Por um futuro mais verde: ex-Arsenal faz fortuna com negócio fora dos relvados
Mathieu Flamini, antigo jogador do Arsenal, alcançou um sucesso extraordinário fora dos relvados, tornando-se bilionário através da sua empresa de bioquímica, a GF Biochemicals. O francês, que pendurou as chuteiras em 2019, tem agora uma fortuna estimada pela Forbes em mais de 11 mil milhões de euros.
O antigo médio, de 42 anos, que representou os gunners em 246 jogos, fundou a empresa com Pasquale Granata pouco depois de se transferir para o Milan. O objetivo era combater a poluição química, produzindo uma molécula identificada como uma das 12 que poderiam garantir um futuro mais verde para o planeta.
A empresa de Flamini foca-se na produção de ácido levulínico, uma molécula derivada de biomassa, como resíduos agrícolas. Este composto pode substituir derivados de petróleo em produtos do dia a dia, como cosméticos, produtos de limpeza, tintas e vernizes, reduzindo o impacto negativo no ambiente e na saúde.
Numa entrevista à Harvard Business Review, Flamini explicou a transição de uma carreira de 16 anos no futebol para o mundo da química: «O futebol era um sonho de criança, mas o ambiente sempre desempenhou um papel importante na minha vida. Tendo crescido no sul de França, sempre me senti próximo da natureza e do mar.»
O antigo jogador revelou que a sua consciência ambiental surgiu cedo: «Quando era criança, lembro-me de ver documentários com a minha família e de apanhar resíduos de plástico nas praias… Desenvolvi uma consciência ambiental desde muito cedo.»
A inspiração para o empreendedorismo surgiu durante a sua passagem pelo Milan.
«Quando cheguei ao Milan, aos 24 anos, era um dos jogadores mais novos do plantel. Muitos dos meus colegas de equipa já estavam envolvidos noutros empreendimentos, o que me levou a começar a pensar no empreendedorismo numa fase muito precoce», explicou Flamini, que acrescentou que a decisão de focar-se no ácido levulínico foi estratégica.
«A certa altura, decidimos focar-nos numa molécula identificada pelo Departamento de Energia dos EUA como uma das 12 moléculas do futuro. Mostrava um grande potencial para substituir muitas moléculas derivadas do petróleo», disse, notando que, na altura, a molécula ainda não era produzida em escala industrial, o que representava uma «verdadeira oportunidade».
Flamini, que também passou pelo Crystal Palace e Getafe, reconheceu as dificuldades iniciais.
«Como não vinha da indústria química, faltava-me a formação para avaliar os aspetos técnicos. Foi, portanto, essencial rodear-me de especialistas em quem confiava», admitiu. Para colmatar essa lacuna, frequentou recentemente um programa de liderança na Harvard Business School.
O antigo médio, vencedor de três Taças de Inglaterra e de uma Serie A, estabeleceu um paralelo entre o desporto e os negócios. «O que distingue os atletas de topo é que eles adoram um desafio, ultrapassar limites e sabem manter a calma. Isto serviu-me bem como empresário», refletiu, sublinhando a necessidade de resiliência e paciência, já que o primeiro produto da sua empresa só chegou ao mercado mais de 10 anos após a sua fundação.