Apuramento, alívio e beijo apaixonado na bancada: o dia do homem que esteve sete minutos morto

Stale Solbakken, selecionador da Noruega, tem história de vida sofrida, partilhada com a companheira Anniken

O selecionador da Noruega, Stale Solbakken, celebrou a vitória por 3-2 sobre o Senegal, que garantiu o apuramento para a próxima fase do Mundial 2026, de uma forma especial: com um beijo na mulher, Anniken, que assistia ao jogo nas bancadas do estádio em Nova Jersey, nos EUA. A intensidade do beijo foi tal que o momento já se tornou viral e e união entre os dois celebrada.

O gesto marcou uma celebração antecipada do 27.º aniversário de casamento, que se assinala precisamente sexta-feira, dia em que a Noruega defrontará a França para decidir a liderança do Grupo I. Após o apito final, o treinador de 58 anos correu em direção à bancada para encontrar a mulher. «Não sabia onde ela estava, tive de subir para a achar», brincou Solbakken na conferência de imprensa.

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«Últimos dez minutos foram os mais longos da minha vida»

A vitória foi alcançada com grande dramatismo, com o selecionador a admitir que os minutos finais foram um «verdadeiro pesadelo», depois de Sarr ter feito o 2-3 aos 90+3'. «Os últimos dez minutos foram os mais longos da minha vida. Vi que quatro ou cinco dos nossos jogadores estavam com cãibras e já não tínhamos controlo sobre o jogo. Houve muitos cruzamentos e pressão constante. Foi a única altura da partida em que senti que estávamos a perder o controlo do encontro, e isso aconteceu depois de eles terem marcado o segundo golo».

Stale e Anniken estão habituados a emoções fortes. O casal, que se conheceu quando Stale tinha 21 anos, enfrenta atualmente um desafio pessoal significativo. O seu filho, Markus Solbakken, de 25 anos, foi diagnosticado com esclerose múltipla no início deste ano, mas foi autorizado a continuar a carreira.

O diagnóstico trouxe de volta a história do próprio selecionador, que teve de terminar carreira de jogador de forma abrupta em 2001, após sofrer uma paragem cardíaca durante um treino do Copenhaga.

Na altura, Solbakken, então com 34 anos, esteve clinicamente morto durante sete minutos antes de ser reanimado pelo médico do clube, Frank Odegaard. «Foi simplesmente como se as luzes se apagassem», recordou o antigo médio anos mais tarde à UEFA. Após recuperar a consciência 26 horas depois no hospital, e colocado um desfibrilhador interno, foi aconselhado a abandonar os relvados, iniciando pouco depois a carreira como treinador. «Ele estava clinicamente morto», disse o médico mais tarde. «É um milagre que ainda esteja vivo; o coração tinha parado de bater.»

«As pessoas dizem que foi um ataque cardíaco, mas na verdade foi um pequeno defeito com o qual nasci no coração. Consigo lembrar-me do que aconteceu antes, mas não depois, porque fiquei em coma por 30 horas. O meu coração parou por sete minutos, fiquei 'morto' por sete minutos. Fiz uma cirurgia e foi tudo corrigido», explicou também ao The Athletic.

O percurso profissional como treinador incluiu passagens por equipas dinamarquesas, alemãs e norueguesas antes de assumir a seleção do seu país em 2021.

Depois de ir à bancada beijar a mulher, juntou-se à equipa no relvado para a remada viking liderada por Martin Odegaard, em uníssino com os adeptos.

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