'Caso Suárez': entre a ambição e a falta de noção
Há ditos populares que, sendo absolutos clichés ou verdades lapalassianas, não deixam de demonstrar o seu acerto nas alturas corretas. Estou a pensar naquela máxima do «mais vale cair em graça do que ser engraçado». E sim, estou a pensar em Luis Suárez, futebolista de eleição que encheu os relvados portugueses na época de estreia, em 2025/2026, e passados poucos meses é assobiado pelos próprios adeptos quando entra para um jogo que a sua equipa vencia com relativa tranquilidade e acabou de aflitos.
O que mudou? Para o Sporting, clube que lhe paga um ordenado nada dispiciendo tendo em conta a média nacional e a vida dos portugueses que o idolatram, e para os adeptos, que querem mesmo é festejar golos, nada. Para Suárez, pelos vistos, quase tudo. Foi bandeira eleitoral de uma candidatura derrotada na Turquia, e logo isso lhe ficou mal. Pior ficou, claro, quando o candidato perdeu. Foi para o Campeonato do Mundo e saiu de lá com zero golos e uma campanha fraca.
Disso não tem culpa nem o Sporting, nem os seus adeptos, nem eventualmente Luis Suárez, claro.
O colombiano marcou muitos golos na época passada, assistiu q.b., foi boa parte da alma de um Sporting que não ganhou nada mas podia ter ganho qualquer coisa. Não foi propriamente — pois é, as comparações são inevitáveis — o melhor marcador de uma equipa campeã nacional como sucedeu com Gyokeres nos dois anos anteriores. O sueco saiu meio litigante com a SAD leonina, mas as coisas acabaram por compor-se de forma a ser aplaudido quando regressou a Alvalade com a camisola do seu novo clube, o Arsenal. Aliás, quis sair para um colosso e — suprise! — foi o melhor marcador do novo campeão nacional inglês.
Suárez ensaiou a possibilidade de sair para o Fenerbahçe e não se conhecem grandes interessados no seu concurso, apesar de uma tentativa algo arrojada, nos últimos dias, de meter o Barcelona ao barulho.
Ao contrário do aplaudido Gyokeres, Suárez foi assobiado, ainda que não por inteiro, antes de entrar frente ao Vitória de Guimarães, na última sexta-feira. Não parece um bom sinal.
Todos sabemos como é o futebol e como pode voltar a ser idolatrado: basta o mercado fechar, ele ficar, recolocar as ideias no sítio e voltar a marcar, ou pelo menos a jogar com alegria.
Não será, de certeza, idolatrado por entornar frases bíblicas e alegadamente enigmáticas nas redes sociais.