Atenção, Sporting: Munique é terrível para os portugueses
MUNIQUE — A memória do Sporting em Munique continua profundamente marcada por 2009. Depois da derrota por 0-5 em Alvalade, a equipa então orientada por Paulo Bento enfrentou uma das noites mais duras da sua história europeia, saindo da Allianz Arena vergada a 1-7, que até hoje continua a ser a pior derrota leonina em competições europeias.
Mas nem sempre a viagem a Munique terminou em pesadelo. Em 2006, o Sporting conseguiu a proeza que só uma outra equipa portuguesa replicou: um empate na Baviera. O nulo (0-0) para a fase de grupos da Champions é ainda hoje recordado como uma das raras noites nas quais o colosso alemão não conseguiu impor a sua força diante de um adversário português. Ao lado deste empate leonino, há apenas mais um resultado positivo para Portugal: o 1-1 arrancado pelo FC Porto, em 1991, nos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus. Feitos (praticamente) isolados e que permanecem como exceções num histórico quase completamente pintado de vermelho e branco.
Porque tudo o resto é Bayern. E muito Bayern. Ao todo, em 15 jogos contra formações lusas, contam-se 13 vitórias dos alemães, apenas dois empates (aqueles de Sporting e FC Porto), com 49 golos marcados pelo colosso bávaro e 12 sofridos. Uma taxa de sucesso enorme e um domínio que atravessa décadas e diferentes competições.
Desde 1967, quando o Vitória de Setúbal inaugurou este histórico com um 2-6, até às vitórias mais recentes sobre o Benfica - 0-1 em 2016 e 2024, 1-5 em 2018 e 2-5 em 2021 -, o padrão manteve-se praticamente intocado. E é precisamente o conjunto encarnado quem mais tem sentido o peso da Baviera, acumulando sete derrotas, mais do que qualquer outra equipa portuguesa.
Mas, apesar daquela igualdade no início dos anos 90 - e da famosa vitória na final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, realizada em Viena -, frente ao Bayern, o FC Porto também soma desaires: caiu por 6-1 nos quartos de final da prova milionária de 2014/15, depois de um 2-1 igualmente desfavorável em 1999/00, na mesma fase.
Além dos três grandes e dos sadinos, também Boavista e Belenenses por lá tropeçaram. Os axadrezados perderam por 0-1, na fase de grupos da Champions de 2001/02, o mesmo resultado que a formação da Cruz de Cristo, na altura treinada por Jorge Jesus, trouxe da Alemanha, na primeira ronda da Taça UEFA 2007/08.
Números que não enganam e que mostram que jogar em Munique não é apenas enfrentar uma equipa, é enfrentar uma história. Uma história feita de noites duras, goleadas, momentos de tristeza… e apenas duas raras exceções que provam que não é impossível, apenas extremamente difícil.
É esse o desafio do Sporting na próxima terça-feira. Quase duas décadas depois do último empate e 16 anos depois do 1-7, os leões regressam à Baviera com a ambição de contrariar uma estatística que parece escrita em pedra e tentar juntar o seu nome, de novo, ao grupo (muito) restrito dos que escaparam sem perder em Munique.