PSG voltou a erguer a 'orelhuda'
PSG voltou a erguer a 'orelhuda'

Cinco ilações a tirar da vitória do PSG em Budapeste

«Bola descoberta» é o espaço de opinião do treinador Laurindo Filho em abola.pt

Ao olhar para a revalidação do título de campeão europeu por parte do Paris Saint-Germain, penso ser necessário destacar alguns dos pontos fulcrais desta conquista, a qual começou muito antes da chegada de Luis Enrique e vai muito além do investimento financeiro efectuado:

1 - A aprendizagem com os seus próprios erros. Isso sim é experiência, a meu ver. Perceberam que não bastava investir nas melhores individualidades para triunfar num desporto colectivo. Compreenderam ser necessária a criação de uma equipa em que o todo fosse não só mais do que a soma das suas partes, mas também mais importante do que qualquer indivíduo;

2 - Assimilada a aprendizagem, o PSG teve a coragem de decidir contra os seus próprios desígnios iniciais. Isso requer uma humildade rara no que diz respeito à gestão, à liderança e à própria humanidade. Graças a isso deixaram sair todos aqueles que poderiam não ser compatíveis com o novo percurso a ser iniciado;

3 - Assumidos os erros, tomadas as decisões corajosas, era tempo de criar uma cultura organizacional assente em princípios morais inegociáveis: mentalidade competitiva, superação, team work, humildade, sintonia, reciprocidade.

Para isso era necessário um perfect match entre o que estava a ser delineado e quem ajudaria a colocar em prática e em marcha todo esse plano;

4 - Eis que chega Luis Enrique, o homem a quem nada parece faltar, a quem nada parece afectar. 

O treinador espanhol, um dos melhores do mundo na actualidade, é um case study que merece atenção. Genuíno, espontâneo, corajoso. Um pensador sem amarras ideológicas. Um espírito livre que promove e potencia a liberdade nos seus e entre os seus. Ver o PSG jogar é ver Luis Enrique em todo o seu esplendor. E isso só é possível quando ao treinador excepcional junta-se o ser humano de excelência;

5 - Para que o puzzle pudesse ficar completo faltavam os jogadores. E nesse campo o PSG também tem sabido dar cartas. Não só manteve aqueles que mais se adequavam à nova cultura, à nova filosofia e aos novos standards do clube (fora e dentro de campo), como também investiu em jogadores que acabaram por ser o rosto das duas Champions League.

Um investimento que vai muito além do dinheiro, pois há muitos clubes que têm dinheiro (à sua escala e realidade), mas não o sabem investir. O PSG de fundos aparentemente ilimitados tem dado lições de critério e inteligência no que diz respeito ao scouting, à análise, à antecipação negocial e à adequação aos seus objectivos.

O sucesso parisiense nasceu do investimento efectuado, mas só teve a dimensão desejada quando todos no clube passaram a estar imbuídos do mesmo espírito. A cultura organizacional de uma instituição, seja ela qual for, é a base maior de todo e qualquer sucesso que se pretenda alcançar.

Costumo dizer que é possível ganhar sem cultura organizacional, mas não é possível ganhar e vencer sem cultura organizacional. O PSG não só tem ganho, como também tem vencido.

A iniciar sessão com Google...