Brahim Díaz marcou o golo que levou Marrocos aos quartos de final - FOTO CAF
Brahim Díaz marcou o golo que levou Marrocos aos quartos de final - FOTO CAF

CAN 2025: oitavos de final, quando a confiança decide

Acácio Santos, antigo adjunto da seleção da Nigéria, analisa em A BOLA a Taça das Nações Africanas (CAN)

Ao serviço da Seleção da Nigéria,na nossa caminhada até à final, os oitavos-de-final foram frente aos Camarões. Máximo respeito por uma seleção histórica, associada a grandes referências do futebol africano e a uma cultura competitiva muito forte. São países vizinhos, com fronteiras comuns, e existe uma rivalidade profunda, natural e antiga. Jogos destes nunca são normais. Transportam história, emoção e uma pressão acrescida que se sente desde o primeiro minuto.

Naquele momento da competição, após o apuramento da fase de grupos, sentimos algo diferente. Uma confiança que ainda não tínhamos sentido até então. É difícil de explicar por palavras. É algo que só vivendo por dentro se torna verdadeiramente perceptível. Existia uma perceção clara de competência coletiva, de maturidade emocional e da convicção interna de que iríamos ganhar o jogo e seguir para os quartos-de-final.

Nesta fase da competição, a abordagem muda. Deixamos de olhar excessivamente para quem está do outro lado. O foco passa a ser interno. Só queremos ganhar. Simples. O adversário existe, é respeitado, mas não condiciona a nossa crença nem o nosso comportamento competitivo.

Entrámos no jogo com essa mentalidade. Fomos organizados, rigorosos e emocionalmente equilibrados. Controlámos os momentos do jogo, soubemos sofrer quando necessário e fomos eficazes quando o jogo pediu decisão. Vencemos por 2–0, com um bis de Ademola Lookman, que apareceu exatamente quando o jogo exigia frieza, clareza e assertividade. Foi uma vitória construída com maturidade competitiva e controlo emocional.

Os resultados de ontem na competição vieram confirmar essa leitura. Camarões e Marrocos seguiram em frente em jogos exigentes, longe de serem fáceis. Os Camarões venceram a África do Sul por 2–1, Marrocos bateu a Tanzânia por 1–0. Resultados curtos, jogos duros, mas decisões firmes e conscientes.

Ambas as seleções demonstraram exatamente aquilo que distingue quem chega longe neste tipo de competições: confiança competitiva, capacidade para sofrer e crença absoluta no plano, mesmo quando o jogo aperta. Foi esse estado que senti na Nigéria frente aos Camarões. E é esse mesmo estado que hoje reconheço nestas duas seleções.

Não garante títulos, mas coloca-as claramente no grupo dos fortes candidatos à conquista da CAN 2025. Agora irão defrontar-se nos 1/4 final e será um dos jogos mais imprevisíveis.