Credores do Boavista requerem afastamento da Direção e encerramento de atividade
Seguiu para o Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia requerimento da assembleia de credores, coadjuvado pelo requerimento também enviado pela administradora de insolvência (AI), para retirada de total poderes de gestão e Administração do atual presidente do Boavista, Garrido Pereira, e respetiva Direção, depois de detetados graves problemas de gestão.
Em causa para a retirada de poder estão custos elevados com salários e pessoal (185 mil euros), contrastando com os pagamentos feitos pela administradora de insolvência (AI) aos trabalhadores, que em dezembro rondavam 50 mil.
No documento a que ABOLA teve acesso os credores questionam os quase 75 mil euros em fornecimento de água, quando a AI pagou apenas 1.500; custos com serviços não identificados (28 mil euros) e honorários não identificados (54 mil euros), além de transportes e refeições sem explicação de beneficiários. Não há comprovativos dos valores apresentados, que divergem dos anteriores, nem prova de autorização pela AI, podendo sugerir favorecimento de credores.
Recorde-se que a 16 de dezembro, o Boavista havia chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, com a Direção presidida por Rui Garrido Pereira a afirmar estar em negociações com entidades públicas e investidores privados, na tentativa de efetivar um plano de recuperação financeira que assegurasse o futuro do clube.
Depois de ter depositado 55 mil euros a 22 de dezembro de 2025, correspondentes às despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96 mil euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês.
Em caso de incumprimento, Maria Clarisse Barros, administradora de insolvência do clube, pode ordenar o encerramento imediato da atividade do Boavista, com efeitos 15 dias depois da decisão, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores, o que foi agora requerido pela assembleia.
Discrepâncias graves
O documento revela dados preocupantes. Os credores apontam também a excessiva agregação de rubricas e a existência de montantes relevantes de proveitos e custos não integrados (47 mil e 76.060) sem identificação da origem, bem como valores elevados em salários e pessoal (cerca de 185 mil euros) quando alegadamente os pagamentos a trabalhadores são feitos pela administradora e rondavam 50 mil em dezembro.
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