Adeptos do Boavista no Bessa
Adeptos do Boavista no Bessa

Boavista paga mais 53 mil euros aos credores para evitar fecho de portas

Pantera já liquidou as despesas correntes deste mês, faltando cumprir uma tranche de 96.000 euros que diz respeito à primeira de três prestações destinadas a pagar dívidas vencidas e não regularizadas

O Boavista efetuou um depósito de 53.371,64 euros na conta da massa insolvente dos credores do clube, após falhar o prazo original de pagamento em 13 de janeiro, anunciou a administradora de insolvência dos axadrezados. Segundo um requerimento enviado por Maria Clarisse Barros ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, divulgado pela Lusa, o clube portuense já liquidou as despesas correntes deste mês, faltando cumprir uma tranche de 96.000 euros que diz respeito à primeira de três prestações destinadas a pagar dívidas vencidas e não regularizadas.

Depois de ter depositado 55.000 euros em dezembro de 2025, face às suas despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96.000 euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês. Dado que as panteras entraram em incumprimento este mês, Maria Clarisse Barros iniciou de imediato as diligências para encerrar a atividade do clube, uma vez que não necessitava de nova convocação da assembleia de credores.

No decurso das diligências, a direção do Boavista informou que o depósito de 53.680 euros estava em vias de ser assegurado, pretensão confirmada esta sexta-feira, enquanto os 96.000 euros remanescentes vão ser liquidados até 6 de fevereiro, com ajuda de «um alegado investidor, que terá demonstrado interesse em viabilizar a atividade do clube e que estará em contactos e negociações com credores».

«Assegurado o depósito do valor necessário para a regularização das despesas correntes em janeiro, a administradora de insolvência considera que aguardar as diligências de encerramento do estabelecimento do clube até 6 de fevereiro não acarreta qualquer prejuízo para a massa insolvente, uma vez que, com o depósito em causa, será possível atenuar as dúvidas derivadas da manutenção em causa», pode ler-se no requerimento.

Na segunda-feira, através de outro requerimento, um dos credores do Boavista pediu o afastamento da direção presidida por Rui Garrido Pereira e que a administradora de insolvência ficasse com a gestão das panteras.

A 16 de dezembro, o Boavista tinha chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, com a direção presidida por Rui Garrido Pereira a afirmar estar em negociações com entidades públicas e investidores privados, na tentativa de efetivar um plano de recuperação financeira que assegurasse o futuro do clube. 

Boavista tinha lançado no verão uma equipa sénior independente da SAD. O clube inscreveu-se na última divisão distrital, mas, uma vez solidário com as dívidas da SAD, que contabiliza sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, abdicou de competir em outubro, sem ter disputado qualquer encontro esta época. 

Despromovido à Liga 2 em maio, depois de ter terminado o campeonato em último, o Boavista concluiu um trajeto de 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, face ao título conquistado em 2000/2001.