Carlos Vicens e o embate com o Nacional: «Sabemos que ir à Madeira...»
O triunfo (3-2) do SC Braga sobre o Vitória de Guimarães, na ronda passada, e a derrota (1-3) do Gil Vicente no reduto do Estoril permitiram aos arsenalistas regressarem à 4.ª posição da tabela classificativa, posição que os guerreiros irão defender este sábado (18h) no reduto do Nacional, por ocasião da 24.ª jornada da Liga.
A viagem à Pérola do Atlântico promete colocar à prova a capacidade dos minhotos e Carlos Vicens projeta um duelo complicado diante dos insulares. Perante esse dado, os bracarenses terão de apresentar-se na Choupana no limite das suas competências.
«Sabemos que ir à Madeira acarreta sempre dificuldades. É um jogo importante para nós, para o qual creio que nos preparámos bem durante toda a semana e no qual sabemos que temos de entrar com energia, com ambição e com a indubitável missão de ir para ganhar o jogo desde o início. Com esse foco viajamos esta tarde e com a vontade de voltar da viagem com os três pontos», começou por dizer, na conferência de Imprensa realizada ao inicio da tarde desta sexta-feira.
O treinador espanhol analisou também a forma de jogar dos madeirense: «É uma equipa que vai tentar dificultar a nossa saída de bola, que vai tentar estar junta e conceder-te poucos espaços para aproveitar erros de passe. Serão intensos na sua pressão, tendo provocar-nos erros ou jogo talvez mais direto. Com bola, é uma equipa que propõe, que abre os seus centrais, que joga com o guarda-redes, que tem combinações com os jogadores interiores, que tem capacidade com extremos de ameaçar na profundidade e que depois na bola parada é uma equipa forte. Então, todos estes elementos tê-los muito em conta e nós jogarmos a ser o que somos, a sair para os jogos com uma intensidade acima da do rival, com uma ambição de ganhar que nos permita fazer um jogo bom a todos os níveis, que sejamos uma equipa competitiva em todo o momento, durante os 95-100 minutos que dura o jogo, e trabalhar sem cessar para conseguir a vitória.»
Hoje também foi dia de sorteio da UEFA Europa League, com o SC Braga a ficar a saber que vai defrontar o Ferencvaros nos oitavos de final da competição, mas Carlos Vicens prefere deixar para depois a antevisão à eliminatória com o conjunto húngaro. Para já... apenas e só o Nacional: «Da Liga Europa falaremos quando chegar, quando acontecer. E agora o foco está exclusivamente posto no que comentávamos. Preparámos a semana tratando de rever em que coisas tínhamos que limar detalhes para sermos mais capazes de ter um controlo maior sobre o jogo, de como também trabalhar em detalhes defensivos que nos permitam conceder menos ocasiões de golo, em como estar muito focados na bola parada e outras coisas que fomos trabalhando durante a semana para amanhã enfrentar um jogo que sabemos que tem dificuldades e que historicamente é um jogo, um campo difícil. E que obviamente temos um rival que também vai sair para o jogo e ao qual queremos impor-nos. Então, com todos estes ingredientes, trabalhámos bem, com confiança, com força, com energia.»
Pensar no Nacional de Tiago Margarido é também constatar que na Choupana mora um goleador, Jesús Ramírez, mas Vicens olha mais para o coletivo dos insulares. «Como em todas as equipas, eu creio que há gente que marca os golos, há gente que assiste, mas não deixa de ser o produto do que o coletivo por trás está a fazer que permite aos assistentes assistir e aos goleadores marcar. Não vamos descobrir agora o Chucho, mas o que quero dizer é que não podes só decidir pôr-lhe um homem que não lhe permita tocar na bola e que a equipa rival desapareça. Eu creio que há aí meandros internos do jogo deles que permitem à equipa ter estas cifras goleadoras. Então, no que temos de estar muito bem é em que coletivamente nós sejamos capazes de nos impor ao rival, sabendo que o jogo acarreta dificuldades, que eles jogam em casa, que vão sair com energia», analisou.
Por entre os destaques individuais do SC Braga na presente temporada, realce, claro está, para Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar, os dois principais goleadores dos guerreiros e também os maestros que fazem funcionar grande parte da máquina ofensiva arsenalista. Vicens elogia os momentos do português e do uruguaio, mas também nesta matéria prefere alargar os horizontes ao trabalho da equipa.
«Gosto de dar muita relevância ao coletivo e que creio que através do trabalho que levamos a fazer desde há já muitos meses, pois os jogadores creio que se estão a encontrar à vontade a trabalhar diariamente connosco. Estão a jogar com, diria, naturalidade, com flow. Conseguimos ver, detetar, potenciar sinergias entre eles durante a temporada. E creio que isto no final reflete-se no seu rendimento. Porque é a sensação que eu tenho, digo-vos com total honestidade. Quando eu vejo os rapazes treinar, vejo-os treinar contentes. Vejo-os vir trabalhar no dia a dia com vontade de treinar, vejo-os treinar contentes. Tivemos chuva, tivemos frio, tivemos vento e vejo-os com fome, vontade de estar ali cinco minutos antes de que comece o treino, preparados para entrar todos à porta do terreno de jogo de treino com vontade de treinar. E isto, primeiro, deixa-nos muito contentes e também nos faz ver que as ideias que lhes trouxemos, que lhes pusemos à disposição deles para que as utilizem, pois estão a gostar», assumiu o líder do balneário bracarense.