entramos numa lógica de práticas ilícitas com troca de favores e subornos, há matéria para investigar», insistiu o advogado.

Oficialmente, o governo congolês justifica a parceria como uma forma de promover o país para atrair turistas e investimentos, além de aproveitar a experiência do Mónaco para desenvolver o futebol local. No entanto, opositores ao regime argumentam que a verba seria mais útil em infraestruturas locais, especialmente num país devastado por décadas de conflitos e para o qual a maioria dos países europeus desaconselha viagens turísticas.