Como é que João Almeida ainda pode vencer a Volta ao Algarve?
Como é que João Almeida ainda poderá vencer a Volta ao Algarve? A tarefa é complicada, até para o português, que terá de recuperar 44 segundos a Juan Ayuso, camisola amarela, e 37 a Paul Seixas, segundo classificado, que o bateram nas duas etapas seletivas já disputadas, a que terminou na Fóia e o contrarrelógio.
Como Almeida reconheceu ontem, as «odds não são favoráveis», mas o corredor de A dos Francos garante que não desistirá sem luta e que dará o «máximo» para vencer a Algarvia e já habituou a volte-faces improváveis para conquistar grandes vitórias. No entanto, algo é quase certo: nem a melhor versão de João Almeida poderá ganhar aquele tempo ao espanhol e ao francês na subida final, o Alto do Malhão. Apesar da íngreme inclinação (média de 9%), é demasiado curta (2,6 km), tornando-se explosiva, o que não se adequa ao português.
Por isso, eventual estratégia da UAE Emirates de endurecer a corrida de longe – a partir da primeira passagem pelo Malhão, a cerca de 50 quilómetros da meta, não será suficiente para causar desgaste aos rivais que os descompense quando Almeida atacar na segunda e derradeira ascensão. Teriam ambos de estar a passar um dia mau, o que seria coincidência improvável.
À partida com mais probabilidades de ser eficaz será a estratégia de a Emirates tentar lançar na fuga um corredor que possa resistir na frente, perante o pelotão em que o ritmo será imprimido pela Lidl-Trek ou a Decathlon, que quererão levar a corrida para um mano-a-mano entre Ayuso e Seixas no final, ou ainda a Ineos de Vauquelin e Onley – na primeira passagem no Malhão, onde Almeida disferiria o ataque para se juntar ao companheiro de equipa, que o rebocasse na ligação, em terreno acidentado, até à subida final em vantagem sobre os rivais.
Tática ao estilo da Visma no Giro 2025 no Col de Finestre, quando Simon Yates se juntou à locomotiva Wout van Aert depois de escapar a Isaac del Toro e Richard Carapaz. E os melhores elementos para essa função serão António Morgado e Brandon McNulty (este último perdeu mais de 1 minuto ontem), ambos já com atraso suficiente na geral e beneficiarem de liberdade concedida pelas equipas dos líderes com ambições à amarela. A que terá de se juntar ainda a Ineos – que até poderá ter também a mesma intenção da UAE.
Enfim, vida difícil para o Bota Lume.