Real Madrid: o dia D para o maior clube do Mundo e também para... José Mourinho
MADRID — Este sábado poderá ser um dia marcante na história moderna do Real Madrid. Os sócios, que há 20 anos não votam para a escolha do presidente do clube, talvez o possam fazer dentro de dias, tudo dependendo do que possa suceder.
Desde o dia em que Florentino Pérez anunciou que haveria eleições antecipadas, começaram a correr os prazos estabelecidos pela Junta Eleitoral. Um deles, o da apresentação das candidaturas, termina este sábado à meia-noite; Florentino já apresentou a sua e agora falta saber se o único pretendente opositor, Enrique Riquelme, também o fará.
O jovem empresário cumpriu a obrigação de comunicar a sua intenção de se apresentar e formalizar hoje a sua candidatura, apresentando os documentos justificativos do cumprimento de uma das mais duras condições impostas pelos estatutos do clube: um aval bancário de 187 milhões de euros, correspondentes a 15% do orçamento anual do Real Madrid.
Riquelme garante que, para o conseguir, teve de recorrer a um banco estrangeiro que lhe ofereceu melhores condições do que as exigidas pelas entidades bancárias espanholas; não foi difícil, pois a empresa que dirige e de que é dono está presente no setor energético de mais de 30 países.
Uma das condições exigidas aos candidatos, e que Riquelme cumpre, é a de que tenham uma antiguidade de 20 anos consecutivos como sócio do clube; a outra, também importante, é a de provar ter capacidade para formar uma direção com nove membros, na qual o vice-presidente seja sócio há 15 anos. Em princípio, Enrique Riquelme cumpre todas as condições para que a sua candidatura, que se espera que apresente hoje, seja considerada válida, mas será a Junta Eleitoral quem, no dia seguinte, ou seja, amanhã, deverá dar a conhecer o seu veredito sobre se a aceita ou não.
O que sucederá, no caso de a candidatura de Riquelme ser rejeitada, é que a única válida será a de Florentino Pérez que, automaticamente, será proclamado presidente, como tem vindo a suceder nas sucessivas eleições desde 2009 e nas quais, em nenhuma delas, houve um candidato opositor.
Se desta vez também isso acontecer, Mourinho será anunciado segunda-feira como novo treinador e será apresentado no próprio dia ou terça-feira.
Mas também existe a possibilidade de Enrique Riquelme ser aceite como candidato e, nesse caso, haverá uma campanha eleitoral de duas semanas que terminará no dia das votações que, em princípio, deverão ter lugar no domingo, 7 de junho.
Nesse mesmo dia serão dados a conhecer os resultados; se for vencedor, Florentino anunciará de forma imediata a contratação de Mourinho para que, sem perda de tempo, ele possa participar na planificação da próxima temporada.
Embora não pareça provável, pode acontecer que o vencedor seja o opositor, caso em que Mourinho não poderá regressar ao Real Madrid, já que não é ele o treinador que Riquelme quer que dirija a equipa. Parece que o alemão Klopp é o seu preferido, mas isso só se saberá quando, durante a campanha, der a conhecer aos sócios o projeto desportivo no qual, segundo ele, os seus colaboradores estão a trabalhar intensamente.
Com tudo isto, o futuro de José Mourinho vai de um extremo ao outro: tanto pode ser treinador do Real no início da próxima semana, como ver o seu regresso ficar em águas de bacalhau.