Odisseia grega do Benfica foi do tiro com arco ao barco à (tri)vela (crónica)

Só dois momentos de génio, de Prestianni e Schjelderup, impediram o Estrela da Amadora de roubar pontos à águia

Minuto 90+4': o Benfica apertava, no desespero, à procura da vitória. Segundos antes, Lukebakio obrigara Leo Linck a grande defesa para canto, parecia o canto do cisne. O canto, na verdade, não deu em nada. Mas a bola veio para trás, chegou a Schjelderup, na meia esquerda, e o norueguês, de trivela, encontrou o caminho para Pavlidis, que de primeira, à entrada na pequena área, atirou a contar.

Há jogos em que tem de se começar pelo final. O grego foi o herói improvável de uma odisseia não tão longa, como a de Homero, mas cheia de peripécias — herói mais que improvável, porque Pavlidis esteve quase ausente do jogo: fez dois remates em toda a partida, e no primeiro, só aos 82 minutos, mais valia não ter rematado, porque tentou a sorte de fora da área num lance de ataque de quatro contra quatro. No momento certo, porém, apareceu, a escrever o epílogo de uma história cheia de anti-heróis, tantos os erros que a águia foi cometendo durante a partida.

Galeria de imagens 41 Fotos

E no entanto... Quando aos 26 minutos Prestianni rubricou mais um momento de génio, a vir da esquerda para o meio para rematar ao poste mais distante, num início em tiro ao arco para a odisseia encarnada, quase ninguém adivinharia a difícil caminhada que ainda esperava o Benfica na noite no José Gomes.

Sim, os mais atentos terão reparado que o primeiro grande sinal de perigo veio do Estrela, com Stoica a avançar à vontade, pela esquerda, aos 9', a bola a chegar a Scholze, na direita, e Antonetti a ganhar a Tomás Araújo para cabecear o centro do lateral a rasar o poste.

Mas foi uma vez sem exemplo na primeira parte. A equipa de Pepa não voltou a criar perigo nos primeiros 45 minutos e o Benfica, mesmo com o corpo estranho que foi Echeverri no meio-campo, mesmo com a bola a não chegar a Pavlidis na área, parecia controlar o jogo, parecia confortável em posse, a circular. E antes e depois da obra de arte de Prestianni ameaçou a baliza de Leo Linck, com Rafa muito perto de marcar, aos 17' e aos 29'.

Foi por isso com surpresa que na segunda parte o Benfica colapsou. O facto de o Estrela ter empatado logo aos 48' — outra vez Stoica a fugir pela esquerda, Lenglet ainda evita o golo com corte precioso, mas Rafa Soares acompanhou bem e serviu Zvonarek para finalização fácil — pode ter intranquilizado a equipa, embora não houvesse grande razão para isso. Mesmo assim, nada justifica a sucessão de ocasiões para marcar da equipa da casa — Antonetti aos 54', Serra aos 59', Stoica aos 61', Marcus aos 64'...

Até que caiu do céu o segundo golo do Benfica, um autogolo de Schappo quando Rafa tentou cruzar para Lukebakio — a entrada do belga passou o português para o meio e o efeito foi imediato.

Parecia feito o mais difícil... mas oito minutos depois Samuel Soares retribuiu a oferta e permitiu que Antonetti cabeceasse na pequena área, chegando tarde a livre da esquerda de Jordán.

Lá teve o Benfica de vir de novo à procura do triunfo. Desta vez, e ao contrário do que acontecera depois do 1-1, foi melhor. Foi incisivo, insistente, mesmo que pouco inspirado. Prestianni e Palhinha ainda acertaram nos postes (no caso do argentino, foi Leo Linck que defendeu para o ferro) antes do momento de génio de Schjelderup, que no desespero acabou a lateral-esquerdo.

Desta vez chegou. Mas entre as facilidades de Stoica entrar pela esquerda, os problemas de Tomás Araújo com Antonetti, a falta de intensidade de Sudakov a oito, a inadaptação de Echeverri, a dez, ao futebol encarnado, e a incapacidade (até aos 90+4') de servir Pavlidis na área, ficam sinais suficientes para Marco Silva passar a pausa para seleções preocupado.

A iniciar sessão com Google...