Vinícius festeja vitória sobre o Manchester City, em Manchester, e apura-se para os quartos de final da Liga dos Campeões
Vinícius festeja vitória sobre o Manchester City, em Manchester, e apura-se para os quartos de final da Liga dos Campeões

Courtois e Vinícius não alinham em epopeias que sejam do contra (crónica)

Manchester City ainda acreditava ser possível virar os 3-0 do Bernabéu, mas a expulsão precoce de Bernardo Silva, com penálti associado, convertido por Vinícius Júnior, destruiu toda a alma com que os 'citizens' queriam encher um Etihad em erupção

Aos 20 minutos, da montanha que se colocara à frente dos jogadores do Manchester City já não se via o cume. Bernardo Silva, em cima da linha de golo, ainda teve discernimento para colocar os braços atrás das costas, mas já não para dar um rápido passo lateral em vez de esticar o cotovelo, a mais um remate de Vinícius Júnior, este em cheio no poste.

O árbitro francês Clement Turbin, chamado pelo VAR, concluiu rápido a análise, apontou para a marca dos 11 metros e mostrou o vermelho ao médio português. A diferença na eliminatória ia passar a ser de quatro golos e ainda havia menos um elo — um bastante importante —para atacar a missão impossível. Fácil nunca seria, porém com menos um, diante de um adversário que mata na saída para o ataque, o risco aumentava exponencialmente.

Já antes do 1-0, nesse penálti convertido por Vinícius, o caos instalara-se. O ritmo era tremendo desde o apito. Thibaut Courtois, aos quatro minutos, já tinha feito duas grandes intervenções, e mais umas quantas somou antes deixar o relvando, ao intervalo, com queixas físicas. Talvez o rumo dos acontecimentos fosse diferente sem o belga de início na baliza, mas a verdade é que Lunin também se mostrou muito seguro.

O encontro estava partido desde muito cedo, e, do outro lado, Donnarumma também ia mostrando todas as suas qualidades. Vinícius Júnior, que acabaria por bisar na última jogada do desafio, falhou tudo o havia para falhar na conclusão das jogadas. Os merengues estavam na sua quinta: a transição ofensiva.

COURTOIS TRAVAVA QUASE TUDO

Erling Haaland, também ele a desperdiçar mais do que a equipa se podia permitir, ainda fez o golo que deixou o Ethiad a olhar para uma ténue luz de esperança.

Tudo, aos 42 minutos, começou num canto estudado, com participação de Reijnders. O neerlandês serviu Doku, que bateu o jovem Pitarch, e cruzou para Haaland. Pelo meio, há ainda um desvio, mas nada que perturbasse o norueguês no momento de fazer o seu trabalho.

Ao intervalo, Guardiola tantou empurrar a equipa mais para a frente, fazendo subir Rodri. Para que isso fosse possível tirou Rúben Dias e Reijnders para colocar Aké e Guéhi: três centrais em campo, Rodri na ligação a meio-campo, Matheus Nunes e Ait-Nouri nas alas. Cherki, Doku e Haaland no ataque. Pouco mudou. Mesmo que fosse Lunin agora a estar no caminhos dos avançados ingleses.

Sucediam-se os ataques e também os golos anulados: um a Doku, outra a Vinícius, até que o brasileiro, já nos tempo de compensação, fechou mesmo o resultado com mais um triunfo para os espanhóis, a passe de Tchouaméni.

A eliminatória já estava decidida desde a primeira mão. Em Manchester, ninguém conseguiu criar aos jogadores espanhóis mais uma pequena sombra de dúvida.