Análise de « Ricardo Cerqueira, colunista e comentador d'A BOLA

Benfica: o quebra-cabeça no centro da defesa

Encarnados trabalham ativamente no mercado de transferências para evitar problema

O Benfica já prepara a próxima temporada, com o diretor desportivo Mário Branco a trabalhar ativamente no mercado para definir o novo plantel. No entanto, o planeamento continua condicionado por dois fatores: a possível falha na qualificação para a Liga dos Campeões — e a consequente perda de receitas — e as vendas que o clube pretende concretizar no verão.

Uma das prioridades identificadas passa pelo reforço do eixo defensivo. A principal incógnita prende-se com o futuro de Nicolás Otamendi. O capitão, de 38 anos, termina contrato no final da época e ainda não se conhece decisão sobre a continuidade. Perante este cenário, o Benfica já trabalha na antecipação de uma provável saída.

Otamendi, determinante desde a sua chegada em 2020/21, contratado ao Manchester City, soma 278 jogos (277 como titular), com 18 golos e oito assistências. A sua influência dentro e fora de campo torna a sucessão complexa, obrigando a um investimento significativo num central com impacto imediato desde a chegada. O argentino tem em cima da mesa a possibilidade de regressar à Argentina, com o River Plate de braços abertos, mas o mercado norte-americano surge também como alternativa forte para o experiente defesa.

No plano interno, Tomás Araújo surge como uma das soluções de futuro. O central de 23 anos, formado no Seixal, é visto como um dos pilares da defesa e já soma 104 jogos pela equipa principal (82 como titular), com três golos e cinco assistências. Apesar do interesse de clubes como PSG e emblemas alemães, o Benfica deseja segurá-lo e dar-lhe mais protagonismo.

António Silva, de 22 anos, vive uma situação mais sensível. Também formado no clube, o central termina contrato no final da próxima temporada e ainda não renovou. O Benfica já manifestou intenção de prolongar o vínculo, mas as negociações não registaram avanços. Este impasse levanta o risco de uma saída a custo zero no verão de 2027.

Como A BOLA já detalhou, António Silva procura não só um contrato longo, mas também melhores condições salariais e garantias de maior utilização. Um cenário que poderá ser difícil de assegurar caso Otamendi permaneça. O internacional português soma já 178 jogos pelas águias (168 como titular), com 10 golos e duas assistências.

Entre as opções da formação, Gonçalo Oliveira e o norte-americano Joshua Wynder ganharam visibilidade, mas ainda sem espaço na equipa. O português, de 19 anos, é capitão dos sub-21 e integra o plantel principal, mas ainda não se estreou. Wynder, de 20 anos, soma apenas 17 minutos pela equipa A — 17 minutos frente ao Tirsense, mas meias-finais da Taça da Liga da época passada — mas está afastado desde fevereiro devido a lesão.

Assim, a construção do Benfica para 2026/27 deverá começar pela definição do centro da defesa. Entre possíveis saídas, renovações pendentes e aposta na formação, o clube procura garantir estabilidade num setor crucial da equipa.