«Centralização de direitos televisivos? Nem Jesus Cristo agradou a toda a gente...»
15 pontos em 7 jogos e um quarto lugar, em igualdade pontual com o Sporting. É esse o balanço do Santa Clara neste início de temporada, o que agrada bastante a Bruno Vicintin, presidente da SAD dos açorianos, admitindo que não esperava ter começado assim, apesar de elogios à equipa e treinador.
«Era um ano de transição, vendemos jogadores que tiveram muito sucesso tanto na subida como no quinto [lugar, em 24/25]. Não esperávamos ir bem, o objetivo principal seria estar nos dez primeiros. Estamos muito felizes, sabíamos qual o desafio, respeitamos os três grandes, mais o SC Braga, acreditamos que estão noutro patamar, mas o máximo de tempo que consigamos estar colados... Estamos muito felizes», começou por dizer, à margem do Portugal Football Summit, falando de Petit, o treinador.
«O mister é a figura central, nunca consegui vencer em lugar nenhum sem um grande trabalho do mister. Está muito feliz nos Açores, estamos felizes com ele, encaixou perfeitamente no projeto e teve coragem contra o SC Braga», afirmou, apontando os objetivos a longo prazo e explicando que um apuramento para a Europa pode não ser bom.
«Nos próximos cinco anos fortalecer formação e estrutura. Permanência: para ser bem sincero, não sei se seria bom ir para a Europa. É muito importante manter as seis vagas e os clubes que representam o nosso país na Europa sofrem muito na Liga e o Santa Clara está numa fase de estabilização do projeto, mas caso consiga a vaga vamos representar Potugal da melhor forma. Já é impossível para equipas como Benfica, Sporting e FC Porto, imagine para o Santa Clara sem a venda de jogadores», justificou.
Sobre Gonçalo Paciência, terceiro melhor marcador do campeonato (cinco golos) e com a menção de Jesus como possibilidade para a Seleção Nacional, Bruno Vicintin deixou só elogios e revelou corte salarial. «Respeitamos muito o trabalho do mister Jesus. O que o Gonçalo tem feito de exemplo... o jogador no momento da carreira do Gonçalo já tende a pensar em voltar a Portugal para não ter grandes ambições, Mas o Gonçalo decidiu ir para os Açores, ter um corte salarial muito alto, acreditou no projeto e que conseguiria recuperar o futebol dele e já o levou para a seleção. Toda a gente diz 'acertaram em cheio', o que me chamou a atenção foi um jogador consagrado ter essa fome. Caso volte à Seleção pode ser um exemplo para outros jogadores, que podem voltar para Portugal e ambicionar grandes projetos», apontou.
Por fim, questionado sobre a centralização de direitos televisos, a resposta foi curiosa. «A centralização é o maior desafio do futebol português, entendo que é importante manter a competitividade das grandes equipas a nível europeu, porém não se pode discutir fairplay financeiro quando a divisão de direitos passa de 15/16x para a pior divisão de direitos no mundo. Não existe justiça nisso, é um desafio grande da Liga manter a competitividade dos grandes, mantendo a atratividade dos clubes menores. Confiamos no trabalho de Reinaldo [presidente da Liga] e na equipa dele. Nem Jesus Cristo agradou a toda a gente, não vai ser a divisão de direitos de televisão em Portugal que vai agradar. Acredito que da forma que está a ser conduzido, o futebol português vai continuar a evoluir», concluiu.