Fatura pesada no dérbi minhoto: multas a SC Braga e Vitória somam quase 40 mil euros
O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol divulgou o mapa de castigos referente à 23.ª jornada da Liga e a conta saiu cara ao SC Braga. Na sequência dos incidentes registados na receção ao rival vimaranense, a SAD arsenalista, juntamente com jogadores e equipa técnica, acumulou um total de 34.936 euros em multas.
A esmagadora maioria deste valor — 32.895 euros — recai diretamente sobre a SAD do clube, penalizada severamente pelo comportamento dos seus adeptos nas bancadas e por falhas logísticas.
Fogo e objetos na direção do rival
A infração mais gravosa para o SC Braga ocorreu na primeira parte do encontro. O arremesso de tochas incandescentes para o terreno de jogo, com origem na bancada nascente (Setor A8), forçou o árbitro a interromper a partida durante cinco minutos (entre os 20:43 e os 20:48). Este incidente valeu ao clube a multa mais pesada do boletim: 14.280 euros.
A este valor somam-se 10.200 euros por «arremesso de objetos sem reflexo no jogo». Segundo o relatório, no final da partida, enquanto os jogadores do Vitória recolhiam aos balneários, foi atirado um isqueiro a partir da bancada Poente inferior na direção dos atletas visitantes, que não chegou, no entanto, a atingir ninguém.
Atrasos custaram milhares de euros
Fora das quatro linhas, o relógio também jogou contra o SC Braga. O treinador principal, Carlos Vicens, apresentou-se com 12 minutos de atraso na zona de entrevistas rápidas. A demora custou 6.375 euros ao clube por incumprimento regulamentar e valeu ainda uma multa individual de 1.275 euros ao próprio técnico.
O emblema bracarense foi também sancionado em 2.040 euros por ter entrado no relvado para a segunda parte com três minutos de atraso, sem apresentar qualquer justificação à equipa de arbitragem.
Confusão no túnel e jogadores multados
O clima de tensão do dérbi estendeu-se aos balneários. Alexandre Carvalho, diretor de imprensa do SC Braga, foi multado em 612 euros na sequência de uma altercação no túnel de acesso ao relvado com o delegado ao jogo do Vitória, Pedro Gonçalves.
No relvado, a fatura foi consideravelmente mais leve: Gabriel Moscardo e Ricardo Horta foram multados em 77 euros cada um, na sequência da amostragem do segundo cartão amarelo nas respetivas contas pessoais durante a partida.
De notar que a fatura final do SC Braga neste dérbi poderá não ficar por aqui. O mapa de castigos revela ainda a existência de um processo que aguarda esclarecimento, podendo resultar em novas sanções disciplinares nos próximos dias.
Vitória paga menos
O Vitória de Guimarães, por seu turno, regressou a casa com uma fatura substancialmente mais leve em comparação com a do rival, mas ainda assim punitiva, fixada num total de 4.854 euros. A maior fatia deste montante deveu-se, à semelhança do que aconteceu com os anfitriões, ao uso de engenhos pirotécnicos nas bancadas. A deflagração de uma tocha incandescente por parte dos adeptos vimaranenses, alocados no Setor 2 da bancada Topo Poente, resultou numa coima de 2.230 euros para a SAD dos conquistadores.
A este valor somam-se 750 euros de sanção pelo comportamento incorreto do público. De acordo com o relatório do delegado da Liga, os adeptos visitantes entoaram em uníssono vários cânticos insultuosos dirigidos ao emblema da casa e ao guarda-redes adversário (com expressões como «Alé Alé Braga é m*** allez» e «Braga é m***, filhos da p***"*»).
Atraso no apito inicial e a fatura do túnel
A equipa visitante também não escapou a penalizações por falhas de pontualidade. Um atraso significativo de oito minutos na chegada ao túnel de acesso ao relvado para o início da primeira parte — sem que tenha sido apresentada qualquer justificação válida à equipa de arbitragem — traduziu-se numa pesada multa de 1.428 euros e numa repreensão oficial para a formação vimaranense.
A já referida confusão nos acessos aos balneários após o apito final também teve custos para o lado do Vitória. O delegado ao jogo dos vimaranenses, Pedro Gonçalves, foi multado em 320 euros pela altercação com o diretor de imprensa bracarense, Alexandre Carvalho, num episódio que a equipa de delegados da Liga relatou ter-se sanado assim que ambos recolheram aos respetivos balneários.
No plano desportivo, a agressividade e as faltas assinaladas dentro das quatro linhas fecharam as contas da equipa da Cidade Berço. As admoestações a Saviolo (segundo cartão amarelo no jogo), Miguel Nóbrega e Thiago Balieiro (primeiros amarelos) resultaram num acréscimo total de 126 euros para os cofres vitorianos, colocando um ponto final no rescaldo disciplinar de um dérbi jogado com intensidade dentro e fora do campo.
Somando todas as multas aplicadas aos clubes, jogadores e elementos da equipa técnica/staff de ambas as equipas, este dérbi minhoto teve um custo total de 39.790,00 € em sanções disciplinares.