Mateus e Rui Costa, antigos jogadores de Benfica e Estrela da Amadora no empate 0-0 de 2007/08 (foto: A BOLA)
Mateus e Rui Costa, antigos jogadores de Benfica e Estrela da Amadora no empate 0-0 de 2007/08 (foto: A BOLA)

Estrela da Amadora: «Defender bem, jogar com o tempo e ferir o Benfica»

A receita é óbvia, mas funciona, acredita o último treinador a roubar pontos às águias na liderança técnica do Estrela

Poderá parecer uma verdade de La Palice, mas Daúto Faquirá, último treinador que conseguiu com o Estrela da Amadora pontuar frente ao Benfica, um 0-0 na jornada 29 da temporada de 2007/08, acredita que, à partida, será a forma mais lógica de a equipa agora liderada por Pepa conseguir surpreender o Benfica no domingo, para a 11.ª ronda da Liga desta época.

Faquirá recorda-se de ter «roubado pontos» ao Benfica em vários jogos, mas não consegue detalhar em concreto o desafio de 4 de maio de 2008, quando o Benfica — treinado por Fernando Chalana e, entre outros, com Rui Costa, atual presidente, ainda como jogador — também visitou o Estádio José Gomes, na Reboleira.

Daúto Faquirá, treinador (foto: A BOLA)

«Os índices de confiança dos jogadores das equipas que lutam pela manutenção estão sempre muito elevados quando defrontam os grandes. Também tínhamos uma boa equipa», recorda o técnico de 60 anos, torcendo o nariz à ideia de que o Estrela de Pepa atravessa uma má fase (está no 12.º lugar e na Liga perdeu os últimos quatro jogos): «São momentos e é preciso ter a capacidade de os gerir. A luta destas equipas, destes plantéis, obedece a ciclos, porque é muito difícil conseguirem estar sempre bem, ou lutariam pelas competições europeias. O que é preciso é que toda a gente, treinador, jogadores, dirigentes, toda a estrutura mantenha a tranquilidade e a confiança.»

O que é preciso é que toda a gente, treinador, jogadores, dirigentes, toda a estrutura mantenha a tranquilidade e a confiança.

Sendo o jogo na Reboleira, isso «beneficia» o Estrela, pois «há sempre um melhor conhecimento do campo, há referências», mas o factor casa diluiu-se um pouco, neste caso, porque na Amadora «há sempre muito benfiquismo», lembra Daúto Faquirá. O técnico acredita que os tricolores «poderão perfeitamente surpreender», sendo difícil não lembrar as dificuldades que os encarnados sentiram na jornada passada frente ao Alverca (1-0) e a jogar no Estádio da Luz.

Alisson Souza integrado

Alisson Souza, extremo brasileiro de 21 anos, recomeçou a treinar-se durante a semana, depois da lesão que sofrera, e nesta altura representa mais uma solução para o treinador. Alisson ainda trabalha para recuperar a melhor forma, mas clinicamente está disponível para ser lançado no jogo de domingo frente ao Benfica, se o treinador entender. O atacante fez seis jogos esta temporada, apenas um na condição de titular, na vitória frente ao Fazendense (2-1), na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal — ainda não tem golos ou assistências. À boa notícia da reintegração de Alisson Souza junta-se o regresso de Robinho, médio que também já é opção após debelar lesão muscular. O plantel do Estrela da Amadora deu ontem seguimento à preparação do desafio e este jogo está a causar uma onda entusiasmo na Reboleira. Que deve ter casa cheia...

«Acredito que o Benfica também tenha acusado algum desgaste. A verdade é que é muito difícil travar este Benfica, porque tem os centrais, o João Palhinha, talvez também o Aursnes como peças mais fixas, mas depois tem grande mobilidade nos restantes elementos. Prestianni, Schjelderup, Echeverri, Rafa, Sudakov, Lukebakio... todos eles criam muito, são muito dinâmicos, são difíceis de condicionar», analisa Faquirá, acreditando, porém, que «Pepa conhece bem a equipa que tem» e estará a prepará-la para a ideia que, na sua opinião, pode resultar e permitir ao Estrela da Amadora provocar uma surpresa: «Poderá condicionar o Benfica, reduzir espaços, defender bem, jogar com o tempo e, parece-me importante, nunca se demitir de tentar ferir o Benfica onde a equipa tem fragilidades, porque as tem.»

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