Ator Russell Brand condenado por violação e agressão sexual
O ator Russell Brand enfrenta uma pena de prisão pesada após ter sido considerado culpado, esta quinta-feira, num tribunal em Londres, pela violação de uma jovem admiradora e pela agressão sexual a três mulheres. O ator, comediante e figura mediática britânica, de 51 anos, ficou a conhecer o desfecho judicial após cerca de oito horas e meia de deliberação por parte de um júri.
Brand foi condenado pela violação de uma fã de 21 anos em 2009, ocorrida após se terem conhecido num dos seus espetáculos em Londres. O britânico foi igualmente considerado culpado de apalpar uma funcionária da MTV num bar em 2004, de beijar e apalpar outra mulher no seu local de trabalho em 2005 e de agredir sexualmente uma terceira mulher em 2009, quando esta foi forçada a fazer-lhe uma massagem. Em contrapartida, o júri absolveu o artista de duas outras acusações de violação e de uma acusação de tentativa de atentado ao pudor.
O juiz Joel Bennathan ordenou que Brand aguardasse a sentença em prisão preventiva, agendando a decisão final para a próxima segunda-feira. Ao intervir após a leitura dos veredictos, o magistrado considerou o processo «muito bem preparado» e sublinhou que a consequência dos factos provados será «inevitavelmente uma pena de prisão efetiva significativa».
A acusação manteve que o ator «usou a sua influência, estatuto e fama para explorar e cometer crimes sexuais contra mulheres». Por sua vez, o superintendente e detetive Andy Furphy destacou em comunicado: «À medida que o seu perfil crescia, aumentava também o seu sentimento de impunidade. Espero que esta condenação envie uma mensagem clara de que ninguém está acima da lei, por mais famoso ou poderoso que seja.» A força policial confirmou ainda que decorrem investigações sobre outras duas alegações de violação imputadas ao britânico.
O julgamento teve início em meados de outubro em Londres. Ao longo de três semanas de testemunhos emotivos, as queixosas relataram perante o tribunal a forma como foram forçadas a atos sexuais numa época em que Brand se afirmava como um dos comediantes e apresentadores de televisão mais populares do Reino Unido. Uma das vítimas explicou que o encontro no Hammersmith Apollo, em 2009, resultou num ato consensual inicial, mas que um encontro posterior na residência do arguido culminou numa violação, tendo Brand ignorado os seus pedidos para parar. Outra queixosa declarou ter sentido «vergonha» quando o artista agiu «como se nada tivesse acontecido» após tê-la apalpado numa festa num bar em Soho, no centro de Londres, em 2004.
Durante as audiências, a acusação descreveu Brand como um homem empenhado numa missão pessoal de manter relações sexuais com cinco mil mulheres. O britânico reconheceu em tribunal que era obcecado por sexo na época em questão, mas defendeu que o consentimento nas relações era «fundamental».
As averiguações policiais foram desencadeadas em 2023, na sequência de uma investigação conjunta levada a cabo pelos jornais The Sunday Times e The Times em parceria com o Channel 4. Na altura, várias mulheres sem ligação entre si avançaram com denúncias às autoridades, acusações essas que o comediante sempre rejeitou.