O futebol onde está o futuro
A reta final do Esports World Cup, que culminou com uma final incrível este fim de semana, em Paris, com recordes de assistências, audiências, competitividade, reforçou uma convicção: o desporto já não pode ser pensado apenas a partir dos seus territórios tradicionais.
Na primeira edição realizada fora de Riade, o evento reuniu mais de 2.000 jogadores, 200 clubes e representantes de mais de 100 países. Foram 25 torneios, distribuídos por 24 jogos, e um prémio global recorde de 75 milhões de dólares. Números que impressionam, mas que contam apenas uma parte da história.
A presença de figuras tão distintas como Emmanuel Macron e Cristiano Ronaldo confirma que os Esports conquistaram um espaço relevante na interseção entre desporto, entretenimento, tecnologia e cultura global. A sua força está na capacidade de agregar comunidades, atravessar fronteiras e falar diretamente com gerações que consomem conteúdos de forma distinta, em múltiplas plataformas e sem barreiras geográficas.
É também aqui que encontramos uma reflexão importante para o processo de centralização dos direitos audiovisuais do Futebol Profissional português.
Centralizar não significa apenas negociar conjuntamente um ativo existente. Significa criar escala, melhorar o produto, conhecer as audiências, desenvolver novas narrativas e distribuir conteúdos de acordo com os hábitos de cada público. Significa transformar jogos em experiências e audiências em comunidades. Só assim poderemos valorizar o coletivo, gerar novas receitas e reforçar a projeção internacional das Sociedades Desportivas.
O futebol já está presente nesta nova geografia do desporto. A eLiga, enquanto único campeonato nacional de futebol virtual, é um ativo importante, mas deve ser encarada como ponto de partida. A escolha da Liga Portugal para representar o País na Esports Nations Cup abre uma oportunidade concreta para agregar o ecossistema nacional, criar parcerias e posicionar as nossas competições junto de novos públicos.
O desafio é perceber que os direitos audiovisuais do futuro não se esgotam na transmissão dos 90 minutos. Incluem dados, conteúdos digitais, formatos curtos, experiências interativas, gaming e novas formas de relação entre adeptos, clubes e competições.
Paris mostrou-nos que quem souber organizar o talento, agregar marcas e construir uma narrativa global conquistará relevância. A centralização deve permitir ao Futebol Profissional português fazer precisamente isso: competir em conjunto, valorizar cada Sociedade Desportiva e levar as nossas competições até onde estão as novas gerações.