Roni festeja com Pedro Lima e Mateus Pivô o golo marcado ao FC Porto - Foto: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA
Roni festeja com Pedro Lima e Mateus Pivô o golo marcado ao FC Porto - Foto: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

Bisou frente ao FC Porto e admite: «Demorou dois dias para cair a ficha...»

Roni deixou o Brasil para rumar a Portugal em janeiro e jogar pelo Aves SAD, não se arrepende, mas reconhece que não sabe o que o futuro o aguarda

Num dos últimos jogos da I Liga, já com o FC Porto campeão e com o Aves SAD despromovido, Roni brilhou com um bis na Vila das Aves aos dragões (um deles foi um golaço) e foi eleito o melhor em campo, um dos melhores momentos da carreira. Em entrevista ao Globo Esporte, o médio brasileiro admitiu que precisou de tempo para compreender o que tinha acontecido naquela partida, numa altura pessoal bastante especial.

«Eu não consigo nem te dizer o que aconteceu na verdade, demorou dois dias para a ficha cair. Primeiro pelo filho que vou ter, segundo pelos golos. Eu estava a tentar descobrir o sexo do meu filho e tive esse jogo, foi tudo muito próximo. Eu estava muito próximo de fazer o golo, mas não saía. Batia na trave, passava perto e não saía. E acabou a sair num jogo muito importante. Fiquei feliz demais. Demorou uns dois dias para cair a ficha dos golos. Eu acredito muito no trabalho. Uma das coisas que me colocou aqui foi o trabalho, a disciplina. Eu nunca fui o melhor jogador, desde pequeno na escolinha. Mas eu sempre fui o mais esforçado. Isso me gera confiança, quanto mais eu trabalho, acredito que as coisas vão acontecer. E aconteceu», disse.

Roni deixou o Brasil pela primeira vez em janeiro, mais concretamente o Mirassol, para rumar ao Aves SAD, uma decisão que não se arrepende, apesar de reconhecer que o clube tinha uma missão impossível. «Esses cinco meses em Portugal foram especiais para mim. Acho que foi a melhor experiência que eu tive na carreira. Quando eu cheguei lá, o clube tinha quatro pontos. Conquistaram só quatro pontos em 17 jornadas. Contrataram um guarda-redes, um lateral-direito, e a equipa foi melhorando com as contratações. Era quase impossível tirar a equipa daquela situação, mas para mim foi um bom semestre», explicou, elogiando o treinador e comparando o futebol português com o brasileiro.

«O mister João [Henriques] é sensacional. Eu encontrei um treinador que me ensinou muita coisa. O futebol lá é diferente. É dinâmico, rápido, acelerado. É sempre a jogar para a frente. Não tem muito passe para trás. Essa é uma grande diferença. Se não tiver bem fisicamente, não joga lá. É muito rápido. Como é dinâmico, é muito mais fácil de sair golo. Lá eu aprendi que é para roubar a bola e conduzir ou tocar para frente. Desenvolvi muito lá», garantiu, reconhecendo que não sabe o que o futuro o aguarda na Liga 2.

«Sinceramente? Eu não sei de nada ainda. Estou tranquilo, sei que a temporada foi muito boa. Arrisquei um pouco. Estava muito bem no Mirassol, mas eu tinha um desejo de jogar na Europa e jogar contra grandes jogadores. Não que o Brasil não tenha, aqui você encontra equipas que, em termos de qualidade, são animais. Todo jogador brasileiro tem o desejo de jogar lá. Aqui é muito pensado, é no detalhe. Lá é mais aberto. Não sei o meu futuro. Saiu muita coisa, eu nem sabia, eu só vi. Mandaram-me no Instagram de um possível interesse do Rayo Vallecano. Mas eu não sei para onde eu vou, mais para a frente fico a saber», afirmou, recordando a chegada a Portugal no inverno.

«Quando eu cheguei lá estava um frio que não entendi, eu não tinha roupa para esse frio. É um frio diferente. Tive um jogo em que foi preciso parar o jogo a meio, estava a chover granizo. Foi o jogo mais frio que eu joguei. Esse dia a minha unha, o dedão do pé congelou. A minha unha estourou. Se eu te mostrasse ela como está agora... Demorei duas semanas para melhorar, agora está ok. O frio que eu apanhei para jogar é surreal. As mãos e a boca congelavam. Eu não conseguia falar com os jogadores dentro de campo», recordou.

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