Ruben Amorim, ex-treinador do Manchester United
Ruben Amorim, ex-treinador do Manchester United

Amorim talvez precise de dar um passo atrás

Faz sentido que o futuro do treinador português continue a ser escrito em Inglaterra; o tempo pode vir a mostrar que muitas das suas decisões em Manchester fizeram sentido

Cada resultado ou exibição do Manchester United nesta época são observados em espelho com o legado recente de Ruben Amorim. Porque a equipa passou a vencer mais vezes, atingindo lugares de acesso à Champions, depressa se chegou à conclusão de que o problema era o treinador. Mas o tempo é um aliado da razão e creio que os que hoje criticam a teimosia de alguém cujas ideias fixas foram aceites por quem mandava serão aqueles que talvez venham a admitir no futuro ter sido precipitado o seu despedimento. É preciso ler com muita atenção as declarações de Bruno Fernandes, o tal que após a saída do compatriota passou a fazer mais assistências e golos. «Estávamos a construir algo [com Ruben Amorim] e de repente o clube decidiu que era preciso mudar», afirmou esta semana, em entrevista ao Sunday Times.

Assistindo aos jogos do United percebemos que, à semelhança do que acontece com tantos outros clubes, a troca de treinador fez-se como quem coloca um penso rápido numa ferida, mas sem eliminar o mal que a provocou. O drama de Amorim foi muito maior que o 3x4x3; ele tentou ser o manager que já não existe em Inglaterra - o treinador que ajuda a definir contratações e as estruturas adjacentes, desde o scouting à formação - pois que com a compra de clubes por parte de fundos ou multinacionais também aumentaram os cargos de direção desportiva, nalguns casos redundantes e com resultados pouco felizes, Chelsea e Tottenham são bons exemplos.

O ex-técnico do Sporting terá certamente cometido erros ao querer ir mais além das suas funções - ainda que essa tenha sido uma exigência aceite pelos donos quando o contrataram - mas a seu favor joga o facto de o tempo mostrar que muitas das suas decisões sobre jogadores foram acertadas - dispensar Rashford e Garnacho e não ter deixado cair Casemiro, por exemplo.

Amorim não conseguiu levar por diante uma revolução que se impunha num clube estagnado, mas não acredito que esta imagem de mais que um treinador vá mudar, até porque o próprio o fomenta. Estou curioso, por isso, para ver qual será o seu próximo desafio; porque se por um lado terá ficado vacinado e aprendido com os erros em Manchester, por outro pretenderá mostrar que no deve e haver tinha argumentos legítimos.

Acredito que o futuro de Amorim continue a passar por Inglaterra e não por Portugal. E não ficarei surpreendido se assinar por um clube de menor dimensão, mas onde tenha as bases que lhe fugiram em Old Trafford. Dar um passo atrás é um sinal de inteligência que não está ao alcance de todos.

ELEVADOR DA BOLA

A subir

Rui Borges, treinador do Sporting

Os leões despediram-se da Champions pela porta grande. Ser eliminado nos quartos de final pelo líder da Premier League com a diferença de um golo não é obra do acaso. Campanha digna e mais um treinador que se mostrou à Europa. Com substância.

Estagnado

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O cargo é digno de um equilibrista e não se adivinha vida fácil na questão da centralização dos direitos desportivos. A entrada em cena de uma nova proposta liderada pelo presidente do Nacional não faz adivinhar qualquer consenso.

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António Miguel Cardoso, ex-presidente do V. Guimarães

Prometeu demitir-se caso a equipa não se qualificasse para as competições europeias e cumpriu. Mas este é o tipo de gestão emocional que não se pede a clubes profissionais, onde, por exemplo, falta paciência para treinadores. Os resultados estão aí...