Jannik Sinner é uma das vozes de protesto, juntamente com Sabalenka que promete agitar Roland Garros. IMAGO - Foto: IMAGO

Protesto das estrelas em Roland Garros vai acontecer e já tem data e forma!

Os melhores tenistas do Mundo preparam uma jogada de pressão inédita, com a ameaça de boicote em cima da mesa, devido à tensão sobre a repartição dos lucros dos 'Majors'. O Grand Slam francês está debaixo de fogo e oferece 2.8 milhões de euros ao vencedor, mas para os protagonistas é pouco

Os melhores tenistas do mundo, insatisfeitos com a remuneração nos torneios do Grand Slam, planeiam manifestar o seu descontentamento esta sexta-feira durante o Media Day de Roland-Garros. A ação simbólica surge na sequência de ameaças de boicote e promete um ambiente tenso antes do arranque do torneio.

O protesto consistirá em limitar as suas intervenções mediáticas a apenas quinze minutos, abandonando de seguida o centro de imprensa sem conceder mais entrevistas. Esta medida visa chamar a atenção para a disparidade na distribuição de receitas: enquanto os principais torneios ATP e WTA redistribuem cerca de 22% das suas receitas pelos jogadores, os quatro Grand Slams (Melbourne Park, Roland-Garros, Wimbledon e Flushing Meadows) ficam-se por uma média de 15%.

A insatisfação dos atletas não é nova, tendo já manifestado no ano passado as suas preocupações sobre o tratamento geral e, em particular, sobre as questões financeiras. A falta de resposta por parte das organizações dos Grand Slams levou agora a esta tomada de posição mais visível.

O Media Day, que habitualmente serve para os jornalistas de todo o mundo recolherem as primeiras impressões dos atletas, terá assim um cariz diferente, com o foco a desviar-se do desporto para a política do ténis.

Além do protesto, está agendada para a tarde de sexta-feira uma reunião crucial entre a direção de Roland-Garros, a Federação Francesa de Ténis (FFT) e os principais agentes dos jogadores. O resultado deste encontro é incerto e poderá ditar os próximos passos, não se excluindo a possibilidade de ações mais drásticas, como um boicote.

A diretora do torneio, Amélie Mauresmo, e a sua equipa enfrentam dias de grande pressão. A situação agrava-se com relatos de que emissários de Wimbledon já terão contactado alguns jogadores sobre o prize money da edição de 2026, abordagens que não terão sido bem recebidas.

Em resposta, a direção de Roland Garros emitiu um comunicado a lamentar a decisão dos atletas, sublinhando o seu impacto negativo.

«Lamentamos esta decisão dos jogadores, que penaliza o conjunto das partes interessadas do torneio: os meios de comunicação, os difusores, as equipas da federação e toda a família do ténis que segue com entusiasmo cada edição de Roland-Garros».

A organização reforçou, no entanto, a sua abertura ao diálogo, mencionando a reunião agendada para esta sexta-feira, 22 de maio. A FFT afirma estar «pronta para um diálogo direto e construtivo sobre os desafios da governação, a fim de dar mais espaço aos jogadores na tomada de decisões, contribuir para a sua proteção social e fazer evoluir a partilha de valor».

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