Crise do Boavista: Administradora de Insolvência afasta Direção e Gérard López evita fecho de portas
Num requerimento submetido ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia no passado dia 24 de fevereiro de 2026, a que tivemos acesso, a Administradora de Insolvência (AI), Maria Clarisse Barros, expôs a situação limite a que o Boavista chegou, culminando numa intervenção drástica na sua liderança.
De acordo com o documento, a Direção do clube falhou sucessivamente os prazos acordados na Assembleia de Credores para garantir o funcionamento da instituição. Em causa estavam depósitos na ordem dos 53.680 euros mensais para pagar despesas correntes (referentes a janeiro e fevereiro de 2026), e ainda uma prestação de 96 mil euros destinada a regularizar dívidas vencidas da massa insolvente.
Perante a incapacidade da Direção em assegurar os montantes até ao prazo limite de 10 de fevereiro, a Administradora de Insolvência preparava-se para avançar com as diligências de «encerramento do estabelecimento definitivo e atividade da Insolvente», o que ditaria o fim das modalidades amadoras e o fecho das instalações.
Gérard López segura as despesas do clube
O cenário de encerramento só foi evitado devido à intervenção de Gérard López, acionista maioritário da SAD. Segundo a AI, a advogada do empresário e investidor contactou-a informando que López estava «interessado em assegurar o depósito na conta da massa insolvente, através de donativos (com caráter liberatório).»
Estes donativos, estimados entre os 50 mil e os 55 mil euros mensais, visam assegurar as despesas correntes para que a manutenção do complexo seja garantida e as modalidades amadoras do clube possam prosseguir. O documento confirma que o valor necessário para fevereiro (54.180 euros) já deu efetivamente entrada na conta da massa insolvente, travando a agonia imediata do clube.
Com o financiamento de sobrevivência garantido sem que a massa insolvente acumule novos prejuízos, a Administradora decidiu suspender temporariamente o fecho de portas, sublinhando que manter o clube em funcionamento confere «maior visibilidade e segurança» ao complexo desportivo. Esta decisão surge numa altura crítica, uma vez que, segundo o requerimento, «estão em vias de ser iniciadas as diligências de venda dos imóveis apreendidos.»
Direção perde poderes de gestão
A consequência mais dura deste processo recaiu sobre a Direção do Boavista. Devido às reiteradas falhas, a Administradora de Insolvência comunicou oficialmente à estrutura diretiva no dia 18 de fevereiro que prescindia da sua coadjuvação na gestão do clube.
Na prática, a Direção foi destituída das suas funções de gestão corrente. A partir de agora, os destinos do Boavista passam a ser geridos de forma exclusiva pela Administradora de Insolvência, que irá indicar uma nova pessoa para a gestão operacional do estabelecimento, mediante aprovação da Comissão de Credores.