Florentino Pérez: «Não me demito, convoco eleições»

Presidente do Real Madrid abordou temas quentes em conferência de Imprensa convocada de urgência esta terça-feira

Florentino Pérez quebrou o silêncio e abordou o caos que o Real Madrid tem vivido nos últimos dias, em conferência de Imprensa convocada em cima da hora esta terça-feira, em Valdebebas.

O presidente dos merengues assumiu que não se vai demitir, mas convocou eleições. «Obrigado a todos por estarem presentes. Lamento dizer-vos que não vou demitir-me. Solicitei à comissão eleitoral que desse início ao processo para a realização das eleições para a direção, às quais esta Direção se vai candidatar», começou por dizer. 

«Criou-se uma situação absurda contra o Real Madrid e contra mim. Não se ganha sempre, mas não o admitimos. Aproveitam-se desta situação para me atacar. Onde está o Florentino? É o que dizem, se eu não falo. Alguns dizem que estou doente, que tenho um cancro terminal. Aproveito para agradecer às pessoas que se preocupam comigo. Continuo a presidir ao clube e à minha empresa, que fatura 50 mil milhões de euros por ano. A minha saúde é perfeita. Se me dissessem que tenho cancro, teria de ir para um centro oncológico. Teria sido notícia em todo o mundo. Não é verdade e esse rumor espalhou-se», prosseguiu.

«Não me assustam»

Florentino Pérez disparou em todas as direções, puxando dos galões e recordando os títulos conquistados desde que assumiu a presidência, há mais de duas décadas. «Sou o primeiro a querer ganhar tudo. Comigo como presidente, conquistámos 37 títulos no futebol e 29 no basquetebol. Quero falar de todos aqueles que estão a fazer campanha nas sombras. Convido todos aqueles que queiram candidatar-se. Eu vou candidatar-me para defender os interesses dos sócios do Real Madrid. Não vão intimidar-me, não me assustam. Isso dá-me muita energia», atirou.

«Há setores que querem mandar no Real Madrid, mas não conseguiram. Aqui não mandam os jornalistas nem os seus colegas. As pessoas não acreditam neles, acreditam em mim. Os jornalistas acham que intervêm nas decisões do clube porque são importantes, mas não é assim. Aqui quem manda são os sócios. Que não façam coisas estranhas. Quem quiser candidatar-se, que se candidate. Mas que não andem por aí a dizer que estou cansado. Não posso aceitar isso só porque este ano não ganhámos a LaLiga e a Champions. Dizem que agora o Madrid é o caos e é o clube mais prestigiado do mundo», acrescentou.

«Caso Negreira é o maior escândalo da história»

O dirigente máximo dos madrilenos falou sobre o Caso Negreira, que envolve o rival Barcelona: «Há três anos que tomámos conhecimento do Caso Negreira. O maior escândalo da história. Já há duas décadas que se pagam subornos, mas é que nesta terceira década continuam a ser os mesmos árbitros. Iremos apresentar um dossiê importante à UEFA para que esta resolva o problema na origem e encerre o caso, para o bem do futebol mundial.»

«Temos o plantel mais valioso do Mundo»

Pérez recordou o valor do plantel dos blancos e voltou a tecer duras críticas aos jornalistas: «É o clube com o maior palmarés da história mundial. O clube mais valioso segundo a Forbes. A marca mais valiosa. Por que é que os jornalistas se metem com o clube mais prestigiado e com mais adeptos do mundo? Se é um património de todos. Tenho vergonha de dizer que fui eleito o melhor presidente da história. Temos o plantel mais valorizado segundo o Transfermarkt. Temos tudo.»

Pouco depois, o presidente do Real Madrid teve uma discussão acesa com o jornalista Rubén Cañizares, da ABC: «É uma campanha organizada. A Vocento é proprietária do ABC e criou o Relevo. De acordo com a LaLiga, dedicaram-se a criar um jornal digital que perdeu 25 milhões durante a sua existência. Quando a LaLiga deixou de pagar, foram para a Telefónica e depois para a Telecinco para ver se pagavam. O seu único objetivo era atacar o Real Madrid e o seu presidente, Florentino Pérez. Ninguém o comprava, ninguém o comprou e isso causou uma cisão lá. O meu pai lia sempre o ABC e subscreveu-me há muitos anos. Eu queria honrar o meu pai, mas agora tomei a decisão de cancelar a minha assinatura do ABC. O meu pai vai agradecer-me. Como é que o ABC pode fazer isso?»

«Todos os dias atacam o Madrid. Vejam os dois artigos que publicam hoje. Um deles foi escrito por uma mulher que não sei se percebe de futebol ou não», atirou, antes de surgir a resposta de Rubén Cañizares imediatamente: «Eu faço jornalismo, não ataco o Madrid. O senhor está a atacar o meu trabalho.»

«Não me vou embora, serei o último sócio a sair»

«Não compreendo a Imprensa espanhola. Abusaram do argumento do vamos ver se eu me vou embora. Eu não me vou embora. Serei o último dos sócios a sair. Os donos do Real Madrid são os sócios. Se alguém quiser candidatar-se às eleições, que não faça ameaças, que se candidate e que diga como vai financiar a campanha. Que não perguntem aos bancos se o presidente de uma empresa de eletricidade pode avalar a candidatura... Em 2000, eu disponibilizei174 milhões de pesetas (cerca de um milhão de euros atualmente) para que pudessem pagar os salários. Não pagavam aos jogadores. Os jogadores não recebiam e a mulher de Bodo Ilgner veio pedir-me dinheiro logo que entrei. O Roberto Carlos, que também ainda está por aqui... Tive de contribuir com esse dinheiro do meu património e hoje o Real Madrid está numa situação muito saudável», frisou.

«Há quem diga que o estádio começou por 600 milhões de euros e acabou por ficar em 1300, mas isso não é verdade. Os 600 milhões foram do primeiro contrato da cobertura, depois fizemos o hipogeu e a decoração do estádio. Quero acabar com esta corrente antimadridista que se instalou no jornal. Convoquei as eleições para defender os sócios. Uns, do ponto de vista jornalístico, e outros, por outras razões, querem ficar com o Real Madrid. Estou aqui há 26 anos e não vou permitir isso», disse.

«Estou a concorrer às eleições porque há setores que tentaram apropriar-se do clube e dizer que o Real Madrid está num caos. Depois, há os ultras que expulsámos e que me felicitam por todo o lado depois de os ter expulsado, e eles nunca mais vão voltar. Também há os revendedores que tenho de expulsar. Este ano já expulsámos 1.600...», prosseguiu.

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