Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense (foto: Imago)
Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense (foto: Imago)

Benfica? «O Moreirense vai querer muito os três pontos»

Vasco Botelho da Costa garante determinação da sua equipa esta quarta-feira, frente às águias, em jogo em atraso da 3.ª jornada

Conferência de imprensa de Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense:

Que expectativas para o jogo?
— Os jogos são todos difíceis, honestamente. Mas além de termos de jogar com o excelente valor do nosso adversário, temos aqui um handicap extra que é a questão do tempo e da recuperação. Nós normalmente passamos o onze no dia anterior, desta vez temos que esperar até amanhã, porque efetivamente é uma novidade. Uma novidade para nós. Isto é tudo muito físico e, portanto, nós reagimos a estímulos. Os nossos jogadores, uma coisa é estarem permanentemente habituados a jogar de três em três dias, outra coisa é não estarem. Como é óbvio, trabalhamos para estar, para chegar todos a esse patamar um dia, porque é bom. Mas, ao contrário daquilo que parece, não estamos a falar de uma eliminatória europeia. E, portanto, sem dúvida que esse vai ser o nosso primeiro grande adversário. Agora, a verdade é que não podemos fazer nada. Sabíamos que ia ser assim e, portanto, tentar pôr isso de parte, preparar o jogo da melhor forma possível, sabendo que também temos aqui algumas condicionantes, nomeadamente no meio-campo, com a não utilização do Veloso, com a expulsão do Liberato. Mas, como sempre, olhar para isto como uma oportunidade de crescimento e de evolução, até para nós enquanto equipa técnica. Ter que preparar jogos num curto espaço de tempo acaba por ser uma novidade. A dinâmica de como mostramos os vídeos, como olhamos para o último jogo, como preparamos sem treino o próximo... Portanto, ao mesmo tempo olhamos para isto com ambição e como uma oportunidade de crescimento.

O que é que o Moreirense pode transportar daquilo que fez bem no jogo com o FC Porto, em que vendeu cara a derrota no Dragão, para este jogo, de forma a procurar um resultado diferente?
— Aquilo que pode transportar é perceber que, no mínimo, temos que igualar os índices competitivos que tivemos no último jogo, mas preferencialmente superá-los. Porque, de resto, são jogos diferentes, principalmente do ponto de vista tático: a forma como temos que atacar, a forma como temos que defender... Não estamos a falar de dois adversários que jogam de igual maneira. E, portanto, lá está, sem poder ir muito ao campo preparar esse aspeto, sabemos que a nossa primeira grande preocupação para este jogo é o lado competitivo, é o chamado andamento, é a intensidade que nós temos que, de alguma forma, ter capacidade para superar aquilo que fizemos no último jogo, se quisermos ser competitivos e lutar pelo resultado, como queremos muito. E, portanto, contamos também muito com o apoio dos nossos adeptos. Já o disse, é importante para nós que fique bem vincado que é o estádio do Moreirense, que os nossos adeptos estão presentes a puxar por nós, porque precisamos de todo o apoio possível para conseguirmos dar uma boa resposta. Porque, sem sombra de dúvidas, independentemente das adversidades, vamos querer muito os três pontos.

O que é que a equipa precisa para adicionar pontos à exibição?
— Estamos aqui numa fase, chamemos-lhe assim, do jogo onde a dimensão física, a intensidade, o andamento e a agressividade estão com muito, muito peso e com muita, muita influência. E isso vê-se no próprio padrão de contratação de grande parte dos clubes e, portanto, traz aqui uma componente ao jogo que está muito dependente do lado físico. Agora, o jogo depois não deixa de ter o lado tático. E é aí que o jogo é bastante diferente e, portanto, nós acreditamos é que, para conseguirmos ter sucesso, temos que no mínimo igualar esse lado competitivo do jogo com as melhores equipas do campeonato. E depois também sabermos interpretar e compreender aquilo que do ponto de vista tático vai acontecer. Estamos a falar de uma equipa que coloca muita gente entrelinhas, força muito o jogo interior, mas também quando o jogo vai para fora também tem capacidade para conseguir desequilíbrios a partir do jogo exterior. E, portanto, obriga-nos a ser muito competentes naquilo que é a nossa organização defensiva. E depois, ofensivamente, os espaços que nos dá acabam por ser diferentes do nosso último adversário. Daí eu dizer que o jogo é um jogo completamente diferente e que nós tentámos da melhor forma... tentámos, até porque amanhã ainda temos um treino, preparar o jogo da melhor forma possível para conseguir dar resposta nessa dimensão. Agora, sem dúvida que o primeiro grande princípio é o lado competitivo, o lado da intensidade e aí nós temos que conseguir dar resposta para que depois possamos entrar na outra dimensão, na dimensão tático-estratégica do jogo.

Lembro-me bem de ver o Moreirense jogar e dificultar sempre a vida, nomeadamente a Porto, Benfica e Sporting, com muitas vezes um jogo defensivo a explorar velocidades e saídas rápidas em contra-ataque. No fundo, estas são as características que o adversário tem e que o Moreirense tem. É essa equipa que vamos ver amanhã? Ou é uma equipa mais contida, menos atrevida, ou ainda mais ambiciosa à procura de um grande resultado frente ao Benfica?
— Lá está, o jogo é tático. Aquilo que, quem acompanha o Moreirense desde que nós chegámos sabe, é que o Moreirense gosta de pressionar, sabe que o Moreirense gosta de jogar com bola. E, portanto, se o nosso adversário nos permitir, esse é o jogo que nós vamos fazer. Se muitas vezes não é o jogo que nós fazemos, é porque não jogamos sozinhos. Os nossos adversários têm valor, muito valor. Os treinadores que nós defrontamos também preparam os jogos muito bem do ponto de vista estratégico. E, portanto, dentro das nossas possibilidades, nós não vamos querer de certeza absoluta fugir àquilo que é a nossa identidade. Agora, sabemos que quando defrontamos adversários de valor, temos que entregar uma componente um pouco mais estratégica àquilo que é o jogo. E estamos dependentes também da abordagem do nosso adversário. Portanto, estamos a falar de uma equipa que também gosta de pressionar e, portanto, torna-se difícil sairmos apoiado como nós gostamos. Sabemos que há momentos em que podemos fazê-lo sem correr demasiados riscos, porque isso também são aprendizagens que nós trazemos do passado. Mas lá está, dentro daquilo que nos for possível, nós não vamos em nada fugir àquilo que é a nossa identidade e àquilo que são os nossos padrões. Agora, temos que saber dar resposta se o jogo tiver características completamente diferentes. Porque hoje em dia nós preparamos muito e é fácil para nós conhecer aquilo que são os padrões dos nossos adversários. Mas como eu já disse, quando defrontamos treinadores de qualidade, que também preparam o jogo na sua visão, o jogo muitas vezes depois torna-se diferente. E vamos conseguir ter sucesso, tanto mais sucesso quanto mais conseguirmos interpretar isso no momento em que o jogo começa e mexer com o jogo dentro do próprio, digamos assim.

Palhinha traz o quê, de facto, ao Benfica? O Benfica está bastante melhor na consistência e nos equilíbrios com o Palhinha?
— Ouça, estamos a falar de um grande jogador, que é internacional, que esteve nesta casa e é bastante querido a muitas das pessoas que cá estão. Mas, a partir daí, estar a falar de um jogador num plantel que está recheado de internacionais, de jogadores com provas dadas, que semanalmente são capas de jornais e que têm muito impacto, parece-me redutor. Estamos a falar de uma equipa que, como eu disse, vale pelo todo da sua estrutura, o seu treinador e os atletas. Estão num bom momento, uma equipa ofensiva, mas ao mesmo tempo uma equipa que, como todas — porque acho que não há equipas perfeitas —, e nós temos que olhar muito é para nós. E esse é o nosso foco. E parte muito daquilo que eu disse: sabemos desta dificuldade extra que temos em relação à questão do calendário, ao mesmo tempo temos que pôr para o lado porque é o que é e nós não controlamos. E a partir daí é focarmo-nos muito em nós. Foi isso que tentámos fazer na preparação para o jogo. Temos uma expectativa daquilo que o jogo pode ser e olhar apenas para o nosso adversário pelas suas características: saber o que é que eles podem fazer se atacarem de uma determinada maneira, se atacarem de outra o que é que podem fazer, como é que vão pressionar, se tiverem em vantagem quais é que são os comportamentos, se tiverem em desvantagem quais é que são as possíveis alterações. Portanto, tudo isso impacta connosco. E, portanto, é muito focado em nós, porque é essa a nossa forma de estar, independentemente de quem temos pelo lado de lá. Respeitamos todos por igual, mas como sempre vamos olhar para o jogo na busca dos três pontos.

Que impacto é que pode ter a ausência desses dois jogadores no meio-campo, Liberato e o João Veloso, na partida de amanhã? É é possível fazer uma espécie de balanço do mercado?
— Olhe, o plantel acho que ficou mais forte do que aquele que terminou a época passada, não tenho a menor dúvida disso. Um plantel muito à imagem daquilo que é o nosso projeto, com muitos jogadores jovens, jogadores de qualidade e um misto de alguma experiência também, que foi importante para nós. E onde temos seguramente mais do que uma solução por posição, onde temos diferentes características para podermos adotar diferentes estratégias. E quando eu falo disto, falo... temos por exemplo extremos que jogam mais por dentro, extremos que jogam mais por fora, extremos que são mais associativos e extremos que vão mais à profundidade. Ou seja, dentro da posição nós temos diferentes características que nos permitem abordar os jogos com estratégias diferentes, em função daquilo que é a nossa ideia e daquilo que é o nosso adversário. Portanto, estamos muito satisfeitos com todos. Em relação à questão das ausências, é um pouco o raciocínio que eu fiz em relação à questão do tempo, que é: é o que é, não os temos presentes. Mas como eu disse, o nosso plantel hoje é um plantel apetrechado com diferentes soluções. Obviamente que o mercado fechou há muito pouco tempo, ainda precisamos — e já o disse aqui, não é? —, e sem tempo para treinar, portanto não é que haja um crescimento a nível de trabalho, a nível de conhecimento dos novos jogadores muito intenso da nossa parte. Mas focarmo-nos naquilo que controlamos. Quem estiver vai estar em grande nível e vai, como todos nós no Moreirense, lutar pelos três pontos amanhã.

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