Benfica: a revolução dos suplentes que quer convencer Mourinho
A reta final da Liga 2025/26 intensifica-se e, no plantel do Benfica, cresce a sensação de maior luta pela titularidade. O médio criativo Sudakov e o avançado Franjo Ivanovic estão a aumentar a pressão sobre José Mourinho, procurando ganhar espaço no onze titular e com esperança de que possa acontecer logo no desafio de sábado, frente ao Vitória de Guimarães, no Estádio da Luz, a contar para a 27.ª jornada do campeonato.
Depois de várias semanas condicionado por uma lombalgia que o afastou dos duelos com Aves SAD (3-0) e Gil Vicente (2-1), Sudakov regressou recentemente às opções, ainda que apenas desde o banco. O internacional ucraniano foi suplente não utilizado frente ao Real Madrid (1-2, no play-off para os oitavos de final da UEFA Champions League) e ao FC Porto (2-2, clássico no campeonato), mas entrou no jogo da Liga em Arouca (2-1), aos 73 minutos, e teve influência direta na vitória da equipa dos encarnados, mostrando sinais de que está pronto para reclamar um papel mais importante.
Contratado no verão aos ucranianos do Shakhtar Donetsk — por empréstimo mas com cláusula de compra obrigatória num negócio de 27 milhões de euros, a que acrescem €5 milhões possíveis em bónus por objetivos —, o médio de 23 anos soma 34 jogos pelas águias — 28 como titular, com 4 golos e 5 assistências —, mas ainda não atingiu o nível que os adeptos esperam. No encontro com o Vitória de Guimarães, poderá conquistar mais minutos e rivalizar com Rafa Silva, jogador que tem ocupado o espaço atrás do ponta de lança Pavlidis.
Rafa Silva, contratado em janeiro aos turcos do Besiktas, conta dois golos em 10 jogos e oferece características distintas de Sudakov: mais mobilidade e profundidade no ataque, embora também procure maior consistência no brilho das suas exibições. A estratégia de José Mourinho para o duelo com o Vitória determinará a escolha — Sudakov para pensar o jogo de trás, ou Rafa para explorar a profundidade e zonas de finalização mais próximas da baliza do adversário.
No ataque, outro tema ganha relevância: a eventual disputa entre Pavlidis e Ivanovic. O internacional grego é o melhor marcador do Benfica, com 28 golos esta época, 20 deles na Liga, mas vive fase menos inspirada. Não marca nem assiste desde 13 de fevereiro, frente ao Santa Clara (2-1), somando já seis jogos consecutivos sem golos — igualou a pior sequência desde que chegou à Luz, na época passada.
Apesar de continuar a ser peça influente pela forma como participa na construção e pressão ofensiva, não se prevendo que possa perder a titularidade no desafio desta jornada frente ao V. Guimarães. «Consigo identificar Pavlidis como um ótimo jogador, um jogador de que eu gosto muito porque tem golo, mas também tem o link play [jogo de ligação]. Às vezes digo que há atacantes que são muito bons porque marcam muitos golos, mas no dia em que não marcam golos a contribuição para a equipa é zero. E Pavlidis é o tipo de atacante que mesmo não marcando o seu contributo nunca é zero. Porque na fase defensiva trabalha muitíssimo e interpreta muito bem os timings de pressão. Depois, na fase ofensiva, é um jogador que se não fosse um número 9 poderia perfeitamente ser um médio ofensivo porque tem essa qualidade de jogar e de construir. É um jogador de que gosto muito. Estou muito contente», disse Mourinho sobre o grego.
Pavlidis sente agora, porém, a aproximação de um concorrente em ascensão. Franjo Ivanovic, contratado no início da época, respondeu ao menor tempo de jogo com atitude e rendimento.
O croata de 22 anos foi decisivo nos últimos dois encontros: entrou frente ao FC Porto e assistiu Leandro Barreiro no golo do empate (2-2), e voltou a brilhar em Arouca, marcando o golo da vitória (2-1) com apenas 17 minutos em campo.
Independentemente das opções de José Mourinho para o jogo com o Vitória de Guimarães, a tendência é clara: Sudakov e Ivanovic aproximam-se dos titulares e prometem aquecer a disputa interna na reta final da temporada. Restam oito jornadas para o fim do campeonato, e o ambiente competitivo dentro do Benfica poderá ser decisivo para o desempenho da equipa na luta pelo título ou, no mínimo, pelo acesso à UEFA Champions League.