Medidas exatas de Zalazar para a tarja... da redenção (crónica)
Pode haver uma segunda oportunidade para deixar uma primeira boa impressão. O ditado não é bem assim, mas, neste caso, é o mais adequado. Expliquemos.
Rodrigo Zalazar tinha ficado (mal) ligado à final da Allianz Cup, há pouco mais de um mês, em Leiria, desperdiçando, já no período de compensação, um pontapé de penálti — bela defesa de Charles! — que daria, na altura, o 2-2 e levaria a discussão do troféu para o desempate da marca dos 11 metros.
Mas na oportunidade seguinte... não fugiu à responsabilidade e deixou a plateia bracarense em êxtase.
Isto, sublinhe-se, num dérbi que começou com o SC Braga a contestar uma decisão da Polícia de Segurança Pública, que impediu a colocação de uma tarja preparada pelos arsenalistas e que visava dar ainda mais brilho à coreografia preparada para a Pedreira.
Mas o internacional uruguaio ainda tinha mais contas a ajustar: afinal, Zalazar tinha concedido, no decorrer desta última semana, uma entrevista ao Jornal AS, de Espanha, a propósito do duelo entre o Benfica e o Real Madrid, sendo que, além da antevisão a esse jogo da UEFA Champions League, deixou ainda (entre)aberta a porta da saída do Minho, mesmo assumindo estar «muito feliz» ao serviço do SC Braga.
Essa intervenção pública do camisola 10 gerou mal-estar nas hostes arsenalistas, com Carlos Vicens a abordar o assunto na conferência de antevisão a este embate com o Vitória de Guimarães. «Internamente tratámos da situação e o Zalazar esteve focado toda a semana, a treinar e a preparar o jogo, com energia, motivado e com a cabeça exclusivamente neste encontro e conto com ele, pois está motivado», assumira o espanhol.
E o dérbi eterno do Minho confirmou que Zalazar estava, efetivamente, (muito) motivado. E foi o sul-americano que teve arte para arrefecer a excelente entrada em jogo dos conquistadores, que foram melhores na primeira parte. Apesar da desvantagem ao intervalo.
Diogo Sousa (1') e Gustavo Silva (2') quiseram botar fogo no terreiro, mas o fumo propagou-se efetivamente das tochas lançadas para o relvado, cena lamentável que obrigou à interrupção da partida durante praticamente cinco minutos.
Pouco depois, Gustavo Silva foi ao duelo individual com Diego Rodrigues, dentro da área, e João Pinheiro assinalou penálti para os visitados. De nada valeram os protestos dos forasteiros (ainda que o lance não fosse tão claro quanto isso): o VAR validou a decisão e Rodrigo Zalazar não vacilou (desta vez) perante Charles. Que tiro!
Mas dérbi é dérbi e, na resposta, surgiu o empate: cruzamento de Noah Saviolo e desvio infeliz de Barisic para a própria baliza.
A turma de Luís Pinto quis aproveitar o momento e Gustavo Silva desperdiçou a reviravolta (24'). Como quem não marca... sofre: excelente jogada de envolvimento dos guerreiros, assistência de calcanhar de... Zalazar e remate fulminante de Horta. Que categoria!
Gustavo Silva (33') e Tony Strata (38' e 43') ameaçaram o 2-2, mas Charles, em cima do intervalo, também negou o 3-1 a Zalazar (45+4') e a Pau Victor (45+5').
A etapa complementar manteve-se em alto ritmo e Gustavo Silva conseguiu mesmo faturar, após assistência de Noah Saviolo (54').
Mas não dava, literalmente, para respirar e apenas três minutos depois... golo do SC Braga: passe de Horta e nota artística de Zalazar, que sentou Charles e fez o 3-2. Uruguaio com medidas para a redenção.
Hornicek fez frente a Camara e a Arcanjo e agarrou os três pontos. Podia ter caído para qualquer lado. Foi mesmo um grande dérbi!
As notas dos jogadores do SC Braga:
Lukas Hornicek (6), Barisic (5), Lagerbielke (6), Bright Arrey-Mbi (5), Víctor Gómez (6), Florian Grillitsch (6), João Moutinho (5), Diego Rodrigues (6), Rodrigo Zalazar (8), Pau Victor (5), Ricardo Horta (7), Gabriel Moscardo (5) e Leonardo Lelo (-).
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:
Charles (5), Tony Strata (6), Thiago Balieiro (5), Miguel Nóbrega (5), João Mendes (6), Beni (5), Diogo Sousa (7), Gustavo Silva (6), Samu (5), Noah Saviolo (6), Nélson Oliveira (5), Alioune Ndoye (5), Oumar Camara (6), Telmo Arcanjo (5), Gonçalo Nogueira (5) e Mitrovic (-).