José Mourinho saiu de Alvalade como o grande vencedor do dérbi — Foto: MIGUEL NUNES
José Mourinho saiu de Alvalade como o grande vencedor do dérbi — Foto: MIGUEL NUNES

Benfica não pode jogar só a SuperLiga

O problema das águias não são os jogos grandes. Há toda uma maratona e aí a equipa tropeçou demasiadas vezes. Nove empates que hipotecaram a conquista do campeonato

Vitória importante do Benfica no dérbi, que foi como um bálsamo para os adeptos dos encarnados, que já não escondiam a desilusão com a irregularidade demonstrada pela equipa ao longo da época.

O Benfica subiu, embora à condição, ao segundo lugar, ultrapassando o eterno rival, o que trouxe alguma tranquilidade ao plantel e ao clube, já que por estes dias a continuidade ou não de José Mourinho passou para segundo plano.

O dérbi foi, também, uma importante vitória para o special one, que, bem ao seu estilo, puxou dos galões ato contínuo a João Pinheiro ter terminado a partida de Alvalade. Apontando para as iniciais JM que tinha estampadas na camisola, José Mourinho saiu do dérbi como o grande vencedor.

Os encarnados mantêm-se invencíveis no campeonato, o que é, sem dúvida, um registo impressionante. Basta referir que o Benfica é entre todos os principais campeonatos da Europa a único que ainda não foi derrotado. Na Luz, contudo, estas vitórias não chegam. É preciso mais. Bem mais. São necessários títulos e estes têm sido raros. A grandeza do clube obriga a conquistas, a futebol atrativo, a liderança. 

No final da temporada, mesmo que o Benfica termine na vice-liderança da Liga, posição que começa a ganhar contornos ainda mais importantes, já que pode dar acesso direto à próxima edição da UEFA Champions League — dependendo do percurso do Aston Villa na UEFA Europa League e na Premier League —, nenhum benfiquista terá motivos para festejar. Mesmo que, para o campeonato, tenha empatado os dois jogos com o FC Porto e empatado e vencido o Sporting.

Estes são, de resto, os jogos para que Mourinho está talhado. Nos jogos grandes surge o melhor Mourinho e o melhor Benfica. Como são também exemplo os duelos com Nápoles e o Real Madrid. O problema é que o Benfica não pode jogar só a… Superliga. Há toda uma maratona para percorrer e aí a equipa tropeçou demasiadas vezes. Foram 18 pontos desperdiçados em empates que hipotecaram a conquista do campeonato. Para sermos mais rigorosos, foram as igualdades com Rio Ave, Casa Pia (por duas vezes!), e Tondela que tornaram impossível a conquista do título – junte-se o resultado com o Santa Clara, ainda na era Bruno Lage, e o o 2-2 com o SC Braga, na Pedreira.

José Mourinho não conseguiu foi resolver o problema do ataque posicional, para desmontar blocos baixos. E sabe-se como no campeonato português se usa e abusa desta estratégia. O special one é ímpar antes e depois dos jogos, passando exemplarmente as mensagens para fora e também para dentro, mas o maior problema foi mesmo… durante.

Talvez a solução esteja no perfil dos jogadores que o treinador pretende alterar. Vamos ver como. É que não acredito que o Benfica consiga contratar os reforços desejados e mantenha no plantel, por exemplo, Bah, Sidny, António Silva, Barrenechea, Sudakov, Rafa, Lukebakio e Pavlidis, tão-só os suplentes apresentados em Alvalade…