Carlos Carvalhal aponta a um bom jogo na receção ao Sporting - Foto: Famalicão
Carlos Carvalhal aponta a um bom jogo na receção ao Sporting - Foto: Famalicão

Carvalhal sobre receção ao Sporting: «Também tem vulnerabilidades...»

Momento delicado do Famalicão não retira ambição e o treinador deu o mote para defrontar os leões, amanhã, às 20h30

O momento é delicado e, por isso, talvez não o mais favorável para defrontar o Sporting, tendo em conta que o Famalicão ainda não venceu na presente época, mas o treinador Carlos Carvalhal, na conferência de imprensa de antevisão do jogo da 6.ª jornada da Liga, mostrou-se otimista.

«Há sempre coisas a melhorar e ainda estamos, obviamente, no início, no processo, com novos jogadores, novo treinador, uma equipa completamente diferente do ano passado, como já o disse várias vezes, e estamos num processo de evolução. Tivemos alguma infelicidade, coisas incríveis que aconteceram, que normalmente não acontecem, mas aconteceram-nos a nós, é uma realidade, mas estamos num processo de evolução. Claramente no jogo em casa com o Gil Vicente demos um passo muito importante em termos de atitude competitiva, de competitividade, de bloco, que era o grande propósito para esse jogo, obviamente, que ganhá-lo e, depois, no jogo com o Estrela da Amadora, acho que é unânime reconhecer que a nossa primeira parte foi muitíssimo boa em termos qualitativos. Aliámos aquilo que fizemos muito bem contra o Gil, em termos de bloco, em termos de fechar bem os espaços, porque o Estrela teve muitas dificuldades em chegar na nossa baliza, na primeira parte, e aliámos isso mesmo em termos de qualidade de jogo, uma melhoria significativa, muito grande, relativamente aos jogos passados», começou por dizer.

 «Aquilo que pensámos, independentemente do adversário, que, neste caso, é o Sporting, é que consigamos aliar a parte da competitividade versus agressividade, no num bom sentido, com o bloco. Fazer um link com aquela primeira parte, em termos qualitativos, de muito bom que fizemos naquele jogo, porque a equipa demonstrou que sabe jogar, que sabe criar oportunidades, sabe fazer golos e que estávamos à espera, obviamente, independentemente do adversário, de dar um passo em frente na nossa evolução. Pensar em nós, e pensar em nós é juntar este melhor dos dois mundos para que a equipa comece a ganhar jogos», acrescentou.  

Sendo certo que o Famalicão precisa de vitórias, o adversário é de um patamar superior, mas Carvalhal acredita que até pode servir de tónico, tal como havia referido Mathias Amorim na véspera.

«São todos. Mas, obviamente que este é um adversário de mais elevado grau de dificuldade da Liga, ponto final. Jogar com o Sporting, Benfica, FC Porto, SC Braga, mais os três primeiros, que parece que estão tão fortíssimos, é, a nível de dificuldade, o ponto máximo. O Sporting é uma equipa muito boa, uma equipa de Champions. Nota-se o dedo de um treinador de continuidade, apesar de ter mudado alguns jogadores, mas é contra este adversário que, normalmente, também aferimos em que ponto é que estamos porque nos obrigam a fazer as coisas no máximo das nossas capacidades», realçou.

E prosseguiu na avaliação ao adversário: «Os três jogadores da frente, incluindo o avançado, trocam muito de posição, isso é sintoma de uma equipa evoluída, com algum grau de maturidade para conseguir fazer todas estas coisas. Preparámos o jogo da melhor forma. Sabemos também que há vulnerabilidades, como todas as equipas têm. O Sporting terá menos do que outras, mas também tem as suas vulnerabilidades, como todas as equipas do mundo. Compete-nos anular os pontos fortes do Sporting, que são muitos. Não podemos olhar apenas para os jogadores individualmente, porque coletivamente é uma equipa muito forte, e explorar algumas vulnerabilidades que estas equipas têm para conseguir vencer o jogo.» 

Temos de pôr esta máquina a funcionar. Esse é o nosso propósito. A máquina começou a funcionar e tinha de começar por alguma coisa. Começou por dar solidez ao processo defensivo...

E até que ponto a sequência de dois empates consecutivos, diante de Gil Vicente (0-0) e E. Amadora (2-2), pode beneficiar psicologicamente a equipa?  

«Mais do que os resultados, e entendo que os resultados são o mais importante no futebol, quando temos uma equipa que estamos a criar, com uma dinâmica nova, jogadores novos e jogadores jovens que vieram inclusivamente de outros países e que estão a jogar pela primeira vez no campeonato português, temos de pôr esta máquina a funcionar. Esse é o nosso propósito. A máquina começou a funcionar e tinha de começar por alguma coisa. Começou por dar solidez ao processo defensivo, como disse naquele jogo. Já tivemos algumas dificuldades com o Estrela da Amadora, mas a realidade é que, em termos de qualidade de jogo, melhorámos significativamente. Não só atrás, mas também no meio e na frente», disse.

«O nosso intuito é que a equipa fique mais forte. Se estiver mais sólida em termos defensivos e melhorar a qualidade do seu jogo na frente, vamos ter cada vez melhores resultados. Não tenho dúvidas nenhumas disso. Eu sei que, no futebol, o tempo passa e os resultados urgem, mas volto a dizê-lo: é uma equipa nova, com jogadores novos. Estamos a falar, se calhar, de uma distância de um jogo que podíamos ter ganho. Se tivéssemos ganho esse jogo, estaríamos a falar de sete pontos e estaríamos quase no topo da segunda metade da tabela classificativa. Esse resultado fez toda a diferença no meu percurso até agora, sem dúvida nenhuma. Estamos a falar essencialmente desse resultado, que não deveria ter acontecido. Mas são dores de crescimento. Vamos crescer como equipa e, acima de tudo, temos de fazer com que a equipa jogue cada vez melhor. Não tenho dúvidas de que esta equipa do Famalicão vai jogar muito bem. Estou muito animado e muito satisfeito com os jogadores», acrescentou.

O avançado grego Koutsias leva três golos na Liga, o melhor marcador do Famalicão, e mereceu elogios por parte do experiente treinador: «É um jogador jovem, uma aposta do clube. É um jogador que emergiu muito jovem, pela mão de um grande treinador, o Abel [Ferreira], no Paok, que o lançou aos 16 anos, treinou-o na primeira equipa e depois, por este ou aquele motivo, não triunfou nos clubes onde esteve. Reconhecemos, precisamente através do departamento de scouting, do André Vilas Boas [diretor desportivo] e do presidente [Miguel Ribeiro], uma elevada qualidade neste jogador. Foi a nossa aposta número um desde o início. Foi este jogador que andámos a procurar. É um jogador jovem, de 21 anos, grego, que não conhece o campeonato português e não conhecia os colegas. Está cada vez mais a conhecer os colegas e os colegas a conhecê-lo a ele.»  

Carvalhal foi ainda desafiado a falar sobre os centrais que terão pela frente, posição que, tradicionalmente, é muito forte em Famalicão: «Isto é o tempo... A coordenação entre eles, o cometer erros e não repetir erros, o estar constantemente em cima do processo defensivo. Tenho um treinador, que é o meu braço direito, meu irmão, entre aspas, é o João Mário, que treina todos os dias com a linha defensiva, todos os dias, entre os vídeos de mostrar aquilo que se treinou, aquilo que se tem que fazer, aquilo que se tem de vigir, com os jogadores dentro do campo, todos os dias ele treina com potencialmente que podem jogar, na posição em coordenação. Obviamente que colhe-se frutos do trabalho. Há erros iniciais, que não se têm repetido, há outros erros, portanto, cumpre-nos a nós também fazer a organização dos centrais que temos. Já o disse, estou satisfeito com eles. O Rofino vai ser um jogador importante no futuro do clube, o Mattara é um jogador também de elevada competência, um jovem com muita capacidade. (11:14) Tenho o Vogin [Serafimovic] que está a dar um bocadinho um passo atrás, mais na equipa do sub-23, temos aqui qualidade, mas vão precisar precisar de tempo.»

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