Em Amarante, o filho da terra cumpriu «o sonho»
A Princesa do Tâmega vai voltar à Liga 2, 38 anos depois, e João Filipe é um dos príncipes da proeza.
— É um filho da terra, jogou sempre no clube, com uma breve passagem pelo Leixões. Pode dizer-se que o Amarante é a sua vida?
— Claro que sim. Costumo dizer que o Amarante - o estádio e o clube - é mais a minha casa do que a minha própria casa, porque é onde passo mais tempo. A minha família está sempre a dizer isto: ‘Tu tens mais tempo para eles do que para nós’. O que é certo é que passei aqui a minha vida, desde os oitos anos. Tenho 26. Só tive uma passagem fora. Foi o clube que me fez crescer, formou-me. Devo ao Amarante a pessoa que sou.
— Como foi esse tempo fora?
— Fiz a minha formação toda no Amarante e, quando acabou, surgiu a oportunidade para ir jogar para os sub-23 do Leixões. Senti que era bom sair da minha zona de conforto, experienciar coisas novas. Principalmente, porque ia morar sozinho, ia ser autónomo, já que aqui moro a dois minutos do estádio, com os meus pais. Ir jogar para fora ia dar-me outras valências que me iam fazer crescer. Foi uma passagem curta, mas onde cresci muito. No ano seguinte, regressei para o Amarante, que me voltou a abrir as portas.
— O que significa ser capitão do seu clube… o clube da sua cidade?
— É um orgulho tremendo. É curioso que, desde miúdo, ia para o estádio muito cedo em dias de jogo. Via o aquecimento todo, sozinho no estádio, e tentava imaginar-me lá dentro. O meu sonho era jogar na equipa principal. Agora, ser capitão traz uma responsabilidade e um orgulho tremendo, porque sou da cidade, trago os valores todos da formação. A minha família é toda de cá, conheço praticamente toda a gente e é um sentimento que não sei explicar, porque é o meu clube do coração e o meu objetivo foi sempre chegar aqui e fazer história.
— Sonhava pôr o clube nos campeonatos nacionais?
— Esse foi sempre o objetivo: elevar o nome do clube e da cidade o mais alto possível.
— Esse sonho está cumprido. Qual é o próximo?
— Não sei, agora estou a desfrutar do que vivemos nesta época longa e desgastante. Estou a aproveitar com a minha família, porque são eles que levam com tudo durante o ano, com dias maus, dias em que chego chateado... Enfim, é aproveitar o momento porque não é todos os dias nem é todos os anos que somos campeões da Liga 3 e subimos à Liga 2.
— Que outros sonhos tem?
— Um deles é ser profissional de futebol e viver disto, porque na Liga 3 não podemos dizer que somos profissionais. Outro sonho é jogar na Liga. Mas um passo de cada vez. Como eu digo, não quero dar o passo maior que a perna.
— Quer deixar alguma mensagem aos amarantinos?
— Quero agradecer todo o apoio e por estarem sempre connosco, enchendo o estádio. Ajudaram-nos a chegar ao sonho, porque o clube e a cidade merecem. Também quero deixar um agradecimento muito especial à direção. Mesmo nos momentos mais difíceis, acreditaram em nós. Foram os primeiros a crer que tudo era possível e nunca nos faltaram com nada.