Florentino Pérez, presidente do Real Madrid
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid

Árbitros espanhóis exigem processo disciplinar contra Florentino Pérez

Em causa declarações do presidente do Real Madrid sobre uma alegada corrupção sistémica na arbitragem, roubo de títulos e enriquecimento ilícito

A Associação Espanhola de Árbitros de Futebol (AESAF) avançou com um pedido de abertura de um processo disciplinar contra o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, junto do Comité de Competição da Federação Espanhola (RFEF). Em causa estão as declarações do dirigente sobre uma alegada corrupção sistémica na arbitragem, roubo de títulos e enriquecimento ilícito.

A queixa, considerada um passo sem precedentes por parte da AESAF, surge na sequência de afirmações proferidas por Florentino Pérez numa conferência de imprensa a 12 de maio e, posteriormente, numa entrevista ao canal La Sexta, a 13 de maio. Ambas as intervenções tiveram uma vasta repercussão mediática a nível nacional e internacional.

A associação de árbitros argumenta que as palavras do presidente do Real Madrid ultrapassam os limites da liberdade de expressão ou da crítica desportiva, ao imputarem ao setor da arbitragem um crime continuado ao longo de duas décadas. A AESAF sublinha ainda que a responsabilidade de Florentino Pérez é agravada pelo facto de representar «o clube mais mediático do mundo», o que amplifica o dano causado pelas suas declarações.

Entre as acusações denunciadas, destacam-se várias citações de Florentino Pérez. O presidente do Real Madrid falou em «roubo de títulos», afirmando: «Estive aqui muitas temporadas e ganhei sete Champions e sete LaLigas, porque as outras foram-me roubadas. Corrupção sistémica durante duas décadas e continuam a ser os mesmos árbitros.».

Florentino Pérez classificou ainda o Caso Negreira como «o maior caso de corrupção da história do futebol» e anunciou a preparação de um «dossiê de 500 páginas» para apresentar à UEFA. As denúncias incluíram também acusações de enriquecimento ilícito, com Florentino Pérez a declarar: «Eu não vim para aqui para que uns árbitros se enriqueçam com o dinheiro do Barcelona». Na entrevista à La Sexta, reiterou a ideia de parcialidade, acusando: «Corrupção sistémica. Continuam os mesmos árbitros a fazer as mesmas coisas, de uma maneira descarada. Esta temporada roubaram-nos 16 ou 18 pontos.»

Face à gravidade das acusações, a AESAF solicita ao Comité de Competição a aplicação de medidas cautelares urgentes para impedir a repetição de declarações semelhantes. Pede também que Florentino Pérez seja obrigado a indemnizar o coletivo de arbitragem por danos morais, profissionais e de reputação, e que o Real Madrid emita um comunicado público de retificação e pedido de desculpas.

A associação esclareceu que decidiu divulgar a sua posição após a jornada a meio da semana da equipa principal do Real Madrid, com o objetivo de zelar pelo respeito pela competição e pelo futebol espanhol. A AESAF considera as declarações de Florentino Pérez um «ataque grave e sistemático à honra do coletivo de arbitragem, sem respaldo judicial», e afirma estar a agir em defesa da dignidade e integridade dos árbitros em Espanha, em conformidade com as suas funções estatutárias.

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