Vinícius Júnior ao serviço do Brasil
Vinícius Júnior ao serviço do Brasil

Brasil envia carta dura à FIFA a contestar golo anulado a Vinícius

CBF recordou casos anteriores do árbitro mexicano César Ramos com a 'canarinha'

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou uma queixa formal à FIFA manifestando o seu descontentamento pelo golo anulado a Vinícius no jogo contra a Escócia, um lance que teria valido um hat trick ao avançado do Real Madrid. A CBF aponta a falta de consistência na arbitragem durante o Mundial 2026 e critica a atuação do árbitro principal, o mexicano César Ramos.

Na carta enviada ao organismo máximo do futebol mundial, a CBF começa por elogiar a filosofia do videoárbitro (VAR) no torneio. «Um aspeto que chamou especialmente a nossa atenção durante este torneio foi a abordagem adotada pelo Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). Ao longo da competição, parece ter havido uma clara ênfase em respeitar a interpretação do árbitro no terreno de jogo e limitar a intervenção a situações que envolvam erros claros e manifestos», pode ler-se na nota, que acrescenta: «Acreditamos que esta filosofia beneficia o futebol, preserva a autoridade do árbitro e contribui positivamente para a fluidez do jogo.»

O lance da polémica ocorreu ao minuto 22, quando Vinícius, após roubar a bola ao defesa escocês Hendrick, marcou o que seria o segundo golo do encontro. Contudo, após revisão do VAR, o árbitro anulou o golo por uma alegada falta do jogador brasileiro. Para a CBF, a decisão foi uma injustiça, especialmente quando comparada com outros lances semelhantes no torneio.

A CBF sustenta a argumentação com exemplos de outras partidas. «Vários incidentes durante o torneio parecem ser consistentes com esta abordagem, incluindo uma possível falta na fase de ataque anterior ao golo inicial da Argentina contra a Áustria, um possível incidente de penálti entre Inglaterra e Gana ao minuto 78, e outro entre o Senegal e a França ao minuto 58. Em cada caso, foram respeitadas as decisões tomadas no terreno de jogo, o que reforça a perceção de um limiar de intervenção do VAR mais restritivo», detalha a carta.

A CBF considera que a decisão no jogo do Brasil foi uma exceção a esta regra: «O golo anulado ao Brasil contra a Escócia ao minuto 21 não parece estar alinhado com a filosofia adotada ao longo da competição. É de destacar que a decisão pareceu inesperada não só para a seleção brasileira, mas também para os jogadores escoceses, cujas reações imediatas sugeriram que não tinham antecipado uma revisão nem a posterior anulação do golo.»

Apesar da queixa, a CBF esclarece que o seu objetivo não é contestar a decisão técnica em si, mas sim apelar à uniformidade de critérios: «Respeitamos plenamente o processo de tomada de decisões e não temos qualquer intenção de debater a interpretação técnica desse incidente específico. A nossa preocupação não é a decisão em si, mas a importância de garantir que o mesmo critério seja aplicado de forma consistente em cada jogo e para cada nação participante.»

O principal visado pela crítica brasileira é o árbitro César Ramos. Embora o descrevam como «um árbitro experiente e respeitado», a CBF recorda um historial negativo com o juiz mexicano. A carta menciona o Mundial 2018, no jogo entre Brasil e Suíça, arbitrado por Ramos, «quando o golo do empate da Suíça foi validado apesar de uma falta cometida contra o defesa brasileiro imediatamente antes do golo».

«É compreensível que surjam dúvidas quando o mesmo árbitro se vê novamente envolvido numa decisão transcendental que afeta o Brasil noutro Campeonato do Mundo», completou a CBF.

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