Treinador português teve uma conversa pouco habitual em conferência de imprensa com um repórter italiano
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Italianos apontam mudanças e destacam 'novo' Ruben Amorim

Treinador português levou a cabo alterações táticas na vitória do Milan sobre o Lecce e assumiu que não quer repetir erros cometidos no Manchester United

A experiência no Manchester United serviu para Ruben Amorim modificar, em parte, uma abordagem tática demasiado rígida. Após a vitória do Milan sobre o Lecce, o técnico português admitiu a necessidade de se adaptar, uma mudança significativa para um treinador conhecido pelos seus dogmas.

A passagem por Manchester parece ser um fator recorrente na carreira de Ruben Amorim. Embora a sua saída do Manchester United tenha sido conturbada, a má fase do clube inglês já leva alguns adeptos a sentir a sua falta. A nostalgia intensificou-se após a vitória do Milan por 3-0 sobre o Lecce, mas já se fazia sentir desde o triunfo por 4-2 num particular contra a equipa de Carrick.

A experiência em Inglaterra, apesar de ter terminado mal, deixou lições valiosas. O próprio Amorim reconheceu isso após o jogo com o Lecce, explicando a mudança de abordagem tática que levou à melhoria da equipa.

«Nos últimos jogos tivemos algumas dificuldades porque tínhamos uma estrutura demasiado rígida nas posições, enquanto hoje os jogadores tiveram um pouco mais de liberdade e, com um pouco mais de liberdade, jogam melhor», afirmou o técnico.

Amorim confessou ter aprendido com os erros do passado, nomeadamente no Manchester United. «O que percebi nos últimos jogos, e que já tinha sentido da mesma forma no Manchester United, motivo pelo qual não posso cometer o mesmo erro, é que por vezes não temos as características ideais para jogar de uma certa maneira. Se não as temos, temos de nos adaptar um mínimo», acrescentou.

Esta declaração representa uma viragem notável para um treinador que chegou a Milanello com a fama de «fundamentalista», ou seja, de adaptar os jogadores ao seu sistema e não o contrário. A imprensa italiana destaca mesmo um novo Ruben Amorim, mais flexível nas suas ideias de jogo. Recorde-se que, há um ano, ainda nos red devils, Amorim tinha sido taxativo sobre a sua filosofia: «Ninguém me fará mudar de ideias. Nem mesmo o Papa. Esta é a minha responsabilidade, portanto não mudarei nada taticamente.»

A nova flexibilidade foi visível contra o Lecce, onde o Milan apresentou um sistema mais elástico, com traços de uma defesa a quatro. «Começámos com quatro [defesas] para tornar Chukwueze um pouco mais ofensivo», confirmou o treinador. Esta «liberdade extra» transformou a equipa, tornando-a mais perigosa e imprevisível.

As suas reflexões recentes já apontavam para esta mudança, quando admitiu que o plantel não era totalmente adequado ao seu estilo de jogo, embora tenha ressalvado que «quando se chega a um novo clube é impossível ter todas as características certas em todos os aspetos». A lição parece ter sido aprendida: é possível manter-se fiel às suas convicções, permitindo-se, ainda assim, algumas exceções.

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