Com prejuízo pelo sétimo ano seguido, Manchester United vende pedaços do relvado
O Manchester United registou um prejuízo anual pelo sétimo ano consecutivo, com as perdas acumuladas a atingirem os 516 milhões de euros desde 2019. No exercício fiscal de 2025/26, que terminou a 30 de junho, o clube apresentou um prejuízo antes de impostos de 50 milhões de euros, um aumento significativo face aos 39 milhões do ano anterior.
A divulgação dos resultados financeiros coincidiu com a notícia de que o clube está a vender pedaços do relvado de Old Trafford aos adeptos por 145 euros. Após a substituição do relvado pela primeira vez em 14 anos, os adeptos receberam um e-mail com a oferta de compra de pedaços de relva de 7cm x 7cm.
Apesar dos prejuízos contínuos, o Manchester United alcançou uma receita recorde de 787 milhões de euros, um crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior. Este valor foi alcançado mesmo com a implementação de um rigoroso plano de redução de custos por parte de Sir Jim Ratcliffe, que resultou na dispensa de centenas de funcionários.
Entre os fatores que contribuíram para o aumento do prejuízo estão a indemnização paga a Ruben Amorim e a decisão de aumentar a linha de crédito em 108 milhões de euros para financiar a remodelação de Old Trafford.
A massa salarial do clube diminuiu 3,6%, fixando-se nos 350 milhões de euros, um valor mais de 116 milhões inferior ao do Manchester City. Numa chamada com investidores, o CEO, Omar Berrada, afirmou que o mercado de transferências de verão, no qual o clube gastou 180 milhões de euros em três jogadores, foi planeado com a «sustentabilidade financeira em mente», sugerindo que o orçamento para o treinador, Michael Carrick, continuará a ser limitado.
Embora o clube tenha registado lucros operacionais de 26 milhões de euros, o aumento das receitas foi anulado pelos custos de financiamento, que mais do que triplicaram para 80 milhões de euros. A dívida líquida do clube também aumentou, passando de 547 milhões para 671 milhões de euros.
Fontes do clube, citadas pelo The Guardian, indicam que o refinanciamento permitiu a compra de um terreno adjacente a Old Trafford por 73,9 milhões de euros, um passo essencial para a construção do novo estádio com capacidade para 100.000 espectadores, um projeto que poderá custar mais de 2,33 mil milhões de euros.
Apesar do cenário, Berrada mostrou-se otimista, afirmando que os resultados demonstram «a força subjacente» do clube, especialmente «numa época sem futebol europeu».
«Isto mostra o impacto direto do trabalho que temos vindo a fazer nos últimos dois anos. Prova também a popularidade duradoura e a força comercial do Manchester United. Embora estes resultados confirmem que estamos na trajetória certa, continuaremos a adotar uma abordagem disciplinada para garantir que as nossas finanças permaneçam sustentáveis», explicou.
O clube prevê uma melhoria da situação financeira no próximo ano, impulsionada pelo regresso à Liga dos Campeões e por novos acordos de patrocínio com a Betway e a SumUp, que renderão 23 e 26 milhões de euros anuais, respetivamente. A previsão de receitas para 2026/27 situa-se entre os 860 e os 884 milhões de euros.
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