Cicinho com a camisola do Real Madrid
Cicinho com a camisola do Real Madrid

Brasileiro que fez parte dos 'galáticos' confessa alcoolismo e chegou a beber 70 cervejas num dia

Cicinho falou sobre o vício no álcool, que começou aos 13 anos e durou mais 19

O antigo internacional brasileiro Cicinho, que representou clubes como o Real Madrid e a Roma, revelou numa entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport a sua longa e grave batalha contra o alcoolismo, que marcou a sua carreira de futebolista profissional.

Atualmente com 45 anos, o ex-jogador confessou que o vício começou cedo, aos 13 anos, numa festa. «Experimentei cerveja e apaixonei-me como se fosse por uma mulher. Quanto mais crescia, mais bebia», afirmou, descrevendo uma dependência que dominou a sua vida. «Destruí-me com o álcool», admitiu.

Apesar dos excessos, Cicinho conseguiu conciliar o vício com o desporto de alta competição, especialmente durante as suas passagens por Madrid e Roma. O antigo lateral-direito recordou um episódio particularmente extremo na capital italiana: «Em Roma, bati um recorde num único dia: 70 cervejas, 15 caipirinhas e dois maços de cigarros», lembrou.

O ex-futebolista explicou que a sua ascensão desportiva, nomeadamente a transferência para o Botafogo e a chegada à seleção brasileira, serviu de gatilho para os excessos. «Eu queria chegar ao topo, ganhar muito dinheiro e divertir-me. Quando cheguei a São Paulo e me tornei jogador da seleção, acreditei ter alcançado tudo», contou.

Cicinho fez parte de uma verdadeira constelação de estrelas no Real Madrid

Surpreendentemente, o seu estilo de vida desregrado passou despercebido durante muito tempo, inclusive ao seu treinador no Real Madrid, Fabio Capello, uma vez que o seu rendimento em campo e nos treinos não era afetado. «Ia para a cama às quatro da manhã e aparecia no treino às oito, ainda bêbado», revelou Cicinho. Para disfarçar, recorria a truques: «Antes de sair, tomava três ou quatro chávenas de café e fumava um maço de cigarros para disfarçar o cheiro a álcool. E em campo até jogava bem», disse o antigo lateral, que foi internacional brasileiro por 17 vezes.

Mais tarde, problemas nos joelhos e a intoxicação do corpo levaram-no a uma depressão, que agravou ainda mais a situação. O ponto de viragem aconteceu em 2012, quando regressou ao Brasil e, com apoio, iniciou uma terapia para combater a dependência.

Hoje, Cicinho vive em São Paulo, está sóbrio há 14 anos, é casado e tem um filho de cinco anos, para quem deseja um futuro no futebol, talvez na Roma. Profissionalmente, trabalha como comentador televisivo e, há cerca de dez meses, iniciou um novo percurso como pastor evangélico.

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