Na Liga Europa

Barrenechea? Lenglet? Palhinha? Echeverri? — o que disse Marco Silva antes do Benfica-Lech Poznan

Encarnados defrontam a equipa polaca esta quinta-feira, a partir das 20 horas, na Liga Europa

— O que é que espera deste adversário, o Lech Poznan, e Jakub Kaminski deu alguma ajuda na análise?
— Nós conhecemos bem o adversário. Até amanhã ainda iremos conversar um pouco, e também não foi necessário dentro da análise que fizemos para já ao nosso adversário, ter esta conversa com o Kaminski. Mas conhecemos muito bem o adversário, analisámos, temos as ferramentas necessárias para o fazer. É óbvio que durante o dia de hoje e amanhã teremos tempo de ter uma ou outra conversa só para questões mais específicas, não tanto para aquilo que é a realidade que vamos encontrar em termos de aspetos coletivos do adversário e do que tem feito. É uma equipa que a nível interno é muito dominante, está em primeiro lugar novamente, vem de um título e normalmente faz a vida muito difícil a todos os adversários com que joga. Uma equipa que em casa, pelo apoio que tem, acaba por ser muito forte. Na Europa tem sido diferente: na fase de liga da Liga Europa não começou tão bem, mas acabou por obter um resultado positivo, não sendo uma vitória, no último jogo. É uma equipa que irá reagir, como é lógico, atendendo à classificação que tem, e sabe que tipo de adversário vai defrontar. Jogando fora de casa não tem medo de jogar, tem aquela mentalidade de dominar jogos e não é muito fácil alterar totalmente de um jogo para o outro. Por vezes nós obrigamos, e acredito que iremos obrigar novamente os adversários a jogar de forma diferente no Estádio da Luz. É uma equipa que também tem essa qualidade em ataque rápido ou contra-ataque de criar problemas ao adversário, mas ao mesmo tempo não tem problema nenhum de ter a bola, até corre alguns riscos quando está na sua primeira fase de organização do ataque. Não tem problemas, podemos tirar muito proveito disso se o fizermos bem e se nos organizarmos bem defensivamente. Teremos de ter em atenção a sua qualidade, respeitá-los, mas eu digo sempre: respeitarmo-nos muito mais a nós, àquilo que é a nossa qualidade e aquilo que vai definir a nossa postura durante o jogo.

Imagens do último treino das águias antes do Benfica-Lech Poznan:

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— Tem-se falado muito da questão da extensão do plantel do Benfica e de como consegue ir gerindo, consoante as competições, os onze que vai utilizando. Isto foi algo que o surpreendeu, a capacidade que todos os jogadores foram mostrando nos diferentes desafios e a possibilidade que tem de ir fazendo esse tipo de rotações?
— Não posso dizer surpresa. É óbvio que os jogadores nesse aspeto têm estado muito bem, porque mesmo quem tem estado em muito bom momento sente que no jogo seguinte pode não jogar porque optamos por alguma rotação, por colocar um outro jogador de características diferentes. Temos jogadores, alguns deles até jovens, que gostam de jogar e gostam de estar sempre dentro do campo. É fazê-los perceber também que isto não são só 10 ou 20 jogos numa temporada, são muitos jogos, e não temos de estar todos perfeitos só em seis meses: temos de ter o máximo de rentabilidade ao longo de um ano. É importante podermos fazer isso. Quando jogamos esta competição, a Liga Europa por vezes em termos de calendário obriga a isso mesmo. Um bom exemplo é esta semana, acho que é o melhor exemplo do que muitas vezes temos de fazer enquanto equipa, e é o exemplo mais apertado que vamos ter. Acho que nós nunca tínhamos jogado segunda, quinta e domingo, vai ser a primeira vez que irá acontecer antes da paragem internacional que aí vem. E basta olhar para aquilo que são os três jogos em sete dias: jogar três jogos em sete dias não é algo muito normal, cria um desgaste muito grande a nível físico e mental também. Sei que estamos nos primeiros três ou quatro meses de temporada e ainda não podemos estar constantemente a falar de desgaste, não quero levar a conversa só por aí. Mas respondendo diretamente à questão, é importante fazê-lo. Muitas vezes, mais até do que a rotação, é os jogadores perceberem que, não alterando muitas das nossas características — em alguns momentos temos de alterar sem muito tempo para treinar, como devem calcular quase não há tempo para treinar, por exemplo, esta semana —, características pontuais que queremos mudar, seja no momento sem bola, no momento com bola, em momentos de pressão mais alta ou média... Muitas vezes a análise de vídeo que fazemos, alguns momentos sem aquisição no treino mas com outro tipo de ferramentas que temos, é muito mais importante aí os jogadores terem a capacidade de se adaptarem e de mudarem o chip de um jogo para o outro, para depois podermos ter exibições que nos permitam ganhar jogos. Este é o mais importante e os jogadores têm respondido muito bem nesse aspeto. Mesmo com algumas alterações pontuais que temos feito, têm respondido bem e mostrado uma abertura muito grande. Isso fá-los crescer, faz-nos crescer como equipa e individualmente.

— Em relação a Clément Lenglet, em que condições é que está, se está apto ou não? E em relação a Enzo Barrenechea, já está em condições de jogar 90 minutos?
— Está em condições de começar, depende da nossa decisão. Noventa minutos não lhe vou dizer que, se amanhã o colocarmos a jogar de início, aguente a uma intensidade alta; possivelmente a partir dos 60 poderá começar a sentir mais cansaço. Por isso mesmo é que existem os jogos: independentemente de em treino tentarmos replicar muito o que é o jogo, não há milagres, o jogo é que dá algo aos jogadores que é difícil espelhar a cem por cento no treino, apesar de ser nossa obrigação tentar igualar o máximo possível pelo processo de treino. Mas está apto a estar nos convocados se assim o entendermos, pode começar ou não. Será o primeiro jogo após uma paragem que posso dizer longa e, portanto, é uma decisão que ainda irei tomar para o jogo de amanhã. Mas é bom tê-lo de volta, é bom podermos, juntamente com o João e com o Manu, que podem fazer a posição, ter concorrência. É um jogador que tem características um pouco diferentes, que nos dá coisas boas. Teve um começo de pré-temporada e de temporada muito bom, estávamos muito satisfeitos com ele. Infelizmente veio uma lesão no momento em que ele estava bem. Faz parte, trabalhou bem, trabalhou forte, demorou a recuperar mas trabalhou bem e está apto para jogar. Em relação ao Lenglet, não estará no jogo de amanhã. Não nos parece algo muito sério, a nossa esperança é que possa estar para o jogo do próximo fim de semana. Mesmo sendo o espaço muito curto, para amanhã não estava a cem por cento e por isso mesmo não estará nos convocados.

— Já disse que queria conseguir o apuramento para a fase seguinte sem passar pelo play off. Tem três vitórias; estes dois jogos, o de amanhã e o seguinte em novembro, podem de alguma forma arrumar já esse objetivo?
— São importantes. É óbvio que nós queremos e sempre o dissemos: iremos lutar e temos vindo a lutar para a qualificação direta. É muito importante não acrescentar dois jogos do play off a um calendário já muito sobrecarregado da nossa parte. Portanto, tudo o que possamos fazer… Primeiro porque são três pontos em disputa em cada jogo e é esse o nosso objetivo e obrigação, lutar por eles. E depois será uma consequência, se o fizermos bem, não termos um extra de dois jogos num momento muito particular da temporada com muitos jogos, que se pudermos evitar, iremos evitar. Depende de nós, depende da nossa capacidade, daquilo que nós podemos e devemos fazer ao longo dos próximos jogos, começando pelo de amanhã, que é o mais importante porque é o próximo. Sei que é um clichê, mas é a realidade. Na nossa casa, o que é importante. Temos vindo a ter exibições muito boas na fase de liga da Liga Europa, e já o tínhamos feito numa fase diferente da competição, nas qualificações. Portanto, amanhã será mais um jogo contra um adversário bom, que tem qualidade e que está disposto a criar-nos problemas, com certeza absoluta. Nós temos de mostrar qualidade e ser uma equipa capaz, independentemente de mudarmos ou não um bom número de jogadores. Já demos provas de que, quando o fizemos, os jogadores responderam bem. Se o voltarmos a fazer, é importante os jogadores aproveitarem, é uma oportunidade para ser agarrada. Alguns jogadores vêm de lesão: falámos há pouco do Enzo, e o próprio Banjaqui, felizmente para nós, estará nos convocados também. Nós temos sobrecarregado muito o Bah, como vocês sabem, com muitos jogos. No jogo para a Taça da Liga optámos por jogar com dois laterais-esquerdos para rodarmos um pouco aquilo que tem sido a sua utilização. Ter o Banjaqui de volta acaba por ser importante para nós. Independentemente da rotação que possamos ou não fazer, é importante a equipa estar ao nível que o jogo vai exigir, estarmos preparados para aquilo que o jogo pede. São mais três pontos para darmos o máximo para conquistar e irmos somando pontos, porque se o fizermos iremos conseguir o objetivo.

— Já disse várias vezes a intenção de chegar o mais longe possível na prova. O Benfica começou com três vitórias nesta fase de liga e tem marcado muitos golos. Acha que os adversários começam a olhar para o Benfica com olhos diferentes e se calhar cada vez mais como favorito na prova?
— Não gosto muito de falar de favoritismos. Isso temos de provar no campo, se somos melhores do que cada adversário que vamos defrontar. Estamos numa fase de liga muito inicial daquilo que é esta competição. Como sabem, tivemos seis jogos de qualificação que não são muito normais para um clube da nossa dimensão jogando esta competição. Tivemos de os fazer e fizemo-los bem, independentemente de termos começado com o pé esquerdo, como sabem tão bem como eu. A realidade é que a equipa depois reagiu muito bem, como tinha de reagir, e temos vindo a crescer como equipa. Se fazemos muitos golos ou não... Nós jogamos de uma forma muito clara e por vezes não é possível fazer muitos golos. Um bom exemplo é aquilo que aconteceu no último jogo no campeonato. Nós temos de ser capazes de ganhar jogos de uma forma ou de outra; o objetivo é sempre termos um jogo à nossa imagem, mas nem sempre isso é possível. Algumas vezes por não estarmos no nosso melhor dia ou noite — acredito que tenha sido o que aconteceu no último jogo —, outras vezes por mérito do adversário, porque não jogamos sozinhos. O adversário também teve o seu mérito no último jogo, mas olhando mais para nós, para aquilo que podíamos ou não ter feito diferente... Sabem que eu olho muito para a nossa postura e a nossa prestação, o que fizemos e não fizemos tão bem. Neste momento, já analisando o jogo e tendo tido tempo de o fazer com os jogadores, tirámos coisas muito positivas daquele jogo. Uma delas foi não termos sofrido golos, o que é muito importante para nós. Já tivemos momentos em que marcámos e acabámos por não vencer, e este foi um bom exemplo: fizemos só um golo, não estamos tão habituados a marcar só um golo, mas por norma somos uma equipa que marca. Acho que até hoje marcámos em todos os jogos. Portanto, se fizermos bem a outra parte do jogo, que é não sofrer, iremos estar muito perto de vencer jogos. É óbvio que ao longo da temporada as equipas analisam-nos, como nós fazemos aos nossos adversários. Há um respeito muito grande. Mais uma vez, temos de estar habituados a jogar muitas vezes contra 9 ou 10 jogadores à volta da sua área — aconteceu no último jogo novamente — e temos de ter a capacidade de desmontar a organização com uma leitura e tomada de decisão que o jogo exige. Esse é o nosso objetivo: dar cada vez mais ferramentas aos jogadores para poderem tomar essas decisões o melhor que podem.

— Já referiu que Enzo Barrenechea está apto a começar. João Palhinha tem sido um jogador importante na equipa: a condição física e a gestão dessa condição tem-no preocupado?
— Dentro daquilo que são as nossas possibilidades e aquilo que queremos gerir, se se lembrarem, há uns dez dias no jogo com o Omonia decidimos não começar com ele e começou o Manu. Tínhamos em mente e tínhamos planeado que, por exemplo, no jogo com o Gil Vicente em casa para a Taça da Liga queríamos que o João estivesse no jogo, e optámos por fazer diferente: em vez de fazermos rotação na Taça da Liga na posição dele, fizemos no jogo com o Omonia. Todas estas questões têm a ver com o planeamento. Nós olhamos muito para o jogo seguinte, mas depois faz parte olhar um pouco mais à frente também, perceber isso numa densidade grande de jogos. Foi o que fizemos nesse jogo. Com a lesão do Enzo, em alguns momentos não o pudemos fazer tanto; no jogo em que começou o Manu, fizemo-lo. Faz parte. Não quero particularizar só no João: tem sido um jogador com alguns minutos, mas não está de perto nem de longe entre os jogadores com mais minutos da nossa equipa esta temporada. Temos alguns jogadores bem à frente dele nesse aspeto, até porque o João na seleção fez dois jogos e não jogou outros dois, em termos de minutos não jogou os quatro jogos completos. Nós temos todos esses dados para ir gerindo da melhor forma e termos os jogadores o mais frescos que conseguirmos. Mas quando jogamos competições europeias, de quinta a domingo ou de quinta a segunda, é quase impossível tê-los totalmente frescos para o jogo seguinte. Os jogadores também se têm de ir habituando a isso. Falando diretamente do João, ele está habituado a isso: vem de realidades em que, mesmo na época passada não jogando em competições europeias, estava habituado a jogar muitas vezes a meio da semana, portanto está preparado.

— Há um jogador formado no Seixal a dar nas vistas lá fora, Gustavo Varela, o melhor marcador da Liga italiana, que o Benfica vendeu no verão [ao Monza] sem fazer a pré-temporada. O que acha de ver um talento do Seixal a brilhar lá fora e acha que podia ser um dos avançados do Benfica neste momento?
— Estou aqui para falar dos jogadores do Benfica e dos jogadores que fazem parte do plantel do Benfica.

— No plano tático, como é que vê a evolução e a margem de progressão de Claudio Echeverri, que foi eleito homem do jogo contra o Alverca? E, dentro do estilo de jogo do Benfica, que dinâmicas pretende reforçar com o seu encaixe?
— É um jogador que tem — e vocês também reconhecem isso, basta vê-lo dentro do campo, e quem o conhecia do passado também sabe — um talento enorme. É um jogador com características muito específicas, entre ser médio e um segundo avançado. Na época passada até teve alguns momentos a jogar quase como dois avançados, a ser um deles, quase como um falso 9 em alguns momentos. Tem um talento enorme, tecnicamente é muito evoluído em espaços reduzidos, e quando o jogo está um pouco mais apertado tem capacidade de grande decisão, de receção entrelinhas, de sair do primeiro movimento e do primeiro adversário com grande facilidade. Ao mesmo tempo, pela sua baixa estatura tem um centro de gravidade baixo e consegue executar rápido e mover-se rápido. Está a crescer em termos físicos, precisa de crescer nesse aspeto. Só o jogo lhe dará isso também, mas tem qualidade de definição, vai crescer e demonstrar mais isso. Ainda não tem arriscado muito em situações de remate de longa distância, onde tem uma grande capacidade, e tem também uma grande capacidade de bola parada que ainda não teve oportunidade de demonstrar. Esta é a confiança que nós lhe queremos dar para ele poder expressar cada vez mais as qualidades individuais que tem, porque tem muitas, mesmo em termos de finalização perto da área e de meia distância. Nós vemo-lo diariamente e sabemos essa capacidade que tem. Ele tem de colocar isso ao serviço da equipa e a equipa também lhe dar essa possibilidade. A forma como vamos encaixar, acho que o último jogo é um bom exemplo. Pela forma como nos posicionamos em 1-2 no meio-campo, não queremos que os nossos dois jogadores interiores percorram a largura toda do terreno, não é isso que pretendemos. Em alguns momentos sim, ele tem essa oportunidade de o fazer, mas normalmente são jogadores que estão no seu espaço e depois, a partir dali, expressamo-nos seja com apoios mais interiores e avançados, seja com apoios entre lateral e central ou extremo. É isso que nós pretendemos dar-lhe. Requer que os jogadores tenham alguma paciência, porque nós sabemos como fazer a bola chegar àquelas posições para depois eles poderem definir bem. O último jogo foi um bom exemplo disso: percebeu bem os momentos e onde se tinha de colocar, e deu-nos coisas num jogo que estava apertado. O adversário estava muitas vezes a fazer um quadrado no corredor para controlar o nosso triângulo e tentar fazer superioridade no corredor; nós, na segunda parte, desbloqueámos muito bem esse momento e ele foi uma peça fundamental nesse aspeto, percebeu bem isso. Defensivamente está a crescer, é um jogador que trabalha bem para a equipa naquele 4-4-2 em que nos posicionamos. Estamos satisfeitos com ele e o bom, sinceramente, é que sentimos — e ele também o sabe — que há um espaço grande para continuar a crescer, quer fisicamente, quer em entendimento do jogo, quer em confiança nele próprio para expressar ainda mais o talento que tem.

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