Já começou o processo das eleições do Real Madrid
MADRID — Arrancou esta quinta-feira o processo das eleições antecipadas no Real Madrid, anunciadas pelo presidente, Florentino Pérez, na conferência de imprensa da passada terça-feira. Já estão estabelecidos os prazos para os diferentes passos que se darão até chegarem às votações, se é que as haverá.
Nos primeiros dois dias, os sócios poderão comprovar se têm os nomes inscritos nos cadernos eleitorais. Também a partir desta quinta-feira começam a contar os 10 dias, que irão até 24, para apresentação das candidaturas, ficando-se a saber, nas 24 horas seguintes, se foram aceites ou rejeitadas, decisão que poderá ser recorrida nos dois dias imediatos.
Terminados estes prazos, dar-se-á a conhecer a data das eleições, que só terão lugar se houver mais do que uma candidatura. Se a única apresentada for a da atual direção, Florentino Pérez será automaticamente eleito presidente para novo mandato de quatro anos, algo que já sucedeu em 2009, 2013, 2017, 2021 e 2025, anos de sufrágios em que não teve opositores.
As condições para poder ser candidato não são fáceis de reunir: ser espanhol e sócio do clube nos últimos 20 anos de forma ininterrompida e apresentar uma garantia bancária pelo valor correspondente a 15% do orçamento anual do clube, qualquer coisa como 187 milhões de euros.
Rafael Nadal, bom amigo de Florentino, já anunciou que não se apresentará nem fará parte de nenhuma candidatura. Não agora, mas o antigo tenista é, sem dúvida, um potencial futuro presidente do Real, clube do qual é fervoroso adepto.
A menos que surja qualquer surpresa, o único que se prepara para fazer frente a Florentino Pérez é Enrique Riquelme, um jovem empresário de 37 anos com grande êxito no setor da energia. Tem a antiguidade requerida e uma boa fortuna, o que lhe falta é tempo para poder construir a candidatura e reunir à sua volta um grupo de pessoas de confiança, elaborar um projeto que convença os sócios, que quererão saber quem, no caso de ganhar, será o novo treinador e que jogadores pensa contratar para reforçar o plantel.
Enrique Riquelme escreveu uma carta pedindo ao presidente para ampliar os prazos, mas a resposta não podia ser outra: os estatutos são o que são e que há que respeitá-los. A convocatória de eleições a toda a pressa fez do fator surpresa um dos elementos fundamentais da estratégia de Florentino para continuar a presidir ao clube.
Durante todo este processo, a atual direção continuará a gerir, em funções, o dia à dia do Real Madrid com poderes suficientes para tomar decisões como, por exemplo, a de contratar José Mourinho. O lógico, porém, é que o assunto fique paralisado até depois das eleições.
O próprio Florentino Pérez reconheceu que, entre os sócios, há divisão de opiniões sobre o técnico português e não parece que seja prudente anunciar o regresso do Special One antes de ter garantida a continuidade como presidente do Real Madrid. Embora, como sucede com Roma, todos os caminhos do novo técnico dos madrilenos vão dar a Mourinho.