Aleksander Ceferin, presidente da UEFA
Aleksander Ceferin, presidente da UEFA - Foto: IMAGO

Ceferin apela ao afastamento de Infantino e fala de candidatura à FIFA: «A minha credebilidade...»

Presidente da UEFA considera que atual presidente está isolado

O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, apelou à demissão do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e alertou que, caso não renuncie, enfrentará um adversário nas eleições de março. No entanto, o líder do organismo que rege o futebol europeu descartou a sua própria candidatura ao cargo.

A pressão sobre Infantino intensificou-se devido a um plano controverso para permitir a entrada de capital privado na comercialização das competições internacionais, através de uma empresa denominada FIFA Forward Enterprise (FFE). Este projeto previa a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (3,64 mil milhões de euros) com a venda de uma quota minoritária a investidores, entre os quais se destacava o fundo Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner.

«Penso que este plano é pior até do que a Superliga. No primeiro caso, clubes extremamente importantes queriam lançar uma nova liga, o que é errado e destruiria o futebol. Mas aqui, o futebol seria literalmente vendido! O mais importante para mim é que travámos mais uma tentativa de vender o desporto. É-me difícil imaginar que tipo de pessoas venderiam um desporto que pertence a todos», disse Ceferin numa entrevista ao podcast britânico «The Rest is Politics: Leading».

Ceferin delineou dois cenários para o futuro de Infantino. «Uma opção é que ele perceba que não tem apoio, e isto não se refere apenas ao apoio político daqueles que votam, mas também ao apoio político da comunidade futebolística, ao apoio político dos adeptos, ao apoio político dos jogadores, ex-jogadores e treinadores», afirmou.

«E a segunda opção é que se candidate às eleições em março, mas, nesse caso, penso que terá um candidato contra ele. Ainda não sei quem», acrescentou o dirigente esloveno, cujas declarações foram divulgadas no domingo pela imprensa britânica.

Apesar de ser visto como um potencial rival, Ceferin, de 58 anos, garantiu que não tem interesse em concorrer à presidência da FIFA, cargo que Infantino ocupa desde 2016. «Não estou interessado por dois motivos. Um deles é que adoro a UEFA e adoro trabalhar aqui e acho que a certa altura estará na altura de também aproveitar um pouco a vida», explicou.

«E o segundo ponto é que a minha credibilidade é muito, muito maior se não estiver interessado no cargo», concluiu Ceferin, que revelou que não esteve em contacto com Infantino desde que eclodiu o grande escândalo em torno do controverso projeto FFE.

As confederações da Europa, Ásia e América do Norte, Central e Caraíbas já acusaram o presidente da FIFA de se colocar «acima do coletivo que lhe confiou autoridade».

A contestação a Infantino tem vindo a crescer. O País de Gales e a Escócia retiraram recentemente o seu apoio à reeleição do ítalo-suíço. Além disso, Noel Mooney, presidente executivo da Federação Galesa de Futebol, pediu publicamente a demissão do líder da FIFA.

Até ao momento, Gianni Infantino é o único candidato às eleições da FIFA, agendadas para março de 2027 em Marrocos. O prazo para a apresentação de candidaturas termina a 18 de novembro.

Entre os possíveis candidatos estão o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, e o chefe da Confederação Asiática de Futebol, Sheikh Salman bin Ibrahim al-Khalifa.

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