Canoagem: Ramalho na ambição do pódio da Seleção no Euro
José Ramalho está nos Europeus de maratonas, que se realizam em Pitesti, na Roménia, com o objetivo claro de conquistar mais do que uma medalha nas três provas em que competirá entre a próxima quinta-feira e domingo. Um campeonato que desta vez não contará com Fernando Pimenta entre os 14 canoístas da Seleção que vão competir em 13 provas.
«Acho que é bastante possível», afirmou o atleta em declarações à agência Lusa, revelando confiança para as provas de K1 curta (cerca de 3,5 Km), K1 longa (cerca de 30 Km) e K2 longa, onde fará dupla com Alfredo Faria.
A pouco mais de um mês de celebrar o 44.º aniversário, a ambição de Ramalho permanece intacta. «Em conformidade com o que tenho feito nos últimos anos, os objetivos são sempre as medalhas. É para isso que trabalho e é justo carregar essa responsabilidade, porque sempre tive medalhas nos campeonatos de Europa. E já lá vão muitos anos…», sublinhou.
O palmarés do canoísta em Europeus é vasto, contando com sete títulos na prova longa e dois na curta, além de seis medalhas de prata e duas de bronze, distribuídas entre K1 e K2. Recorde-se que na edição anterior, Ramalho alcançou o pódio nas três competições. «O ano passado consegui os três pódios, uma medalha de cada cor, um bronze (K1 prova curta), uma prata (K1) e um ouro (K2, com Fernando Pimenta). Acho que sim, acho que é possível... Vou estar lá de alma e coração para trazer o melhor resultado», prometeu.
Considerado o canoísta mais velho do circuito, José Ramalho continua a perseguir o oitavo título europeu na maratona longa de K1, um feito que acredita ser alcançável devido à sua boa forma física. «Sinto-me bem e a verdade é que o objetivo é sempre tentar revalidar títulos se isso me for possível, lutar pelas medalhas», explicou, acrescentando com humor que «o desporto, com bons resultados, não tem idades…».
O principal adversário será, segundo o próprio, o dinamarquês Mads Petersen, de 29 anos, que tem sido a figura dominante nas recentes maratonas internacionais.
Portugal estará representado em mais competições, com um total de seis provas em seniores, duas em sub-23 e cinco em juniores. O ponto alto da temporada serão os Mundiais, agendados para 22 a 25 de outubro em Gualeguaychu, na Argentina.
Rui Câncio: «Estamos mesmo mais perto das cinco do que das nove medalhas».
Igualmente confiante quanto à participação lusa está o selecionador de maratonas Rui Câncio, o qua não escondeu a esperança na conquista de várias medalhas. «Pensamos que quase todos os nossos barcos têm nível para estar nos cinco primeiros», começou por declarar o técnico face à mais de uma dezena de canoístas que compõem a equipa.
Além de José Ramalho, as principais esperanças de pódio recaem sobre atletas experientes e com provas dadas. São os casos de Rui Lacerda em C1, e a dupla de C2 composta por Lacerda e Ricardo Coelho, que já são campeões da Europa e do Mundo. A estes junta-se Francisco Barbosa, em K1 sub-23, considerado «sempre um grande candidato».
«Em dias normais, temos logo esses quatro candidatos a medalhas», sublinhou o selecionador, no cargo há 21 anos. Embora considere que um conjunto de uma medalha de ouro, uma de prata e outra de bronze «seria pouco», Câncio recorda a evolução da modalidade: «Há 10 ou 15 anos um título europeu já era um sonho…»
Daí que o técnico aponte a um objetivo de cinco medalhas, número mais próximo do alcançado nos Europeus de 2024 do que das nove medalhas conquistadas em 2025, em Ponte de Lima. Nessa ocasião, a Seleção contou com a presença de Fernando Pimenta, que se sagrou campeão em K1 na prova curta e em K2 ao lado de José Ramalho, como já foi referido.
«Realisticamente, estamos mesmo mais perto das cinco do que das nove medalhas», reforçou Rui Câncio.
O selecionador dedicou ainda palavras de apreço a José Ramalho por este estar próximo de celebrar 44 anos, descrevendo-o como «um atleta com longo e vasto percurso desportivo, um exemplo que, naturalmente, é sempre candidato». No entanto, admite que a conquista do oitavo título europeu em K1 na prova longa poderá ser um desafio, dada a presença do dinamarquês Mads Peterson, «que tem dominado as maratonas internacionais nos últimos anos».
«O Mads pode estar num dia mau e aí o Ramalho poderá virar a prova a seu favor, porém sei que cada ano fica mais difícil…», salientou o técnico que, apesar de as infraestruturas em Pitesti não serem «as melhores» garantiu que o percurso não apresenta «ratoeiras» e que o elevado «nível de exigência» das provas de seleção em Portugal lhe dá as «máximas garantias de um bom desempenho coletivo».
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