Caitlin Clark trouxe milhões de fãs e dólares para a WNBA. IMAGO
Caitlin Clark trouxe milhões de fãs e dólares para a WNBA. IMAGO

Charles Barkley avisa jogadoras da WNBA: «É melhor terem cuidado»

Ex-estrela da NBA recorda que 'lockout' não beneficia os atletas e em contagem decrescente para o arranque de nova ronda de negociações entre Liga e sindicato das jogadoras o impasse permanece com atletas a quererem 26% das receitas brutas

A lenda da NBA, Charles Barkley, conhecido pela sua frontalidade, deixou um aviso sério às jogadoras da WNBA em vésperas das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (CBA), agendadas para 10 de março. Barkley alertou para a realidade do poder no desporto profissional, sublinhando que o dinheiro é o fator decisivo.

«É melhor terem cuidado, porque sabem quem tem poder? As pessoas que têm a 'porra' do dinheiro», avisou Barkley durante uma intervenção no programa The Steam Room. Apesar de expressar o seu apreço pela WNBA e desejar sucesso às atletas, o antigo jogador insistiu que estas devem ser realistas sobre a dinâmica de poder nas negociações.

Barkley salientou que, ao contrário do que alguns comentadores televisivos têm sugerido, o apoio de figuras influentes, da comissária da liga ou dos proprietários das equipas não garante uma posição de força para as jogadoras. «A comissária trabalha para os proprietários. A comissária não está a tentar ser como ela [a jogadora]. Gosto da Cathy, mas ela fala pelos proprietários», explicou, referindo-se à comissária da WNBA.

Para reforçar o seu ponto de vista, o membro do Hall of Fame recordou os conflitos laborais na história da NBA. Mencionou que até ícones como Magic Johnson, Larry Bird e Michael Jordan foram mandados para casa pelos proprietários durante os lockouts de 1995 e 1998-99. O primeiro durou de 1 de julho a 12 de setembro de 1995, afetando a pré-época, enquanto o segundo se estendeu por 204 dias, resultando no cancelamento de 464 jogos. Barkley argumenta que, em qualquer setor, os trabalhadores raramente conseguem impor-se a bilionários ou multimilionários.

A WNBA, por sua vez, já respondeu à proposta do sindicato das jogadoras. Segundo a ESPN, a liga apresentou uma contraproposta no dia seguinte, estabelecendo um prazo até terça-feira para alcançar, pelo menos, um acordo de princípio que permita o arranque da temporada sem atrasos.

O ponto central do impasse é a partilha de receitas. O sindicato exigiu uma média de 26% das receitas brutas, mas a liderança da liga considerou o pedido irrealista, oferecendo, em vez disso, mais de 70% das receitas líquidas à medida que a liga continua a crescer. Os detalhes exatos das novas propostas, contudo, não foram divulgados.

Entretanto, a superestrela da WNBA, Caitlin Clark, apelou a que ambas as partes se sentem à mesa para negociar diretamente. «Não percebo porque não nos fechamos numa sala, resolvemos isto e apertamos as mãos», afirmou. «É assim que os negócios funcionam. Olhamo-nos nos olhos, apertamos as mãos, respeitamos ambos os lados. Para mim, era isso que gostaria de ver.»

O aviso de Barkley serve assim como um lembrete da dura realidade que as jogadoras enfrentam, onde o compromisso e a negociação sob pressão parecem ser o único caminho para um acordo.