Camisola 10 dos guerreiros pintou várias obras de arte no dérbi do Minho - Foto: Hugo Delgado/LUSA
Camisola 10 dos guerreiros pintou várias obras de arte no dérbi do Minho - Foto: Hugo Delgado/LUSA

Medidas exatas de Zalazar para a tarja... da redenção (crónica)

Uruguaio, que durante a semana tinha dado entrevista que gerou mal-estar na Pedreira, perfumou o dérbi. PSP tinha impedido a tela arsenalista... o criativo pintou outra. Boa resposta dos vitorianos foi insuficiente

Pode haver uma segunda oportunidade para deixar uma primeira boa impressão. O ditado não é bem assim, mas, neste caso, é o mais adequado. Expliquemos.

Rodrigo Zalazar tinha ficado (mal) ligado à final da Allianz Cup, há pouco mais de um mês, em Leiria, desperdiçando, já no período de compensação, um pontapé de penálti — bela defesa de Charles! — que daria, na altura, o 2-2 e levaria a discussão do troféu para o desempate da marca dos 11 metros.

Mas na oportunidade seguinte... não fugiu à responsabilidade e deixou a plateia bracarense em êxtase.

Isto, sublinhe-se, num dérbi que começou com o SC Braga a contestar uma decisão da Polícia de Segurança Pública, que impediu a colocação de uma tarja preparada pelos arsenalistas e que visava dar ainda mais brilho à coreografia preparada para a Pedreira.

Mas o internacional uruguaio ainda tinha mais contas a ajustar: afinal, Zalazar tinha concedido, no decorrer desta última semana, uma entrevista ao Jornal AS, de Espanha, a propósito do duelo entre o Benfica e o Real Madrid, sendo que, além da antevisão a esse jogo da UEFA Champions League, deixou ainda (entre)aberta a porta da saída do Minho, mesmo assumindo estar «muito feliz» ao serviço do SC Braga.

Essa intervenção pública do camisola 10 gerou mal-estar nas hostes arsenalistas, com Carlos Vicens a abordar o assunto na conferência de antevisão a este embate com o Vitória de Guimarães. «Internamente tratámos da situação e o Zalazar esteve focado toda a semana, a treinar e a preparar o jogo, com energia, motivado e com a cabeça exclusivamente neste encontro e conto com ele, pois está motivado», assumira o espanhol.

E o dérbi eterno do Minho confirmou que Zalazar estava, efetivamente, (muito) motivado. E foi o sul-americano que teve arte para arrefecer a excelente entrada em jogo dos conquistadores, que foram melhores na primeira parte. Apesar da desvantagem ao intervalo.

Diogo Sousa (1') e Gustavo Silva (2') quiseram botar fogo no terreiro, mas o fumo propagou-se efetivamente das tochas lançadas para o relvado, cena lamentável que obrigou à interrupção da partida durante praticamente cinco minutos.

Pouco depois, Gustavo Silva foi ao duelo individual com Diego Rodrigues, dentro da área, e João Pinheiro assinalou penálti para os visitados. De nada valeram os protestos dos forasteiros (ainda que o lance não fosse tão claro quanto isso): o VAR validou a decisão e Rodrigo Zalazar não vacilou (desta vez) perante Charles. Que tiro!

Mas dérbi é dérbi e, na resposta, surgiu o empate: cruzamento de Noah Saviolo e desvio infeliz de Barisic para a própria baliza.

A turma de Luís Pinto quis aproveitar o momento e Gustavo Silva desperdiçou a reviravolta (24'). Como quem não marca... sofre: excelente jogada de envolvimento dos guerreiros, assistência de calcanhar de... Zalazar e remate fulminante de Horta. Que categoria!

Gustavo Silva (33') e Tony Strata (38' e 43') ameaçaram o 2-2, mas Charles, em cima do intervalo, também negou o 3-1 a Zalazar (45+4') e a Pau Victor (45+5').

A etapa complementar manteve-se em alto ritmo e Gustavo Silva conseguiu mesmo faturar, após assistência de Noah Saviolo (54').

Mas não dava, literalmente, para respirar e apenas três minutos depois... golo do SC Braga: passe de Horta e nota artística de Zalazar, que sentou Charles e fez o 3-2. Uruguaio com medidas para a redenção.

Hornicek fez frente a Camara e a Arcanjo e agarrou os três pontos. Podia ter caído para qualquer lado. Foi mesmo um grande dérbi!

O melhor em campo: Rodrigo Zalazar (SC Braga)
Que exibição de alto quilate do internacional uruguaio. Inteligente em posse, sempre com a cabeça levantada em busca das melhores soluções no último terço ofensivo, teve (a necessária) frieza para abrir o ativo da marca dos 11 metros. E o que dizer do calcanhar que possibilitou o 2-1 a Ricardo Horta? Só ao alcance dos predestinados... Não satisfeito, teve (mais) classe no 3-2.
A figura: Diogo Sousa (Vitória de Guimarães)
Um autêntico farol capaz de atrair todo o coletivo. São apenas 20 anos de idade mas muito futebol nos pés. Especialmente no esquerdo, aquele que consegue perfumar todos os lances em que o internacional sub-19 participa. Forte nos duelos quando o sentido do dérbi obrigava ao posicionamento defensivo, na dupla que fez com Beni, e sempre com mira afinada ao início da transição.

As notas dos jogadores do SC Braga:

As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães: