Bernardo Silva a marcar no dérbi de Manchester
Bernardo Silva a marcar no dérbi de Manchester - Foto: IMAGO

Bernardo Silva recorda polémica com Mourinho: «Não parecia muito feliz...»

Médio português fez um balanço do seu percurso no Manchester City, recheado de troféus e recordes, mas também recordou um duelo com o compatriota, na altura no rival United

Numa entrevista ao The Athletic, Bernardo Silva fez um balanço da sua carreira no Manchester City, que inclui 457 jogos e 15 troféus. Antes da despedida, ainda tem pela frente mais uma final da Taça de Inglaterra e a luta pela Premier League com o Arsenal.

A saída, embora agora definitiva, esteve perto de acontecer em outras ocasiões. Em 2021 e 2022, clubes de topo de Espanha e Itália mostraram interesse, e em 2023 surgiu uma proposta avultada da Arábia Saudita. Bernardo Silva admite que a ideia de sair já não é nova e que, mesmo ao renovar contrato por três anos em 2023, já encarava esse vínculo como o último antes de procurar um novo desafio.

O jogador explicou que os primeiros pensamentos de saída surgiram durante a pandemia, devido a uma fase de infelicidade na sua vida pessoal. «Basicamente, na minha terceira época aqui, quando a Covid apareceu, eu não estava muito feliz com a minha vida pessoal», confessou. «Estava sozinho. Depois, felizmente, conheci a minha mulher e a minha vida começou a melhorar a nível pessoal. Não teve nada a ver com a cidade ou com o clube — adoro este clube — mas sim, foi uma altura em que explorei outras opções e pensei nisso [em sair]», revelou.

Pep Guardiola foi uma figura central na sua permanência até agora. «Sim, o Pep foi uma das maiores razões para eu ter ficado. Ele nunca me permitiu sair [risos]», afirmou. O jogador reconhece que foi a decisão certa na altura: «Estou muito feliz por não ter acontecido, porque teria perdido o triplete [em 2023], a conquista de quatro [títulos da Premier League] seguidos e muitas coisas fantásticas. Depois de ganharmos a Champions [em 2023], assinei um novo contrato para ficar mais três épocas. A partir daí, o meu objetivo foi sempre cumprir esse contrato até ao fim.»

A relação com Pep Guardiola, que já o descreveu como a sua «fraqueza, o favorito», é de admiração mútua. «A forma como ele me ajudou, me apoiou e acreditou em mim — mesmo nos meus primeiros seis meses, quando não joguei muito — foi especial vindo de um treinador assim», revelou Bernardo. «Depois, com as experiências que tivemos juntos — as frustrações, a felicidade de ganhar coisas, a tristeza de perder algumas — construímos esta relação pessoal em que sei que ele gosta muito de mim. Estou muito grato por tudo o que ele fez por mim.»

Momentos marcantes

Apesar da sua equipa ter atingido um recorde de 100 pontos em 2017/18, o internacional português reconhece que essa equipa talvez não tenha recebido o devido reconhecimento do público em geral, ao contrário dos Invencíveis do Arsenal de 2003/04. «Dos nossos adeptos, com certeza», disse. No entanto, acredita que o tempo fará justiça a esta geração do City. «No futuro, acho que as pessoas olharão para trás e pensarão que esta geração foi... se não a melhor, uma das melhores da história do futebol inglês!»

Bernardo Silva abordou também a perceção negativa que por vezes rodeia o clube, seja pelo sucesso ou pelas mais de 100 acusações de violação de regulamentos financeiros da Premier League, que o clube nega. «As pessoas não gostam de vencedores porque, numa liga de 20 equipas, uma ganha e as outras 19 não», defendeu. Sobre as acusações, espera que o processo «chegue ao fim em breve», admitindo que «muitas pessoas se aproveitam disso para tirar algum mérito ao que fazemos em campo».

Um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi a goleada por 4-0 sobre o Real Madrid na Champions em maio de 2023. «Se pudesse escolher um jogo, um momento, para viver novamente... O estádio estava em chamas, o ambiente era fantástico. Para mim, pessoalmente, este jogo foi talvez a melhor memória que tenho no clube», confessou. «A forma como começámos o jogo, como os atacámos, eles não conseguiam fazer três ou quatro passes. Criar essa sensação numa equipa como o Real Madrid, os reis da Europa na altura, e vencer por 4-0 em casa, foi uma noite incrível para nós», acrescentou.

A conquista da Champions, semanas depois, foi a concretização de um sonho. «Foi finalmente alcançar o sonho pelo qual esperámos tanto tempo, com tantas frustrações. Juntamente com o Campeonato do Mundo, vencer a Liga dos Campeões é o topo da torre», atirou.

Apesar da sua qualidade, o nome de Bernardo Silva esteve ausente da lista de nomeados para o prémio de jogador da época da Premier League, algo que não o surpreendeu. «Não», disse. «Estes prémios vão principalmente para os jogadores com as melhores estatísticas de assistências e golos. Não tenho qualquer problema com isso.» Já para o prémio da Associação de Futebolistas Profissionais, o seu voto foi para um compatriota: «O meu amigo Bruno. Ele fez uma época incrível.»

Polémica com Mourinho

O médio português recordou ainda um incidente com José Mourinho, que resultou numa altercação onde uma garrafa de plástico foi atirada na direção do treinador português e Mikel Arteta, então adjunto do Man. City, sofreu um corte na cabeça. Tratava-se do primeiro dérbi de Bernardo Silva em Manchester.

«Bem, foi uma grande vitória. Estávamos em primeiro lugar na liga e o Manchester United estava em segundo. Ganhámos o jogo, o que aumentou a diferença, e eu estava no túnel, a falar com o Lindelof, que jogou comigo no Benfica. Os nossos jogadores estavam a comemorar no nosso balneário, que ficava mesmo ao lado do deles. Eles não ficaram muito contentes com isso», começou por explicar.

«O Mourinho não parecia muito feliz e depois aconteceu o costume no futebol: um começa a gritar, o outro começa a gritar, empurrões, do nada, e a partir daí as coisas escalam de forma estúpida», descreveu. Bernardo admite saber quem atirou a garrafa, mas recusa-se a revelar o nome. «Não vou dizer. Para ser justo, não aconteceu nada de especial. Mas o que aconteceu depois foi que mudaram a localização do balneário visitante em Old Trafford — e talvez por causa disto».

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