As razões financeiras para a saída de Mora, resposta (dura) às acusações, Fofana, Giménez e Arouca: tudo o que disse Farioli
Francesco Farioli fez a projeção do encontro com o Arouca, na sala de imprensa do Olival, perspetivando um desafio complicado para os campeões nacionais.
— Jogo de destaque desta jornada com as duas equipas do topo da tabela. Para além de um excelente arranque deste Arouca, é já uma equipa sólida e com vários padrões, muito pelo trabalho de Vasco Seabra. O que é que espera deste Arouca no Estádio do Dragão?
— Se me permitirem, porque imagino que a certa altura isto vai ser um pingue-pongue entre perguntas e argumentos do mesmo assunto. Gostava de começar a falar do Rodrigo Mora, fechar esse capítulo e, depois, passamos ao jogo do Arouca, que é onde, naturalmente, a nossa atenção deve estar.
— Falando do Rodrigo Mora, uma dupla pergunta: sente, enquanto treinador, que falhou de alguma forma com o Rodrigo, visto que ele era visto como um dos grandes talentos do plantel, não teve se calhar o impacto que se esperaria na última época e agora acabou por sair? Sente de alguma forma culpa pela forma como ele saiu?
— Sobre essa parte, porque as últimas duas semanas têm sido cheias de diferentes opiniões, há uns dias dei alguns números sobre o tempo de jogo e trouxe notas para ser realmente preciso. Em primeiro lugar, a decisão e o facto de o Rodrigo sair é uma decisão financeira. Como sabem, o negócio de mais de 50 milhões de euros representa o maior valor líquido do clube. É a maior transferência na história da Roma e uma das cinco maiores de sempre do FC Porto. Portanto, foi definitivamente uma oportunidade de mercado muito boa que trouxe o dinheiro que um clube como o FC Porto, que precisa de vender para continuar a avançar, necessita. Esse é o primeiro capítulo. Segundo capítulo: sobre os minutos e o quanto ele jogou. Ouvi dizer que ele era a minha terceira escolha ou que eu não o considerava muito. Pelos números — e não considero os do Transfermarkt, mas os nossos números exatos — o Rodrigo jogou um total de 1.946 minutos e o Gabri Veiga jogou 2.699 minutos. Na Liga, o Rodrigo fez 1.177 minutos e o Gabri 1.622. Na Liga Europa, jogaram exatamente o mesmo: 433 minutos o Rodrigo e 442 o Gabri. Portanto, a distância não é assim tanta. Se formos por presenças no onze inicial, o Rodrigo foi titular 21 vezes e o Gabri 31. O Rodrigo entrou vindo do banco 23 vezes e o Gabri 17. Graças a Deus, conseguimos que ambos estivessem lesionados em apenas dois jogos cada. Quando se tem dois jogadores ao mesmo nível, tem de se gerir de acordo com o jogo, os resultados e as necessidades. Quanto à sua pergunta, acredito verdadeiramente que foi uma época positiva, uma época em que ele sai do clube como campeão, com mais dois títulos no currículo e com uma relação honesta e muito justa entre mim e ele. Tudo o que foi dito sobre mim e sobre ter mandado o Rodrigo para fora do clube é falso. Acredito que tentei ajudá-lo da forma que vejo o futebol. Hoje o Rodrigo é um jogador mais completo, é o mesmo talento que era há 14 meses, mas hoje é um jogador de equipa. Estou absolutamente seguro de que o que ele aprendeu este ano será muito bom para a sua carreira e para o próximo capítulo em Roma. É um rapaz que foi adorável connosco, que não jogou o último jogo porque a negociação estava muito perto do fim. Antes do jogo com o Rio Ave, chamei-o ao balneário para lhe dizer que, se não fosse absolutamente necessário, não o iria utilizar devido ao negócio estar quase feito. Pedi-lhe que falasse à frente do grupo antes de irmos para o campo. O discurso dele foi apenas sobre o seu amor pelo Porto. Mais uma vez, é um jogador muito jovem, mas já com uma liderança e capacidade de assumir responsabilidades. O seu contributo para o que fez aqui no FC Porto foi muito positivo. Desejo-lhe muito sucesso porque é um jogador que merece o melhor.
— Saindo o Rodrigo Mora, é para si obrigatória a entrada de mais um jogador para o meio-campo, com características idênticas às dele ou talvez um pouco diferentes?
— Vamos ver o que o mercado nos trará. No momento, a realidade é que vamos para um jogo sem o Rodrigo, e nesse aspeto a equipa hoje está mais fraca do que com o Rodrigo.
— Como é que foi a sua experiência pessoal e o seu desafio pessoal de gerir este tema Mora ao longo de um ano? Sente de alguma maneira que lhe sobra mais tempo agora para pensar noutras coisas?
— Como disse, as últimas semanas foram sobre o Rodrigo. Aprecio a atenção que os media do Sul lhe deram e a forma como protegeram um talento do FC Porto. Não esperava este nível de amor e atenção pelo nosso menino. O que não gostei especialmente foram alguns comentários nos últimos dias. Lá fora havia ruído, mas internamente a minha comunicação com ele foi direta e nos últimos dias falámos três ou quatro vezes. Nunca tivemos nenhum problema, mas não foi uma situação fácil para ele nem para a equipa. Faz parte do passado e temos de seguir em frente. Só para terminar este assunto: esta manhã acordei com outra resposta e a ler na TV que eu estava a provocar alguém. Eu estava apenas a responder. Concordo que não deveria responder a um advogado, mas também é verdade que um advogado é um advogado até ao momento em que age como um advogado. No momento em que se vai a um programa de TV para criar um argumento, expor certas coisas e colocar-se numa posição diferente, além de escrever um editorial num jornal desportivo, então acredito que há um conflito de interesses que precisa de ser abordado. E foi o que fiz. Acredito que todos os envolvidos neste trabalho, e especialmente pessoas que foram para a universidade e estudaram tanto, devem perceber também o peso das palavras que usamos. Porque quando se começa a falar de sofrimento, de tristeza e, especialmente, 'Rodrigo Mora morto lentamente pelo treinador'... então acho que é algo que precisa de ser respondido de alguma forma. Um dos meus exames favoritos na universidade foi sobre o peso das nossas palavras e como estas moldam a realidade e a nossa mente. Acredito que aqui temos uma responsabilidade bastante grande e, se me perguntar, não gostei nada de como as coisas foram geridas. Houve falta de respeito profissional. Mas, com isto, fechamos tudo sobre esta 'telenovela'. Quanto ao Rodrigo, serei o seu primeiro adepto e desejo-lhe realmente o melhor a partir de amanhã, com o início da Serie A.
— O Arouca venceu duas vezes, ainda não sofreu golos esta temporada. Que dificuldades espera para o jogo? E pergunto-lhe também em relação ao boletim clínico.
— Sobre o Arouca, primeiro que tudo, eles trabalham com o Vasco Seabra há muito tempo e ele está a fazer um trabalho fantástico. Desde que cheguei, é uma das equipas de que mais gosto. Tenho na mente o jogo que fizeram em Alvalade antes de ficarem com 10 homens; fiquei impressionado com a mentalidade deles, com o que queriam fazer com e sem bola. O que fizeram especialmente na segunda volta da época passada foi notável. Dou-vos um dado que é um facto puro: nos últimos 10 jogos oficiais que nós jogámos e eles jogaram, estamos no mesmo trilho — 7 vitórias, 2 derrotas e 1 empate. Estão no topo da liga, têm duas vitórias como nós, mais um golo marcado do que nós e são das poucas equipas que ainda não sofreram golos. Amanhã será um jogo que exigirá a nossa melhor versão, com ainda mais atenção e respeito pela jornada que estão a fazer.
— Teve alguma conversa em particular com o Rodrigo Mora e deu-lhe algum conselho para esta nova etapa?
— Foi o que eu disse, falámos muito nestes dias. A nossa conversa foi muito transparente, muito honesta e com boas vibrações. Tudo foi muito claro de ambos os lados, sem esconder nada, nem emoções nem sentimentos. Para o Rodrigo foi um momento particular, é a segunda vez em poucos anos que entra num grande negócio e com possibilidade de sair do clube da sua vida. No ano passado foi principalmente um movimento financeiro; este ano é um movimento financeiro apoiado por um projeto desportivo de topo. É um bom passo para ele e desejo-lhe o melhor.
— Queria perguntar novamente pelo boletim clínico: se o Alberto, o André e o Alan Varela estão em condições de jogar?
— Sim, os três estão prontos, estão de volta à equipa. O Alan Varela voltou e fez o treino completo, portanto também ele é uma opção. Sobre os jogadores que estão fora, o Óscar, o Martim, o Samu e o Cláudio continuam a trabalhar à parte com a fisioterapia.
— Há a possibilidade de vir mais um médio. Os adeptos estão ansiosos por saber o nome desse jogador e surge a possibilidade de o Fofana regressar ao Porto. Era uma hipótese que lhe agradava?
— Há várias possibilidades, vários nomes sobre a mesa. Nos próximos dias veremos como as coisas se movem e o que é acessível do nosso ponto de vista. Temos claro para onde queremos ir e o tipo de perfil que queremos trazer. Sobre o Seko (Fofana), é um jogador adorado por todos e deixou aqui uma memória muito boa. Costumo falar com ele de vez em quando, mas não está connosco neste momento. Nestes dias vimos tantos nomes e acredito que apenas um acabará por entrar.
— Sendo a sua segunda época, sente-se mais confortável a analisar os adversários e a lidar com todas estas questões ligadas à política do futebol? Sente-se mais seguro nesta segunda temporada?
— Gosto de observar o adversário com um conhecimento diferente do da época passada. No ano passado, cada jogo era uma oportunidade para descobrir uma forma diferente de jogar. Agora já sabemos mais ou menos o que esperar, mas isso não muda o nível de consciência e análise que temos de ter, até porque as equipas começam a fazer coisas diferentes, a ajustar-se e a preparar-se melhor. Por exemplo, o Arouca este ano na pré-época teve momentos de pressão homem-a-homem, algo que na época passada não acontecia com tanta frequência. Conhecendo os nossos jogadores e onde estão os seus limites, tentamos trabalhar um centímetro acima desses limites em tudo. Até agora a resposta tem sido muito positiva. Ainda estamos num momento em que muitas coisas podem mudar, o mercado está aberto e infelizmente alguns jogadores estão lesionados, o que exige uma adaptação na gestão do plantel. No geral, os jogadores trabalharam muito bem nestes 60 dias desde que começámos e estamos com o mesmo desejo de melhorar a cada dia.
— Esta é a primeira época do novo calendário internacional para o FC Porto. Já começou com a Supertaça, terá jogos da Liga dos Campeões e sete do campeonato até à paragem das seleções, incluindo um clássico contra o Benfica. A preparação para a época incluiu esta nova dificuldade? Sente que a equipa já está preparada para jogar duas vezes por semana daqui a pouco tempo?
— Com certeza! O que quisemos fazer foi elevar o nosso nível, não apenas para a Liga dos Campeões, mas principalmente para a Liga. Sabíamos que o nível de exigência seria mais alto em todos os aspetos: físico, tático e na necessidade de estarmos atentos aos mais pequenos detalhes. É isso que tentamos fazer. Tentamos trabalhar conhecendo os limites dos jogadores. Até agora a resposta tem sido muito positiva. É um momento de adaptação e os jogadores têm trabalhado muito bem.
— Falou de algumas dificuldades ao nível do plantel devido às lesões. Com a saída de Rodrigo Mora, pergunto-lhe se neste momento o FC Porto precisa de mais um jogador e se esse jogador pode ser Santiago Giménez? O pai do jogador admitiu recentemente conversas com o FC Porto. É um jogador cujo perfil interessa ao clube?
— Internamente está claro o que temos e o que queremos fazer. Depois há o mundo ideal e há os diferentes graus de adaptação à realidade, de acordo com as nossas possibilidades e o que o mercado oferece. Também para a posição de número nove, muitos nomes têm sido ligados a nós. Não vou comentar nada que não esteja, neste momento, suficientemente perto de ser considerado uma oportunidade clara para nós. Gostaríamos de fazer mais alguns movimentos de entrada, mas não sei se será um, dois ou mais que dois. Esta parte final do mercado será bastante quente para todos perceberem o que vai acontecer.