Benfica: Lenglet não é Otamendi
O Benfica viu sair o seu capitão e líder dos últimos anos e teve de ir ao mercado procurar um central que ocupasse a vaga deixada em aberto por Nicolas Otamendi.
O argentino chegou ao Benfica com currículo considerável - títulos no rival FC Porto, passagem por Valência e muitos outros troféus com o Manchester City - e saiu como campeão da América do Sul e como todo o planeta sabe, campeão do mundo também. O peso deste título não é de menos num plantel que precisava de referências e tinha no argentino uma das, se não a maior. Se a isto adicionarmos António Silva e Tomás Araújo, a experiência de Otamendi perante a juventude da dupla do Seixal era quase uma necessidade.
Numa 'missão secreta', os encarnados resgataram Clément Lenglet ao Atlético de Madrid. Um jogador com passado muito interesante, mas sem a longa lista de troféus do «antecessor».
Lenglet não é Otamendi no currículo, mas mais relevante é que se distancia do argentino em campo.
Bastava olhar para o relvado e perceber que o Benfica tinha uma dificuldade no início do ataque: Otamendi, quando se deslocava para a esquerda, dificilmente conseguia inserir um passe vertical com a canhota; mesmo com o pé direito o argentino não era propriamente o melhor passador e isso, numa equipa que por norma passa a maior parte da época ao ataque é uma fragilidade a explorar.
Com Lenglet, o Benfica transforma esse ponto débil, numa força: mais vezes a encontrar colegas entre linhas e a variar o corredor, deverá permitir maior rapidez na construção e pela qualidade técnica que tem, maior segurança na posse.
Há mais diferenças. Otamendi é um jogador forte nos duelos, muito bom no jogo aéreo e com uma liderança visível no terreno do jogo; Lenglet é mais discreto neste sentido. Mas o argentino foi demasiadas vezes emocional quando se pedia raciocínio - um exemplo recente, a expulsão em Famalicão -, foi demasiado agressivo nalgumas abordagens e isso custou ao Benfica alguns golos sofridos; Lenglet, como qualquer defesa, não está imune à falha individual, mas uma presença mais calma e tranquila pode vir a ser benéfica nalguns casos em que o controlo é essencial.
Nenhum deles é propriamente rápido, isso têm em comum, pois em quase tudo o resto são diferentes. Lenglet não é Otamendi, mas isso não é necessariamente mau e uma defesa não se faz de um homem só.