Fumo, polícia nas cabinas e tribunal: o caos do Sporting-Arouca de 2016
O Sporting- Arouca decorreu de forma aparentemente tranquila e os leões, malgrado Adrien ter falhado uma grande penalidade, venceram de forma serena por 3-0, com um bis do inevitável Bas Dost e outro golo do costa-riquenho Joel Campbell, extremo de créditos firmados que passou por Alvalade em estilo cometa.
O único incidente a marcar a arbitragem foi a expulsão do arouquense Vítor Costa, aos 48 minutos, por acumulação de amarelos. Se dentro de campo, durante os 90 minutos, não houve grande história para contar, já o mesmo não se pode dizer do sucedido após o apito final do árbitro Carlos Xistra. O treinador do Sporting era Jorge Jesus, o do Arouca Lito Vidigal, mas pouco se falou de tática ou estratégia.
Já na zona de acesso aos balneários, o presidente dos lobos da Serra da Freita, Carlos Pinho, terá insultado o seu homólogo sportinguista, Bruno de Carvalho. Os ânimos serenaram por minutos, mas só mesmo por minutos. O então líder dos leões manteve-se no túnel, perto do acesso às cabinas, e o reencontro acabou por dar-se.
A discussão subiu de tom enquanto Bruno de Carvalho fumava um cigarro eletrónico. Foi por essa altura que os dois se aproximaram, discutiram cara a cara e Pinho entendeu que o dirigente leonino lhe tinha cuspido, versão desmentida por este, alegando que apenas tinha expelido vapor do dispositivo. Seguiram-se vários insultos de parte a parte e trocas de empurrões numa cena pouco edificante, que obrigou o corpo de intervenção da PSP a atuar, para espanto geral de quem ainda se encontrava no Estádio José Alvalade naquele dia 6 de novembro de 2016, aquando da 10.ª jornada da Liga.
As imagens das câmaras de videovigilância foram depois disponibilizadas, sem que houvesse uma clarificação total sobre o sucedido. As queixas de ambos os clubes seguiram para o Conselho de Disciplina da FPF e a mão foi pesada para os dois presidentes. Aliás, bem pesada.
Bruno de Carvalho acabou suspenso por seis meses por «infração disciplinar muito grave» (ofensas à honra). Já Carlos Pinho foi punido com 20 meses de suspensão por «agressão/tentativa de agressão e ofensas verbais». No entanto, após os recursos para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), as penas foram comutadas para um mês, no caso do então líder verde e branco, e para 15 meses, no que tocou ao dirigente arouquense.
Na sequência destes acontecimentos, as relações entre os dois clubes, que já estavam frias, congelaram quase por completo, embora sem um corte institucional formal. O diferendo também correu nos tribunais civis, mas acabou por ser arquivado sem que houvesse lugar a penas ou multas avultadas.
Quase dez anos se passaram desde o episódio: Carlos Pinho mantém-se até hoje como presidente do Arouca, enquanto Bruno de Carvalho se tornou o único presidente destituído na história centenária do Sporting, em junho de 2018.