Chefe do MI5 avisa para perigo de ataque similar ao 11 de Setembro
O diretor-geral do MI5, Ken McCallum, alertou que os serviços de informações não se devem focar excessivamente em ameaças passadas, devendo antes aceitar que um novo choque estratégico, semelhante aos ataques de 11 de Setembro de 2001, pode já estar a ser preparado onde não estão a olhar.
Num artigo de opinião publicado no jornal Independent, por ocasião dos 25 anos desde que militantes da Al-Qaeda despenharam aviões de passageiros contra o World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono, McCallum sublinhou a necessidade de as agências de segurança se adaptarem aos desafios atuais e futuros.
«Sabemos que o próximo choque estratégico, por definição, não se assemelhará ao último. Essa é talvez a lição mais importante de todas», escreveu o chefe da agência de espionagem britânica.
McCallum acrescentou que, embora seja crucial aprender com os ataques anteriores, é preciso ter cuidado para não se preparar «brilhantemente para combater o inimigo de ontem, usando os métodos de ontem, contra o alvo de ontem». E alertou: «A verdade desconfortável é que o próximo choque estratégico pode já estar a tomar forma algures onde ainda não estamos a olhar».
O diretor-geral do MI5 referiu que, apesar de enfraquecida, a Al-Qaeda continua a ser uma ameaça, assim como a aspiração deste e de outros grupos militantes em realizar ataques com um elevado número de vítimas. Como exemplo recente, mencionou um plano islamita frustrado que visava matar centenas de pessoas em ataques armados contra a comunidade judaica na cidade de Manchester.
Além do terrorismo, McCallum destacou que o MI5 enfrenta uma crescente agressão apoiada por Estados, que vai desde sabotagens realizadas por intermediários criminosos a ciberataques a centrais elétricas.
O responsável salientou ainda que, ao contrário de 2001, muitos sistemas e serviços estão agora nas mãos do setor privado. Por isso, será necessária uma colaboração estreita entre governos, empresas e o meio académico para eliminar vulnerabilidades e garantir uma resposta rápida em caso de crise.
«Não podemos esperar pelo próximo choque para descobrir quem é o dono da vulnerabilidade, quem tem autoridade para agir ou quem deveria ter atendido o telefone», afirmou.
Para concluir, McCallum deixou uma mensagem de responsabilidade: «Devemos às vítimas do 11 de Setembro – e àqueles que, de outra forma, se tornarão as vítimas do ataque de amanhã – algo mais do que a recordação. Devemos-lhes preparação, resiliência e a coragem de nos adaptarmos antes que o próximo choque chegue».